
Allex é um jogador fora da curva. Não no aspecto técnico, isso só o tempo dirá. Mas pela estatura. Quando os jogadores do Inter se perfilam antes das partidas, a câmera foca rosto por rosto e a imagem desce para alcançar o jovem de 19 anos. Ele tem 1m64cm.
A característica sempre foi ponto de atenção em um dos destaques do time colorado neste início de 2026. E a causa de situações inusitadas. Ao consultar uma médica do esporte, lhe indicaram a colocação de uma maior quantidade de gordura nas refeições. As gorduras insaturadas entraram na dieta para ajudar no ganho de peso e massa muscular.
Como todo adolescente em fase de crescimento, Allex tinha fome de leão. O apetite era vencido pelo metabolismo acelerado, e ele perdia massa muscular. São ajustes feitos para se adaptar em um esporte em que a força física ganha espaço.
Levantamento demográfico do Observatório do Futebol CIES aponta que a média de altura dos jogadores no futebol brasileiro é de 1m80cm. O estudo avaliou altura dos jogadores em 50 ligas. O menor índice é da japonesa, onde os jogadores medem, em média, 1m77cm. Ainda assim, 13 centímetros a mais do que a altura de Allex.
Maturação tardia
O jovem teve uma maturação biológica tardia. A peculiaridade não permitiu que ele fosse aqueles fenômenos instantâneos. Foi preciso paciência em alguns momentos. Em certas categorias ficou um pouco para trás devido ao aspecto físico. Depois de se adaptar às novas demandas, sua qualidade técnica despontava e mais do que compensava a falta de um físico mais robusto.
A história no Inter começou na categoria sub-11. Paulistano, Allex chegou em um pacote de atletas oriundos da Rsoccer, um centro de formação de São Paulo. Na leva, vieram outros garotos como seu irmão gêmeo e Vinícius Tobias, dois anos mais velho do que Allex e vendido ao Shakhtar Donetsk. À época, despertou o interesse de clubes portugueses. A idade impediu a ida precoce para Europa.
O repertório técnico foi a primeira característica a se destacar. A habilidade e a agilidade facilitavam o escape de defensores sedentos por derrubar o adversário. Por algum tempo, o utilizaram como atacante pelo lado, na esperança de levar vantagem no um-contra-um.
A diferença de força deixava os embates inglórios. Aos poucos, foi deslocado para o meio. Para receber a bola no pé. Em quase 10 anos de trabalho no Inter, profissionais capacitaram a sua forma física para sustentar o jogo.
— Se deu tempo ao tempo. O principal é que ele tinha muita técnica. Mas nessa época ele já tinha a inteligência de não ir para o embate. Tínhamos ciência de que não podíamos matar o processo dele — explica Marcus Vinícius Nobre, ex-preparador físico da base colorada.
Os cuidados vão além dos muros do CT Parque Gigante. Allex realiza trabalho complementar com uma equipe multidisciplinar. Foca na prevenção de lesões, aumento de massa muscular e faz consulta com um nutrólogo.
Também realiza trabalhos físicos, além de ter um acompanhamento individual do seu desempenho em campo. São as ferramentas usadas por alguém com 1m64cm para sobreviver em um futebol de gigantes.




