
Em uma entrevista de mais de uma hora e meia, o presidente Alessandro Barcellos fez um balanço de seu mais desafiador e perigoso ano no cargo.
Após confirmar Abel Braga como diretor técnico, ele reconheceu erros cometidos no futebol em 2025, explicou as decisões que levaram a equipe a escapar do rebaixamento apenas na última rodada, falou sobre as saídas de D'Alessandro, André Mazzuco e José Olavo Bisol do departamento de futebol, relatou a situação financeira do clube e projetou o futuro, inclusive sobre Tite. A seguir, alguns dos trechos.
Novo departamento de futebol
"Estamos avaliando a posição de executivo a partir de um conjunto de informações que o clube tem já de outros tempos. Em paralelo está sendo feita a busca por técnico. Essa circunstância nos exige trabalhar em paralelo. O ideal é contratar o executivo junto ao diretor técnico e trabalhar o perfil do treinador. Mas o momento que estamos vivendo, de estreia no Gauchão daqui a 30 dias, temos de concluir o quanto antes".

O encontro com os ex-presidentes
"Foi uma conversa inicial, sincera, manifestando o interesse em cargos e espaços, isso é o de menos, mas em possibilidade de construir algo para esse ano. Independentemente de nuances politicas. Daqui a 10 meses temos eleição. Queremos dialogar com processos que certamente estão sendo elaborados. O que queremos é concluir o trabalho da consultoria internacional e que vai trazer indicativos de soluções para esse momento, o interesse é fazer isso acontecer. Mas não basta só a gestão querer, precisa de um entendimento maior. Isso vai ser o centro da discussão nos próximos cinco ou 10 anos. Vai sair o que precisamos implementar já no ano que vem. Querem estar juntos já dentro, para fiscalizar, a partir de uma plataforma? Acho que é bom para o clube. Mas precisamos convencer politicamente. Mas tem de ter gestos políticos para construir gestos técnicos. o trabalho está sendo feito de forma independente pelo comitê. Queremos apresentar isso ao conselho, para ser uma espécie de bússola para enfrentar o tema financeiro e projetar os próximos anos".
Avaliação do grupo
"Tínhamos a previsão de vender jogadores no início da temporada e não conseguimos. No meio do ano, fizemos a avaliação e tivemos de fazer saídas. Mas nunca avaliamos que poderíamos lutar contra o rebaixamento. Isso é um elemento importante, que precisa ser considerado. Os dois jogadores que saíram, Valencia e Wesley, não estavam em seus melhores momentos, e avaliamos que não teria tanto impacto. Na parada da Copa, com a lesão do Fernando, notamos que precisávamos de um meia com intensidade e de um volante. Com o problema financeiro, o conselho autorizou 5 milhões de euros. Foram 4 milhões de dólares pelo Alan Rodriguez e a segunda foi a chegada do Richard. E também tivemos a permanência do Vitinho, que não foi um processo fácil como pareceu ser. Não recuperamos e tivemos de trocar a comissão técnica. Entendemos que o problema era mais anímico do técnico e trouxemos uma comissão acostumada com isso. Tivemos um grupo desequilibrado. Não podemos repetir esses erros no ano que vem. O futebol brasileiro está muito equilibrado. Oito pontos separam o primeiro da Libertadores com um rebaixado. Em outras ligas, são três rebaixados, ou dois mais dois em playoffs. Temos de reavaliar a questão física e também a altura. Daí já não tinha mais janela. E trabalhar com aquele material humano era o que restava".
Folha salarial e problemas financeiros
"Nossa folha foi a 13ª ou 14ª da Série A. Reduzimos, no meio da temporada, de R$ 14 milhões líquida para R$ 12,5 milhões. A dívida do futebol brasileiro hoje, pelo relatório Convocados, pulo de 9 bi para 17 bi em quatro anos. A dívida da Série A dobrou. Os custos do futebol brasileiro estão absurdos. Ouvi de um clube que subiu "Não vou contratar ninguém". Poucos clubes estão com credibilidade. É uma realidade que precisamos enfrentar. Disseram que atrasamos seis meses. Não é verdade. Não atrasamos salários e imagem, foi nossa prioridade. Outros podem ter escolhido outros caminhos. Sobre a renúncia, acho que antecipar esse debate não vai ser bom para o clube. Nossa dívida é de R$ 850 milhões, a depender de questões do final do ano. A dívida nominal do Inter cresce, mas a real é a mesma desde que assumi".

Expectativa para 2026
"Vai ser um ano de recuperação. Não vamos prometer títulos. Vamos prometer muito trabalho. Um esforço enorme na montagem de uma equipe para suprir carências que temos. Não vamos gerar expectativas. Precisamos recuperar nossa credibilidade de mercado, honrar nossos compromissos, renegociar processos de débitos com outros clubes. Vamos fazer uma janela criativa. Tentar repor os jogadores à altura. Precisamos de profissionais que conheçam o mercado e que saiba o ambiente".
Críticas da torcida
"O torcedor tem razão. Já fui torcedor, já fiz protestei contra presidente. Mas respeitei o processo. Vamos respeitar os torcedores, eles têm razão, o momento é ruim. Já tivemos outros momentos ruins. Tivemos um segundo semestre horrível dentro de campo e isso leva pessoas a desistir, desagregar. Vamos trabalhar para entregar o clube melhor no final do ano do que estamos vivendo agora. Precisamos fazer uma reestruturação financeira no clube. Esse desafio é maior".

Saída de D'Alessandro
"D'Alessandro foi um integrante do departamento de futebol que nos ajudou muito. Trouxe elementos importantes para dentro do departamento. E ele alegou por razões pessoais que não continuaria. Foi um ano muito duro para todos nós, e imagino para que o D'Ale também, por desempenhar uma função relativamente nova. Nem digo internamente, mas mais com torcida. Nunca tive nenhum problema com o D'Ale, tivemos viagens, momentos de angústia, fomos solidários um com o outro. Ele tomou a decisão, o clube respeita, eu respeito. Bola para frente".
Tite
"Tite é um grande treinador, sempre vai estar na pauta na medida em que decidiu voltar ao trabalho. Faz parte das movimentações. Mas não tive essa conversa ainda porque entendemos que é necessário montar um perfil de treinadores, e, a partir daí, tomar a decisão. Tite sabe disso. Ele deu declarações importantes sobre o Inter. Mas não teve contato formal do clube diretamente sobre isso. Sabemos do momento dele de retornar. Fechar o nome do Tite é desconsiderar outros nomes que estamos trabalhando. Mas é um nome importante".





