
Para não ser rebaixado, não basta, para o Inter, só vencer o Bragantino. Além dos três pontos, no Beira-Rio, será preciso também, torcer por pelo menos dois resultados paralelos entre Vitória (que não pode bater o São Paulo, em casa), Fortaleza (que, se empatar com o Botafogo no Rio, obrigará os colorados a ganhar por dois de diferença) e Ceará (que não pode pontuar contra o Palmeiras em casa).
Uma combinação que deixa tudo ainda mais complicado e que remete às outras vezes em que a equipe gaúcha chegou na última rodada do Brasileirão pendurada na luta contra a degola.
A primeira foi em 1999. Na rodada final de um campeonato marcado por imensas confusões, como o caso Sandro Hiroshi, do São Paulo, que havia adulterado um documento e feito o São Paulo perder pontos no STJD, o Inter enfrentaria o campeão da Libertadores, Palmeiras, treinado por Luiz Felipe Scolari. Naquele ano, o rebaixamento era decidido por uma média de pontos nas duas últimas temporadas.
Para não depender de outros jogos, cabia aos colorados vencer os paulistas em casa. Com ingressos a R$ 1, um Beira-Rio cheio e apreensivo, coube a Dunga, então reserva do time de Leão, fazer o gol salvador, em uma cabeçada, aos 35 minutos do segundo tempo. No final da temporada, porém, o efeito prático é de que não houve rebaixamento. O Gama ingressou na Justiça, alegando ter sido prejudicado com o "caso Sandro Hiroshi", ganhou a ação e obrigou a CBF e o Clube dos 13 a criar, no ano seguinte, a Copa João Havelange, um campeonato de 116 times e quatro módulos.
"Vamos fazer o nosso"

Em 2002, teve rebaixamento. E teve uma situação de certa forma parecida com a atual. O Inter entrou na última rodada em 24º de 26 times. Além de ganhar do Paysandu em Belém, teria de contar com um em três resultados paralelos: o Palmeiras não vencer o Vitória, o Paraná não superar o Figueirense ou um empate entre Portuguesa e Bahia. Deu certo. O time gaúcho fez 2 a 0 no Mangueirão, gols de Mahicon Librelato e Fernando Baiano. Palmeiras e Paraná perderam.
Presente nos dois jogos, o lateral e volante Claiton recorda de uma situação importante, especialmente no segundo duelo, que precisava também de uma combinação de resultados:
— Só ficamos sabendo dos outros jogos depois que terminou o nosso. O acordo era fazer a nossa parte e depois ver o que acontece. Lembro que perguntei para o Claudião (Cláudio Duarte, então técnico) sobre os resultados e ele respondeu: "Não interessa. Vai jogar! Vamos fazer o nosso" — recorda.
Em 2016, a situação era tão ruim como a de agora. Para não ser rebaixado, o Inter teria de vencer o Fluminense e tirar quatro gols de diferença para o Vitória, que enfrentaria o Palmeiras, já campeão, em Salvador. Ou que o Sport não ganhasse, em casa, do já rebaixado Figueirense. Os pernambucanos ganharam, os baianos perderam, e o Inter ficou no empate.
No domingo, o destino colorado será selado para 2026. Resta ver se será como o de 1999, o de 2002 ou o de 2016.
Quer mais notícias e vídeos da dupla Gre-Nal, de futebol pelo mundo e de outras modalidades? Siga @EsportesGZH no Instagram e no TikTok 📲




