
Em 2025, o Inter tomou um dos grandes sustos de sua história recente. A última rodada, carregada de emoções, poderia ter sido evitada se alguns erros não tivessem sido cometidos ao longo da temporada.
Passadas três semanas daquela vitória sobre o Bragantino, que, acompanhada de resultados paralelos favoráveis, manteve o time na Série A, é hora de entender as lições, absorvê-las e impedir que a ameaça do ano atual seja transformada em realidade em 2026. Zero Hora apresenta três lições para o clube.
Mudar a atitude
Não são poucos os casos de clubes que escaparam por pouco do rebaixamento em um ano mas caíram no outro. Foi assim com o Atlético-MG em 2004 (caiu em 2005), com o Grêmio em 2003 (não resistiu em 2004). Também houve o oposto. Clubes que tomaram o susto aprenderam com os erros e se recuperaram imediatamente.
O Inter viveu isso. Após escapar na última rodada em 2002, fez um Brasileirão muito bom em 2003, dando início a uma recuperação que perduraria e levaria o time às glórias de 2006. Até mesmo em 1999, quando também se livrou no último jogo, conseguiu fazer uma campanha segura em 2000.
João Gabriel era goleiro nas duas campanhas. Titular em 1999 e reserva em 2002, ele entende que o susto pode fazer a direção abrir os olhos e evitar problemas em 2026.
— Já mudaram a comissão técnica e a direção de futebol. Agora tem de dar confiança aos jogadores que estão no clube. Não adianta querer reformular todo o plantel, o time tem jogadores de qualidade que, com mais tranquilidade e confiança, vão render mais. Passaram por um sufoco grande, com certeza não deixarão as coisas tomarem o mesmo rumo — aponta.
Outro ponto é reduzir expectativas. Os discursos já têm sido apontados nessa direção, mesmo que eventualmente escape algum otimismo exagerado. O Inter sabe que 2026 será de sobrevivência, pouco investimento e tentativa de reestruturação.
— O Inter precisa entender que, embora seja grande, não está grande. Provavelmente é inferior a pelo menos metade do campeonato. Por isso tem de reconhecer a inferioridade e voltar a apostar na solidez defensiva. Time que toma 57 gols está sempre correndo riscos de cair — indica Vinícius Fernandes, comentarista da ESPN.
Mais força
O Inter chegou ao final de 2025 exausto. Seja pela dedicação total ao Gauchão ou pela característica dos jogadores, potencializada pelo drama nas rodadas finais, o time teve claros problemas físicos na parte derradeira do ano. A aposta na juventude é fundamental para 2026. Com menos pressão no Estadual, será possível dosar as energias um pouco melhor.
— O clube vai precisar investir em jogadores de mais força, mais resistência e mais imposição física para, sobretudo, fortalecerem a bola área defensiva do time — comenta Vinícius Fernandes.
A direção também reconheceu esse problema e tem trabalhado em nomes nesse sentido. Além disso, um aproveitamento maior dos meninos da base pode ajudar nesse sentido.
Coesão do grupo
Não foram poucas as informações sobre problemas no vestiário, brigas de atletas, discussões com comissão técnica ou direção. Por mais que em futebol seja algo comum e que haja muitos registros de times campeões sem que os jogadores sejam amigos, isso costumava acontecer em grupos muito qualificados. Na limitação, a amizade pode ser um fator positivo.
Uma das missões de Abel Braga será recuperar esse aspecto. Desde sua chegada, bateu na tecla de que não encontrou vestiário dividido e que, sim, viu um grupo ansioso porque os resultados não vinham. Paulo Pezzolano tem uma mentalidade semelhante. Segundo ele, o trabalho do técnico é 90% gestão, referindo-se ao plantel e ao entorno.
— Isso é importante. Se conseguirem fechar o vestiário para a opinião pública e se concentrarem no trabalho, vão ter resultados positivos. Pelo discurso do Abel e do Pezzolano vejo que estão no caminho que considero certo — finaliza João Gabriel.
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