
Entusiasmado pelo encontro com as mais de 120 crianças ajudadas pelo Instituto Lance de Craque, D'Alessandro recebeu a reportagem de Zero Hora para uma conversa no Pão dos Pobres, uma das instituições beneficiadas, inclusive com a reestruturação do ginásio.
Além da empolgação pela retomada do jogo beneficente, ponto alto de suas ações para os necessitados no Rio Grande do Sul, o ídolo claramente ainda está aliviado pelo último jogo do Brasileirão do ano passado. A permanência na Série A foi o último ato de sua gestão como diretor esportivo do Inter, e o susto do quase rebaixamento o atormentou. Sabe que pôs sua idolatria à prova, de certa forma.
Agora, enquanto decide pelo futuro e administra o Instituto, segue acompanhando o Inter. A realidade financeira assusta, ele sabe como poucos. Ao mesmo tempo, prepara-se para ser comentarista na Copa do Mundo, será um dos enviados da Globo para os Estados Unidos.
Veja alguns trechos da entrevista.
Antes de tudo, parabéns por mais uma ação em prol dos gaúchos.
Primeiro, obrigado por terem vindo. Todo mundo sabe do nosso jogo, o Lance de Craque, que existe desde 2014, foi criado lá atrás e acabou se tornando algo muito maior. Então, junto com o nosso grupo de trabalho, decidimos criar um instituto. O Pão dos Pobres é uma instituição centenária, dispensa comentários. O trabalho deles é sensacional. A gente ajudou aqui com um dos primeiros Lances de Craque e, obviamente, ficamos felizes em hoje poder usar uma estrutura que ajudamos a construir com o nosso evento. Isso não tem preço.
É um trabalho que envolve muita gente.
Sim, virou instituto porque a gente precisava fazer algo maior. Mas isso depende muito do trabalho dos integrantes do nosso grupo, porque tudo aqui é beneficente — cada um tem seu trabalho, cada um tem sua rotina. Alguns nem moram em Porto Alegre, moram no interior. Então não é uma decisão só minha. Eu posso dizer que sim, mas os integrantes precisam concordar, porque são eles que estão no dia a dia, que falam com as empresas. A gente ficou muito feliz em finalizar o instituto. E fizemos questão de sempre colocar a plaquinha do Lance de Craque nos objetivos que alcançamos. Aqui no Pão dos Pobres, em outras instituições… sempre tem a plaquinha com data e ano. Isso não tem preço.
A ideia é voltar a ter o jogo no final do ano?
Claro! Posso dizer, e ninguém sabe ainda, que há 90% de chance de ter jogo esse ano de novo.
Em Porto Alegre?
Não, 90% de chance de ser no Interior, numa cidade diferente, não em Caxias (local onde foi o último). Queremos reforçar essa ligação com o Interior. Em Caxias foi muito bom. Tivemos um público de 7, 8 mil pessoas, quase 50% da capacidade do Alfredo Jaconi. O Juventude nos proporcionou tudo, somos muito gratos. Conseguimos ajudar muitas famílias e instituições do interior que precisavam, muita gente mesmo. Não que aqui não precisem, mas no dia a dia estamos mais presentes em Porto Alegre. A gente ajuda as crianças, compartilha momentos com elas. E a ideia é fazer mais um no interior. Noventa por cento. Não vou confirmar a cidade, mas é um lugar com boa estrutura e que abriu as portas imediatamente quando apresentamos o projeto. Ficamos muito felizes com isso.
Te conhecendo, sabemos que é um cara muito inquieto. Essas ações ajudam enquanto não volta ao futebol?
Ajuda muito. Ajuda a não ficar em casa, senão a gente cria problema. Estou completando quatro anos de aposentadoria agora, neste mês. E quando parei, pensei: "Agora vou ter que arrumar coisa para fazer, porque quem vai incomodar em casa sou eu". Mas sempre damos um jeito.
E o futebol?
O futebol nunca sai do nosso dia a dia. Nunca. Sempre está presente. E, quando a gente trabalha com futebol, sofre, né?
Ainda mais no ano passado.
Foi pesado, sim. Consome muito. É o dia todo. Tem que gostar, e eu gosto. Mas também é bom dar uma parada, respirar, aproveitar a família, acompanhar meus filhos, passar mais tempo com eles. Isso é muito legal. Sigo vendo muito futebol. Assisto, sim. Todos os jogos. E vou ao Beira-Rio também.
Como ficou tua relação com o Inter?
Minha relação com o Inter não muda. A gente tem que saber separar. Em algum momento da minha vida fui atleta, agora não sou mais. Fui diretor, não sei o que vou fazer no futuro. Mas precisamos separar os momentos, de ídolo, de atleta e de dirigente. Sei a realidade do clube, as dificuldades, especialmente financeiras.
Vem aí a Copa do Mundo e novamente vai ser comentarista. O que espera do trabalho?
Quero fazer um bom papel. Nosso grupo de trabalho é sensacional. Agradeço novamente à Globo pelo convite. É um convite especial. A Argentina foi campeã do último Mundial, acredito que eles não queiram que a Argentina seja campeã de novo (risos). Mas recebi o convite e não podia recusar. Vamos aos Estados Unidos, o que é ainda melhor, estar no local do evento.
Vê chance na tua Argentina ou no nosso Brasil?
Olha, estamos acompanhando os amistosos, os últimos antes da Copa. Dá para colocar algumas seleções como candidatas. A gente não pode se basear 100% em amistosos, mas precisa ter uma leitura do que está vendo. Tem seleções chegando melhor que outras, é a realidade. A Copa é diferente, mas a França, pelo que vimos, chega muito forte. Tem muitos jogadores de altíssimo nível. É praticamente a mesma base do último Mundial. O time titular que enfrentou o Brasil era praticamente o mesmo. E o time reserva tem uma qualidade muito parecida com o titular. A Inglaterra chega forte. O Uruguai deve chegar bem. Brasil e Argentina sempre chegam. Argentina por ser a atual campeã, Brasil por seu potencial. O Brasil tem um ciclo curto, trabalho de pouco tempo, mas tem um treinador vencedor, que sabe se comportar em situações difíceis. Acredito que até o Mundial, vai chegar melhor e todos nós queremos que chegue melhor do que vimos nesses últimos jogos.



