
A dificuldade do Inter para atacar tem sido um dos principais desafios do atual momento do Inter. Se no início do ano, o desafio era transformar em gols as tantas chances criadas, o novo modelo de jogo reduziu as oportunidades em nome de uma defesa mais segura. Mas o desequilíbrio se vê na frente, admitido inclusive por Paulo Pezzolano.
O time está em transição. Depois de começar a temporada com uma proposta agressiva, mas que expôs a defesa, Pezzolano recuou linhas, amparou melhor o sistema defensivo e tornou o time mais sólido. O efeito colateral foi o da perda de força no ataque
— Estamos em um momento de transição interna. Melhoramos de trás para frente e agora precisamos gerar mais oportunidades de gol — afirmou após o Gre‑Nal.
Essa busca por equilíbrio fez o Inter se tornar um time mais cauteloso do que criativo. A circulação de bola até existe, mas raramente gera desorganização no adversário. Faltam passes para quebrar linhas, infiltrações coordenadas e presença na área.
Individualidades
Mas há outro debate, para além do modelo de jogo. As individualidades ofensivas também estão aquém. Alan Patrick, o principal articulador, atravessa uma fase de menor impacto e tem participação direta em gols inferior à de temporadas anteriores. Mesmo assim, segue como peça central para o treinador.
— Alan Patrick é o jogador de mais qualidade que temos. Futebol é momento, e nós precisamos muito dele — defendeu Pezzolano.
No comando do ataque, a situação é semelhante. Borré entrega intensidade, pressiona, participa do jogo, mas convive com um jejum de gols no Brasileirão desde a segunda rodada, contra o Flamengo. A dificuldade em definir faz com que o Inter, em várias partidas, dependa de zagueiros e meio‑campistas para marcar, um sinal clássico de desequilíbrio ofensivo.
Os demais atacantes também estão devendo. Carbonero e Alerrandro fizeram um gol cada no Brasileirão. Vitinho, nenhum.
— A gente entrega, compete, mas falta caprichar mais na finalização — admitiu Vitinho.
Para o analista tático do Grupo RBS Cristiano Munari, há problemas na coletividade e nas individualidades:
— No começo da temporada, o problema ofensivo do Inter estava na qualidade das peças. O time criava muito coletivamente e não convertia as chances. Os resultados não vieram e Pezzolano optou por uma postura mais defensiva. Agora o time cria menos pela postura coletiva, o que dificulta ainda mais o ataque. Se com muitas chances criadas já havia dificuldade para fazer gols, criando menos fica ainda pior. Pezzolano vai ter que ousar mais coletivamente e aí as peças ofensivas precisarão corresponder.
A primeira oportunidade é contra o lanterna do Brasileirão. A resposta tem de ser dada diante do Mirassol, às 11h deste domingo.
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