
Em pouco mais de uma hora, Bernabei sintetizou no domingo (8) sua melhor e sua pior versão. Aos 4 minutos de jogo, se perdeu no seu posicionamento e permitiu o avanço que resultou em gol do São Luiz. Aos 16 do segundo tempo, acertou um chutaço de fora da área na vitória por 3 a 1. Golaço.
Não chega a ser novidade. Por vezes, parece tendência. Bernabei tem capacidade de ser um Fórmula 1 no ataque e um carro 1.0 na defesa. Eleito melhor lateral-esquerdo do Brasileirão 2024, passou a ser inconstante, muitas vezes dentro do mesmo jogo.
A fragilidade foi melhor explorada em jogos da Libertadores. No empate em 3 a 3 com o Nacional, falhou repetidas vezes no primeiro tempo. No segundo, marcou um gol. Outra atuação 8 na defesa, 80 no ataque.
A medida utilizada pelos uruguaios foi aprendida e explorada pelas equipes brasileiras. Sem concorrentes, Bernabei manteve a titularidade, mas deixou de ser unanimidade devido a seus erros defensivos.
— Para jogos onde ele vai ser mais exigido, talvez o melhor seja jogar com linha de cinco. Porque você consegue proteger melhor as falhas que ele acaba cometendo, de posicionamento, de postura de marcação. Às vezes precipita para dar bote, tem uma abordagem errada do lance, então quando você tem um elemento a mais na linha de defesa, você consegue preencher melhor os espaços e ter cobertores mais próximos — avalia Rodrigo Coutinho, comentarista do SporTV.
A medida foi utilizada por Pezzolano no empate em 1 a 1 com o Flamengo. Naquele jogo, Bruno Gomes se colocou ao lado dos dois zagueiros, com Vitinho se posicionando pelo lado esquerdo. A medida funcionou e protegeu Bernabei, até ele cometer o pênalti que resultou no gol de empate do Flamengo.
— O que eu posso falar sobre a posição é que, logicamente, vai depender muito de como o Pezzolano enxerga isso. A primeira é orientá-lo a ser mais defensivo, guardar mais a posição. Os movimentos do Bernabei ofensivamente são inconscientes, ele vai. Então, é arrumar uma maneira de ele entender que tem que guardar mais a posição. Como uma linha de passe de retorno e não como alguém que vai receber bola em profundidade — opina Daniel da Costa Franco, lateral-esquerdo colorado na conquista da Copa do Brasil de 1992.
Números ofensivos
No ataque, os números mostram a força de Bernabei, potencializada pelo técnico uruguaio. São dois gols e uma assistência em seis partidas. No ano passado, em 51 jogos, ele marcou os mesmos dois gols e concedeu seis assistências.
Em um calendário engordado de jogos, há pouco tempo para aprimoramentos mais finos. A manutenção de Bernabei do time para aproveitar o seu potencial ofensivo se torna um risco calculado? Com a resposta André Luís, ex-lateral esquerdo colorado, campeão brasileiro em 1979.
— Acho que se ele tem potencial ofensivo, faz gols e dá assistências. Jogando em casa eu ajustaria ele no ataque. Trabalhar para melhorar a parte defensiva é importante, mas o calendário permite isso? Acho que ele já tem sua característica definida. Cabe ao técnico escolher e dar moral ao jogador para desenvolver o que tem de melhor.
Nos próximos dias, Bernabei ganhará uma sombra. O Inter encaminhou a contratação do lateral Matheus Bahia, 26 anos, que defende o Bahia.
