
Foi preciso engatar a quinta marcha para alcançar aquele chutão com cara de lançamento, ou lançamento com cara de chutão, desses que param no pé de um defensor. O jogo estava definido, escorria para o seu fim, mas Carbonero acreditou naquele passe enviesado. Ultrapassou o zagueiro, chegou antes do goleiro. Esticou o bico da chuteira para um único toque na bola. Ela passou entre as pernas do arqueiro e se aninhou na rede. O colombiano cobriu o rosto com a camisa da Colômbia e se atirou no gramado. Enfim, ele estreou pela seleção do seu país.
O gol de Carbonero no 4 a 0 da Colômbia sobre o México, em outubro de 2025, encerrou um longo período de espera. Antes disso, após ser convocado pela primeira vez, o atacante do Inter sofreu uma lesão no joelho que o tirou não só da seleção, mas também dos gramados por quase um ano. Eis a razão do choro. A torcida colorada espera a mesma dedicação de Carbonero no clássico Gre-Nal 449, no seu segundo jogo como jogador do Inter em definitivo.
A história do jogador começa longe de Porto Alegre. Antes de custar US$ 4 milhões (R$ 22 milhões) ao Inter, Carbonero estava prestes a não valer nada. Tudo começou em um ônibus. O veículo com dirigentes e comissão técnica do Once Caldas saiu de Manizales, sede do clube, percorreu as estradas colombianas por quatro horas exclusivamente para ver Carbonero em ação na Medellín marcada pelos excessos de Pablo Escobar.
O ano era 2020. A ideia de olhar Carbonero em ação foi do dono do clube, Jaime Pineda.
— Ele indicou que havia um jogador com condições muito boas, mas que estava se perdendo. Ele já tinha tentado a sorte em Cali, mas não teve sucesso — relata o jornalista colombiano Esteban Jaramillo.
O ônibus retornou para Manizales com Carbonero como passageiro. Na viagem, o ponteiro vestia a mesma roupa usada em campo. Não teve tempo de passar em casa.
— Ele deslumbrou, inclusive, os rivais: um jogador muito rápido, habilidoso. Muito incisivo, não é imponente, porque não tem um físico muito grande — enfatiza Jaramillo.
Foram três anos no Once Caldas. Passagem abreviada por alguns atritos entre Carbonero e a comissão técnica. Depois passou por Gimnasia La Plata e Racing. No clube de Avellaneda se lesionou após ser convocado para a seleção, antes de desembarcar no Beira-Rio.
Carbonero no Gre-Nal 445
Em seu primeiro ano no Inter, virou peça importante na batalha contra o rebaixamento. Seus oito gols, um deles no primeiro Gre-Nal da final do Gauchão 2025, reabriram as portas da Colômbia para Carbonero.
— Deus não deixa um justo sem resposta. Aqui está a revanche — disse após o gol.
No jogo seguinte pelo seu país, marcou outro. Ao entrar em campo no Gre-Nal 449, no próximo domingo, Carbonero carrega consigo o sonho de jogar a Copa do Mundo, seis anos depois de um ônibus cruzar a Colômbia para buscá-lo em Medellín.
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