
Sete pessoas foram condenadas pela Justiça nesta quinta-feira (5) por envolvimento em esquema de fraudes, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação que causou prejuízo superior a R$ 260 mil ao Inter durante a última gestão de Vitorio Piffero, ex-presidente do clube.
A sentença foi proferida pela 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro de Porto Alegre. Entre os condenados está o ex-jogador Christian, que passou pela dupla Gre-Nal, e o ex-vice jurídico do clube, Marcelo Domingues de Freitas e Castro.
A denúncia foi recebida em 17 de setembro de 2020, e a investigação foi conduzida pelo promotor Flávio Duarte, da Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre.
Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), os fatos aconteceram entre 2015 e 2016, período em que os condenados aproveitaram do cargo para criar cláusulas fraudulentas em acordos trabalhistas e contratos de prestação de serviços. Neste sentido, o grupo teria desviado recursos do clube para benefício próprio e de terceiros.
Em um dos casos investigados, foi constatada uma cláusula em acordo trabalhista que resultou no desvio de R$ 138 mil. Outro valor registrado, de R$ 52 mil, diz respeito a parte dos honorários de serviços advocatícios.
Em outro exemplo, um acordo envolvendo o ex-jogador colorado resultou no prejuízo de R$ 70 mil. A denúncia feita pelo MP em 2020 afirma que Christian e Marcelo induziram o clube ao erro nos autos de uma reclamatória trabalhista movida pelo ex-atleta.
Conforme informado pelo Ministério Público, tais valores foram ocultados por meio de repasses a empresas e contas de terceiros, o que caracteriza lavagem de dinheiro. Quanto à prática de embaraço à investigação de organização criminosa, a Justiça reconhece que houve tentativas de orientar depoimentos e a produção de documento falso para dificultar a apuração conduzida pelo MPRS.
Condenações
As penas variam entre seis e 14 anos de reclusão. A sentença também acolheu o pedido do Ministério Público para reparar os danos causados ao Inter. Neste caso, o grupo teria de restituir ao clube o valor de R$ 260 mil, devidamente corrigido e acrescido de juros legais. Veja quem são os condenados abaixo:
- Marcelo Castro (ex-vice-presidente jurídico): Apontado como o líder do esquema, foi condenado a 14 anos e três meses de prisão em regime fechado por estelionato, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação;
- Leonardo Laporta Costa (advogado sem vínculo com o Inter): Condenado por estelionato, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação. Pena de 10 anos e seis meses de reclusão, em regime inicial fechado;
- Henrique Gershenson (administrador de empresas): Intermediário externo atuou na dissimulação dos recursos e na obstrução da investigação, foi condenado por lavagem de dinheiro e embaraço à investigação. Pena de nove anos de reclusão, em regime inicial fechado;
- Christian Correa Dionísio (ex-atleta): O ex-jogador aceitou a inclusão de uma cláusula fraudulenta de R$ 70.000,00 em sua ação trabalhista. Condenado por estelionato e lavagem de dinheiro, com pena de seis anos de reclusão, em regime inicial semiaberto;
- Georgio Chies (gerente de empresas): Funcionou como operador financeiro de ligado ao dirigente que ocultou a origem dos valores. Foi condenado por lavagem de dinheiro, com pena de nove anos de reclusão, em regime inicial fechado;
- Sinara Farias Lorenz (advogada): Sócia de Kelly Cristina Fonseca, aceitou um contrato com o que previa uma "rachadinha". Foi condenada por estelionato e lavagem de dinheiro, com pena de seis anos de reclusão, em regime inicial semiaberto;
- Kelly Cristina Fonseca Andrade (advogada): Sócia de Sinara Lorenz, foi condenada por estelionato e lavagem de dinheiro com pena de seis anos de reclusão, em regime inicial semiaberto.
O que dizem as defesas
O advogado Diego Romero, responsável pela defesa de Christian, manifestou-se por meio de uma nota:
A defesa respeita a decisão judicial proferida. Contudo, discorda do seu conteúdo e reafirma a inocência do atleta Christian Correa Dionisio. O recurso cabível será apresentado dentro do prazo legal e buscará, respeitosamente, reformar a sentença de primeiro grau.
Nas redes sociais, Christian ainda completou:
Eu tenho uma história no futebol brasileiro e mundial e jamais pratiquei ou praticaria qualquer ato lesivo aos interesses do clube ou do esporte que mais amo. O recurso cabível será apresentado dentro do prazo legal pelos meus advogados e eu buscarei reformar a sentença de primeiro grau e corrigir este grande equívoco. Tenho fé em Deus que tudo será esclarecido pelo poder judiciário.
A defesa de Marcelo Domingues de Freitas foi procurada e afirmou que não irá se manifestar. A reportagem busca contato com as demais defesas. Assim que houver uma resposta, a matéria será atualizada.
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