
A concentração do Inter em Pelotas, antes do jogo pela Recopa Gaúcha contra o Brasil nesta quarta-feira (6), viveu um remake de "Proposta Indecente", blockbuster do início dos anos 1990. Ao invés de Demi Morre e Robert Redford, a nova versão contou com Loiva Santos e Alan Patrick.
A torcedora de 70 anos fincou raízes na calçada do hotel em que o Colorado se concentrou na Zona Sul do Estado. Munida de bom humor e disposição, segurava nas mãos um singelo cartaz com uma oferta pouco comum.
Defini-la como fanática seria pouco. Em casa tudo é vermelho. No armário não tem roupa azul. Mas falta uma peça. Apesar de todo o esforço, falta uma camisa dada por um jogador colorado.
— Hoje vou apelar — pensou a colorada.
Foi para a frente do hotel com um cartaz escrito "A. Patrick faça amor comigo? Ou sua camisa!!! kkkkkkk".
O ultimato não foi suficiente. Na saída para o Bento Freitas, o camisa 10 colorado não viu o cartaz com a proposta. A esperança, agora, atende pelo nome de Adroaldo Guerra Filho. O comentarista prometeu, durante o Sala de Redação, conseguir um manto colorado para ela.
— Agora dependo do Guerrinha — revelou.
— Se Guerrinha disse, tá dito. Pode acreditar — prometeu o repórter.
— Mesmo? De verdade? — indagou Loiva.
A bateria do seu telefone foi para o beleleu depois de participar do Sala de Redação desta quarta. Conhecidos e desconhecidos mandaram mensagem. Ninguém, ainda, mandou uma camisa.
Tudo o que eu faço pelo Inter é pouco
LOIVA SANTOS
Em frente ao hotel onde a delegação do Inter está hospedada antes da disputa da Recopa Gaúcha
A dedicação ao Inter virou assunto na terapia. Loiva questionou o psicólogo sobre as razões para tamanha paixão. Quando criança, ela trabalhava na lavoura com os país. Sua folga era nos domingos à tarde quando o Inter jogava.
— Ele me explicou que o Inter era a minha única diversão. Então, tudo o que eu faço pelo Inter é pouco pelo o que o Inter fez por mim — emociona-se.
Na Sul-Americana de 2008, foi "bater caneca" em frente à prefeitura para angariar dinheiro para ver o Inter na Bombonera. Funcionou. Nas festas de amigo secreto da Prefeitura de Pelotas, onde trabalha, as três opções de presente são sempre as mesmas. A primeira é "algo do Inter". A segunda é "algo do Inter". Adivinhe qual é a terceira?
— Quando o Inter perde, ela fica três dias dentro de casa. Nos dias de jogos, começa a nos mandar embora bem cedo da tarde — revela Beatriz, neta cumplice no cartaz.
O marido não dá bola para o fanatismo. Nem pela brincadeira do cartaz. Não se mete em assuntos de Inter. O primeiro casamento acabou por motivos de Inter.
Certa feita, D'Alessandro participou de evento em Pelotas. Ela foi e começou a tirar a roupa para chamar a atenção do ídolo. Ela puxava a blusa para cima e sua irmã para baixo. O esforço foi infrutífero.
— Quando ele passou, os seguranças me tiraram. Ele não tem culpa — lamenta.
Nas visitas em Porto Alegre nos dias sem jogos do time, sempre que sobra um espaço vai para o Beira-Rio. Uma das últimas vezes, trocou a roupa à paisana pela camisa colorada dentro de um carro de aplicativo.
— O motorista não entendeu nada — se diverte.
Quando os jogadores passaram para o ônibus, Alan Patrick parou para fotos só do outro lado do corredor de torcedores. Nem viu Loiva. Após tantas vezes tirando a roupa pelo Inter, tudo o que ela quer agora é a camisa de um jogador.
Tudo está nas mãos de Guerrinha.
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