
Para muitos, o Campeonato Gaúcho tem um campeão bem encaminhado em 2026. Ao vencer o jogo de ida por 3 a 0, o Grêmio está mais próximo da taça e deixou o Inter com uma missão difícil para buscar o título. No cenário mais simples, o Colorado terá de vencer por três gols de diferença para levar o confronto para as penalidades.
Historicamente, reverter a goleada do jogo de ida é pouco provável. Existe outra estatística que torna a situação mais complexa. Grêmio e Inter já se enfrentaram em 17 finais de Gauchão, sendo que em 11 delas foram disputados jogos de ida e volta. Nessas decisões, só uma vez o campeão foi o time derrotado na primeira partida, o que mostra que o vencedor do duelo inicial costuma confirmar o título.
Em 1999, o Grêmio perdeu o primeiro jogo da final para o Inter e foi campeão gaúcho. Contudo, naquela edição a decisão contou com um terceiro confronto, já que o Tricolor havia vencido a segunda partida.
Por mais que o retrospecto não seja favorável à virada do Inter, o torcedor pode apegar-se nesta final específica, quando o Colorado perdeu a ida por 3 a 2, em casa, e venceu pelo mesmo placar no Olímpico, na volta. Em 2011, o time treinado por Falcão foi campeão nos pênaltis.
Por mais que a diferença seja mais difícil de reverter, este é um exemplo que o Colorado busca se inspirar para tentar reverter o cenário no próximo domingo (8). A bola começa a rolar às 18h, no Beira-Rio.
Derrota na ida

Com os maiores ídolos de cada equipe na casamata — Renato Portaluppi era o técnico gremista — as duas equipes começaram a decidir o título no Beira-Rio. Antes, o Grêmio venceu a Taça Piratini, enquanto o Inter conquistou a Taça Farroupilha.
No jogo da ida, Andrezinho e Leandro Damião fizeram os gols do Inter. Do lado gremista, Leandro e Júnior Viçosa — que teve tarde inspirada ao marcar duas vezes — deixaram o time na frente da decisão.
— Depois da derrota em casa, logo após o jogo, já teve uma mobilização muito grande. Não só da parte diretiva, da comissão técnica do Falcão, mas principalmente nossa, dos jogadores mais velhos — disse Andrezinho.
O meia, que também foi campeão da Libertadores, em 2010, e da Copa Sul-Americana, em 2008, lembra que a semana que antecedeu o jogo de volta foi difícil, já que muitos davam o Inter como derrotado. Coube à comissão de Falcão motivar o grupo, mas de forma cautelosa para que os atletas não entrassem em campo com adrenalina em excesso, o que poderia comprometer a estratégia.
— A gente fez um pacto que sairia com o título. A gente viveu, literalmente, essa final, porque muitos gremistas já estavam contando com o título. Então, essa semana a gente trabalhou muito mais o mental do que, propriamente dito, a tática e a técnica — destaca o ex-jogador.
Virada histórica
Para reverter o resultado, Falcão apostou em uma mudança no esquema, com Juan Jesus entre os titulares, atuando como zagueiro pelo lado esquerdo para que a equipe tivesse três defensores. A estratégia não funcionou, tanto é que o Grêmio abriu o placar com Lúcio, o que complicou mais ainda a situação colorada.
O treinador não teve medo de abandonar a ideia e prontamente tirou o jovem zagueiro para colocar o meia Zé Roberto em campo. Uma das grandes atuações do jogador começou aos 31 minutos da primeira etapa quando cruzou para Leandro Damião empatar o jogo. Rapidamente, o cenário da partida mudou. Aos 45, Zé Roberto cobrou escanteio, a bola sobrou para Andrezinho, na entrada da área, que finalizou no canto de Victor: 2 a 1.

Andrezinho conta que a primeira parte do jogo foi de extrema dificuldade, principalmente na questão física. Por volta dos 35 minutos, ele fissurou a fíbula em uma dividida com Fábio Rochemback. No intervalo, o jogador fez esforços para voltar para a segunda etapa e até conseguiu. Contudo, com poucos minutos, foi substituído por Oscar, já que mancava muito.
— Sem dúvidas foram os dois maiores Gre-Nais que eu joguei. Ainda mais para mim por ter marcado gol nos dois jogos e por ter sofrido uma fissura na fíbula, no Olímpico. Eu joguei uns 15 minutos com a fíbula fissurada — conta.
Na etapa final, o nome da partida até aquele momento, Zé Roberto, sofreu pênalti, que foi convertido por D’Alessandro. E quando o título parecia garantido no tempo normal, Borges aproveitou a falha de Renan, aos 35 minutos, para descontar: 3 a 2. Nas penalidades, entretanto, o goleiro do Inter se redimiu e defendeu três cobranças. Zé Roberto, novamente ele, converteu o último chute, que rendeu o 40º título colorado.
Dá pra virar?
Ao contrário de 2011, o cenário de 2026 é mais difícil por se tratar de uma diferença de três gols. Em contrapartida, o Inter jogará no Beira-Rio e poderá ser embalado pelo seu torcedor. Para Andrezinho, o cenário é complexo, mas não impossível:
— A gente não pode ser hipócrita de dizer que não é uma grande vantagem do Grêmio ter vencido o primeiro jogo de 3 a 0. Mas no futebol tudo pode acontecer. Agora, tem que trabalhar a parte mental. Você tem que estar com o coração fervendo na ponta da chuteira, mas a tua cabeça tem que estar fria, tem que estar de cabeça de gelo.
Em quatro temporadas no Inter, Andrezinho foi campeão gaúcho três vezes. Do elenco atual, apenas um jogador pode igualar a marca, caso o clube reverta o placar neste domingo. Alan Patrick esteve nas conquistas de 2025 e de 2014.




