A cena ocorreu há 29 anos. Inter e Flamengo se enfrentaram no Beira-Rio pelo Brasileirão de 1997. Antes de começar o jogo, o capitão do time carioca era vaiado e xingado por quase 30 mil colorados. No dia anterior, em reportagem na TV, havia provocado os adversários durante o treino no gramado suplementar do Estádio Olímpico.
Lembrava sua passagem vitoriosa pelo Grêmio. Passadas quase três décadas, muitos encontros e títulos depois, aquele então atacante polêmico está de volta a Porto Alegre como treinador. Quando Renato Portaluppi está em Porto Alegre, é automaticamente uma atração. Como será nesse Inter x Vasco das 18h30min de sábado (16), no Beira-Rio.
Nem colorados nem gremistas e nem Renato gostam de lembrar que a história teria sido diferente se o ex-atacante tivesse ouvido seu pai, Francisco. Colorado fanático, ele ficou furioso, no princípio, quando o filho assinou com o Grêmio. E morreu antes de que o menino de Guaporé empilhasse os títulos tricolores.
Morreu antes, também, de ver seu filho se materializar como o "inimigo número 1" do Inter. É claro que qualquer um vestido de azul, preto e branco estará contrário a quem estiver de vermelho. Só que no caso de Renato, tanto faz as cores: é ele de um lado, o Inter do outro.
Sem ser pelo Grêmio, Renato enfrentou o Inter 22 vezes. Como jogador, foram oito jogos, contra Flamengo e Botafogo. O Inter ganhou três — uma delas, o 4 a 0 de 1997. Houve três empates. E Portaluppi venceu duas — uma delas, a final do Brasileirão de 1987.
O equilíbrio do Renato de calção e meias (sempre baixas) não se refletiu quando saiu do campo e foi para a casamata. O professor Portaluppi leva vantagem sobre o Inter. Foram 14 encontros e oito vitórias do técnico sem contar Gre-Nais. Perdeu três. E teve três empates. Ganhou e perdeu com Flamengo, Fluminense e Vasco. O que, de certa forma, justifica o apelido Renato Carioca.
Para o 15º encontro entre eles, há desfalques de ambos os lados. O Inter não terá Félix Torres e Victor Gabriel, ambos suspensos. Em compensação, retorna Mercado, que deve formar a zaga com Juninho. O Vasco não contará com Thiago Mendes e Rojas, suspensos, e os lesionados Adson e Paulo Henrique, além de Spinelli, que foi liberado para acompanhar o nascimento da filha.
A outra atração será a estreia do uniforme branco alusivo ao título mundial do Inter de 2006.

"Não posso treinar o Internacional"
Mais um temperinho para a rivalidade alimentada por clube e profissional. Que até parece reduzir quando Renato não está no Grêmio. De vez em quando, escorrega até para o folclore. Mas nunca perde a essência. Em entrevista ao canal de Romário, o técnico disse:
— Respeito, mas não posso treinar o Internacional até pela minha história vitoriosa com o Grêmio.
É bem provável que o contrário também seja verdadeiro. Não deve ter nascido ainda uma pessoa com coragem suficiente para pensar nele para técnico do Inter.
O ambiente está pronto. Se Paulo Pezzolano já tenta incutir na cabeça dos jogadores de que todas as partidas do Brasileirão são como clássicos, para a torcida nem precisa. O rival está do outro lado.
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