
Aos 57 anos, Alex Rossi pode dizer que já passou por tudo. Como jogador, viveu o ápice em 1991, quando marcou um gol que deu o título gaúcho ao Inter. Já na vida pessoal, rodou a América do Sul em função do futebol, mas travou uma verdadeira batalha contra o crack. O fato é que depois de tantas vivências, o ex-atacante enfim encontrou a paz que tanto buscou.
Nascido em Cacequi, Alex Rossi começou a carreira como profissional em 1990, no Inter-SM. O bom desempenho atraiu olhares do Inter, que o contratou no mesmo ano. Na temporada seguinte virou o "Touro Indomável", referência ao filme estrelado por Robert de Niro, ao balançar as redes no primeiro Gre-Nal da final do Gauchão, no Olímpico.
O Inter venceu por 1 a 0, mas perdeu na volta, em casa por 2 a 0. No terceiro jogo, as equipes empataram sem gols, o que deu o título ao Colorado, dono de melhor campanha geral. Nesta partida, ele ficou marcado por uma troca de empurrões com Renato Portaluppi, fato que culminou na expulsão de ambos.
Depois, Alex passou por equipes tradicionais da América do Sul como Cerro Porteño (Paraguai), Rosario Central (Argentina), Universitario (Peru), Corinthians, entre outras, além de uma passagem pelo Osasuna, da Espanha.
Atualmente, ele mora em Santa Maria e tem uma vida tranquila como funcionário de um posto de gasolina. Mesmo assim, o futebol segue presente no dia a dia.
— Hoje sou um cara feliz e tranquilo. O importante é estar com a cabeça boa e ter fé — disse Alex Rossi.
O gol da carreira
Por mais que tenha feito gols importantes, o principal da carreira do "Touro Indomável" foi fora dos gramados. Já aposentado, ele perdeu o pai em 2006. Na sequência, conheceu o mundo das drogas. Alex usou cocaína e chegou ao crack, maior adversário de sua vida.
Em 2014, Alex Rossi foi internado em uma fazenda para tratamento de dependentes químicos, em Ivorá, próximo a Santa Maria. Após nove meses, pôde voltar para casa. Desde então, vive sóbrio, mas sempre em alerta para não dar margem a um possível retorno do vício.
— A maior vitória, o maior gol que o Alex fez, foi o gol de salvar a minha vida. Não tem preço, porque hoje eu colho frutos do que eu aprendi na fazenda terapêutica. O tripé da fazenda, disciplina, oração e trabalho são coisas que estão sempre na minha vida — desabafou.
Vida tranquila e ainda goleador

Rossi mora em Santa Maria ao lado da esposa. Ambos mantém um relacionamento a um ano e quatro meses. O ex-jogador conta que os dois passam o dia fora de casa em função de seus trabalhos. No caso dele, atua como frentista em um posto de gasolina. Antes, trabalhou em um frigorífico na mesma cidade.
Com uma rotina regrada, ele costuma dormir e acordar cedo. Contudo, não abre mão do futebol aos sábados. Santa Maria é conhecida pelo forte campeonato de veteranos, e Alex defende o Fighera, time tradicional da cidade, na categoria +55 anos. O ex-atacante do Inter admite que segue em boa fase nos campos:
— Ainda faço os meus golzinhos. O Alex já está com uns 800 e poucos gols (risos).
E ao relembrar o estilo em campo nos tempos de profissional, o "Touro Indomável" foge do termo "craque" em função do som da palavra:
— "Craque" nem me fala, eu chego a me arrepiar. Pode ser só "bom jogador" (risos).
Torcedor "melancia"
Apesar da história pelo Colorado, Alex Rossi se define como "melancia", ou seja, torce tanto para Grêmio quanto para Inter. O motivo é o fato de ter feito as categorias de base no Tricolor e de quase toda a família ser gremista.
Apesar da simpatia com os dois clubes, ele coloca o Inter como leve favorito no Gre-Nal 452 e aposta em um 2 a 0 para o time que jogará em casa, neste sábado (11).
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