
O homem que tem tantas frases de efeito quanto gols está de aniversário. Dadá Maravilha, Dadá Peito de Aço ou Rei Dadá comemora 80 anos nesta quarta-feira (4). Sem qualidades técnicas, o folclórico centroavante se tornou um jogador emblemático em uma época de proliferação de craques nos gramados brasileiros.
Entre 1966 e 1986 trocou de clube com a mesma facilidade com que colocava a bola na rede. Nascido no Rio de Janeiro, brilhou pela primeira vez no Atlético-MG. Após passar fome na infância, supria a limitação técnica pela vontade para romper defesas e vencer goleiros.
A volúpia o fez ser artilheiro do Brasileirão em três edições. Em 1971 e 1972 pelo Atlético-MG e em 1976 pelo Inter. Antes, estremeceu as bases político-futebolísticas do país. Sua escalação na Seleção Brasileira era um desejo do presidente militar Médici.
Não existe gol feio, feio é não fazer gol
DADÁ MARAVILHA
Comunista convicto, o técnico João Saldanha não amoleceu ao pedido presidencial. “Ele escala o ministério, eu convoco a seleção”, foi a frase mais marcante. Foi demitido. Zagallo assumiu o seu lugar, e Dadá integrou o elenco campeão do mundo em 1970.
Por clubes, o ápice da carreira veio na sequência, com os títulos brasileiros por Atlético-MG (1971) e Inter (1976). Apenas ele, Túlio Maravilha e Fred foram artilheiros do Brasileirão em três edições.
Somente três coisas param no ar: o beija-flor, o helicóptero e Dadá
DADÁ MARAVILHA
Seu pensamento corria tão rápido para finalizar quanto para soltar frases de efeito. Dadá estima ter marcado 926 gols, possivelmente em contas semelhantes que levaram Romário e Túlio aos mil gols. Só chegou a esta contagem porque entendeu que “não existe gol feio, feio é não fazer gol” ou porque não aprendeu a jogar futebol por ter perdido muito tempo fazendo gols.
Pobre do zagueiro que tinha de subir com ele em uma disputa pelo alto. Porque somente três coisas param no ar: o beija-flor, o helicóptero e Dadá.
As declarações parecem arrogância. Só quem não viu Dadá para pensar assim. Apesar dos autoelogios, a irreverência desmancha qualquer prepotência. Não tem quem para para ouvir o homem que para cada problemática apresentava uma "solucionática".
Não venha com a problemática que eu dou a solucionática
DADÁ MARAVILHA
Para alguém com tantos gols, é estranho ter ficado pouco tempo nos clubes. Vestiu 17 camisas diferentes. Das pesadas de Atlético-MG, Inter e Flamengo, a outras tradicionais como Bahia, Coritiba, Sport e Santa Cruz, e também menos glamourosas como Nacional-AM, XV de Piracicaba e Douradense.
A diversidade de clubes lhe proporcionou ser artilheiros em diferentes estaduais. Foi o maior goleador em Minas Gerais quatros vezes, Rio de Janeiro, Pernambucano e Amazonas.
Nunca aprendi a jogar futebol pois perdi muito tempo fazendo gols
DADÁ MARAVILHA
Difícil discordar quando ele diz que “só existem três poderes no universo: Deus no Céu, o Papa no Vaticano e Dadá na grande área”.
Parabéns, Rei Dadá.
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