
Apresentado nesta sexta (19) no Inter, o técnico Paulo Pezzolano mostrou conhecimento do clube, consciência da situação e desejo de trabalhar. Após superar um problema de logística (começou a viagem de carro, mas por conta de burocracia teve de fretar um voo para Porto Alegre), concedeu sua primeira entrevista coletiva no Beira-Rio e se mostrou bastante otimista com o futuro. A seguir, algumas das principais declarações.
Primeiras impressões
— Estou orgulhoso de começar a fazer parte desta família do Inter. Estou com muita vontade de começar. Estive no estádio e quero ver a torcida. Deus queira que possamos marcar uma página muito boa na história colorada.
Avaliação do grupo
— Inter tem um bom plantel, um bom time. O que preciso fazer é tirar 100% de cada um, o máximo mentalmente e fisicamente. Depois vamos falar com o scouting. Falo de características e não de jogadores. Estou convencido de que podemos fazer um grande ano, por isso estou aqui. Temos de ser precisos nas contratações. Se os jogadores tiverem uma boa base de trabalho e estiverem fortes mentalmente, podemos fazer um trabalho bom.
Plano B de Tite
— Ser o plano B atrás de Tite, para um cara de 42 anos, é um orgulho. Havia outros clubes, acabou que fui o plano B de Tite em outro clube também (referindo-se ao Cruzeiro). Com minha idade, começando agora. Queria ficar na Europa, mas quando aparece o Inter, é impossível dizer que não. Estou muito feliz.
O que pede aos jogadores
— Gosto de jogadores humildes, de muita vontade e que saibam onde estão. Que se sintam no melhor time. Quando entramos em campo, no CT, temos de dar 100%. A quantidade de jogadores varia, mas gosto de ter meninos por perto. Minha metodologia envolve ter mais gente, então não é problema.
"Maluco" à beira do campo
— Fui sincero para o Abel. Quando me ligaram, falei a verdade. Tem um maluco na beira do campo. Não gosto de falar muito, gosto do dia a dia. Gosto que o campo fale por mim. Gosto que os jogadores falem por mim.
Parceria com Abel Braga
— Ter Abel ao meu lado é um orgulho, é a primeira vez que tenho um treinador histórico a meu lado. Ele é uma pessoa espetacular que conheci há poucos dias. Vê a clareza e a humanidade. Gosto de saber de tudo porque creio nos detalhes. Todos estamos colaborando para que a bola entre a favor e não contra. Minha cabeça vai estar 1000% no campo.
Características do time
— O mais importante é tentar um time que identifique a todos. Um time com intensidade e fome. Depois vamos ver se a agressividade vai estar em bloco alto ou bloco baixo. Posso vir aqui e falar coisas bonitas que todos gostem. Mas quero é que o campo mostre. Temos de demonstrar querer os três pontos a cada jogo.
Sair da zona de conforto
— Tudo na vida para conseguir uma coisa importante tem que sair da zona de conforto. Quando estou treinando e canso, vamos seguir. Isso é sair da zona de conforto. Quando faz isso, levanta o teto. Está fazendo o jogador mais forte mentalmente.
O que deu errado em 2025
— Quando comecei a falar com o Inter, vi todos os jogos. Mentalmente faltou força. Quando levava gol, sentia e não se levantava. Creio eu que se perdeu muita força para ganhar o Gauchão para interromper a sequência do vizinho (referindo-se ao Grêmio). O ano ficou longo. Os jogadores ficaram esgotados, não tinham força. No último jogo, o Inter jogou com 12 jogadores, não tinha como não ganhar. Isso é o que quero dos jogadores, que contagiem a torcida. Inter é um clube gigante, tem de ir jogo a jogo, sempre. Depois, no andamento do campeonato, vemos onde vai dar.

