
O carioca que virou gaúcho por amor ao Inter agora é eterno também em bronze. Diante do mar de Atlântida e sob o olhar emocionado de torcedores, Abel Braga foi transformado em estátua. A inauguração do monumento ocorreu na manhã desta segunda-feira (16) e contou com a presença do atual diretor técnico colorado e ex-dirigentes.
Símbolo de conquistas históricas à frente do clube, como a Libertadores e o Mundial de 2006, o técnico ganhou o monumento como retribuição pela conexão com o clube e o povo gaúcho.
Entre aplausos, hino e gritos emocionados, a inauguração celebrou mais do que títulos. Retribuiu pela liderança, paixão e pertencimento ao Colorado.
— Meu coração, sangue e alma sempre serão vermelhos. Agradeço pelo carinho, pela homenagem — disse Abel emocionado, antes de desfraldar a estátua.
Abel sentou ao lado da obra em sua homenagem e brindou com uma taça de vinho sem a bebida. Depois sumiu no meio dos fãs, ávidos por fotos e autógrafos.
A escultura retrata o ídolo sentado, com uma camisa do Inter e uma taça de vinho na mão. A bebida é a preferida do ex-treinador.
Antes da chegada do atual dirigente, colorados se aglomeravam nas imediações da obra. Batiam fotos com uma réplica da taça do Mundial e conversavam animadamente.
Parceiros presentes
Estiveram na cerimônia os conselheiros Cláudio Bier e Carlos Marun, idealizadores do projeto, e uma comitiva de antigos aliados do ídolo.
Fernando Carvalho, presidente em 2006, anos da primeira conquista da Conmebol Libertadores e Mundial, Newton Drummond, o Chumbinho, executivo no período dos títulos de Abelão, os ex-mandatários Giovanni Luigi e Marcelo Medeiros, o ex-vice de futebol Roberto Melo, o conselheiro Alexandre Chaves Barcellos.
Da atual gestão, esteve presente o vice-presidente Miguel Dagnino. Também compareceram o conselheiro José Aquino Flores de Camargo, o antigo CEO do clube Aod Cunha, o empresário Tadeu Oliveira e até o ex-diretor de futebol gremista Sérgio Vazques.
Detalhes do monumento
A estátua do ídolo colorado foi concebida pelo escultor Luiz Henrique Mayer. O artista recebeu a consulta dos colorados pouco após o término do Brasileirão, quando Abel aceitou comandar o Inter nos dois últimos jogos e evitou a queda para a Série B.
A iniciativa foi capitaneada pelos conselheiros Cláudio Bier, Aluízio Ribeiro e Carlos Marun. Entre as festas de fim de ano e o início de 2026, o trio decidiu que Abel merecia a reverência e bancou os custos. Parte do valor acabou dividido entre outros torcedores que participaram de uma vaquinha.
O grupo reúne cerca de 30 torcedores e conselheiros, entre eles Felipe Vieira, Jorge Feres Uequed, Sadi Andrighetto e Vitor Silveira. O valor total não foi divulgado, mas a contribuição mínima era de R$ 1 mil, com direito a ter o nome gravado no monumento.
O trabalho para a confecção da estátua começou modelado em argila. Após esta etapa, passou por moldes em borracha de silicone. Na parte interior, o monumento é revestido por fibra de carbono, que o deixa mais leve. Por fora, recebeu pó de mármore e pó de bronze.
Finalizada a montagem, foi reforçado por dentro com fibrocimento, material com durabilidade e de fácil manutenção. A homenagem a Abel pesa cerca de 90 kg e precisou de 30 dias para ser executada.
A obra idealizada pelos torcedores não será a única. O Inter trabalha para construir uma estátua a Abelão no complexo Beira-Rio. Após evitar o rebaixamento no ano passado, o hoje diretor técnico ouviu do presidente Alessandro Barcellos a promessa de homenageá-lo.
A expectativa é que seja inaugurada até o fim do ano, em alusão ao aniversário de 20 anos da conquista do Mundial.