
Se a intenção era passar uma borracha na imagem deixada pelas últimas atuações do Inter em 2025, a meta deve ser atingida com Paulo Pezzolano. O técnico uruguaio monta os seus times com nuances táticas diferentes aos trabalhos realizados por Roger Machado e pela família Díaz. Com Roger, o time tinha alto volume de posse de bola. Com os argentinos, uma certa morosidade ofensiva. Com Pezzolano o jogo é vertical e intenso.
Os princípios de jogo de Pezzolano têm como pilar um ataque com a busca rápida pelo avanço no campo. Ela ocorre tanto pela troca de passes pelo chão quanto em lançamentos. O goleiro tem papel importante na construção das jogadas, seja em um toque para um companheiro posicionado atrás da primeira linha de marcação do adversário, seja com lançamentos.
A plataforma tática utilizada pelo novo treinador colorado varia. Nos dois trabalhos mais recentes, Valladolid e Watford, seus times jogaram tanto com uma linha de quatro defensores quanto de três. No Cruzeiro, o sistema com três zagueiros foi o que marcou o crescimento da equipe na Série B de 2022.
Com a bola, apesar dos sistemas diferentes, os posicionamentos eram similares, com três jogadores na base da jogada, dois no meio-campo e três atacantes a linha defensiva do oponente.
— De jogadores que podem melhorar: o Bernabei pode ter uma redenção virando ala de novo e atacando mais que defende e o Borré, se jogar em dupla, pode também melhorar consideravelmente — avalia João Takahashi, do portal Footure.
As jogadas tendem a ser construídas por dentro para, nas proximidades da área, o time buscar o ataque pelas pontas. O olhar para as beiras do campo será essencial para Alan Patrick se encaixar nas ideias de Pezzolano.
— O Alan Patrick se torna esse jogador que pisa a área, chega perto do centroavante e ajuda os pontas a atacarem, ocuparem a área. Sem a bola, a ideia é recuperar rápido. O time pressiona alto, com encaixes individuais e bastante intensidade. Quando precisa baixar o bloco, fecha linhas e encurta espaços, sem perder agressividade.
Quando o time perder a bola, o que o torcedor colorado verá é um time correndo para frente. Pezzolano busca uma marcação pressão com a linha de defesa alta. Situação diferente da vista no período de Ramón Díaz.
— A questão do Inter é muito mais defensiva, como foi em 2025, e é algo que o Pezzolano trabalha bastante nos times: a pressão após perder a bola, o time sufocar, roubar lá em cima. Mesmo sem o Vitão, o time deve melhorar — opina Léo Miranda, analista tático do ge.globo.
Takahashi também pondera sobre o tema e influência que a saída de Vitão terá nessa nova fase.
— Acho o Inter (de 2025) um time de intensidade baixa para o jogo de pressão dele, e também falta um zagueiro seguro pra defender área e construir, o zagueiro é muito importante na construção com ele. Com a saída do Vitão, a prioridade deveria ser 100% num zagueiro novo para ser esse cara.
Com novos e velhos nomes, a certeza é que a versão Paulo Pezzolano do Inter terá uma nova cara.




