
Quem não foi ao Beira-Rio na sufocante tarde deste domingo (7), sufocante não apenas pela temperatura de deserto, perdeu a festa do alívio. Não contará que estava entre 21.710 mil pessoas em mais um dia do fico do Inter na Primeira Divisão, como em 1990, 1999, 2002 e 2013. Não gritou "Uh é Abelão", nem "Fica, Abelão". Não fez ufa ao final do 3 a 1 sobre o Bragantino.
Foram muitos jogos em um só. Nos primeiros 45 minutos, só apreensão. O Inter não se ajudava, as combinações necessárias também não. Mas o coração colorado, o bumbo da torcida, não parou um instante sequer.
Tum... Tum... Tum... fez na maior parte da primeira etapa. Num compasso contínuo. Quando fez um instante de silêncio no intervalo, os cerca de 50 torcedores do Bragantinos feriram os colorados. "Arererê, o Inter vai jogar a Série B". A ida dos jogadores para o vestiário recebeu aplausinhos e vaiazinhias.
Impacientes, mas inquietos nas arquibancadas estavam os torcedores. As mãos não sossegavam. Muitas delas seguravam o celular em busca dos resultados paralelos. Ou apartavam os fones contra os ouvidos para ver se a Rádio Gaúcha informaria um resultado paralelo nos jogos de Fortaleza, Ceará ou Vitória. Os pés tricotavam o chão.
Quando a bola bateu na trave em chute de Bruno Gomes, o bumbo fez tumtumtumtumtum. Era só um aquecimento. Quando o primeiro tempo acabou, os semblantes eram de preocupação, insatisfação, mas nunca de descrença.
Tum... Tum... Tum... começou o segundo tempo. Cada gol favorável no segundo tempo era comemorado como se fosse um do Inter.
Tumtutm... tumtum... O gol do Palmeiras aos 15 minutos tirou o Inter pela segunda vez do Z-4. Ali, o Inter já fazia sua parte com gol de Mercado. "Nunca me esquecerei os dias que passei contigo, Inter", vibrou o Beira-Rio. Faltava uma situação favorável em outro jogo.
O coração ficou descompassado com o sobe e desce nos minutos seguintes, como aos 24 minutos, quando o Vitória marcou sobre o São Paulo. Naquele momento o Inter dependia de um gol seu ou um sofrido pelo Fortaleza.
Desavisados, os jogadores amorcegavam o jogo. A torcida alertava: "Mais um, mais um, mais um". Borré nem num dia como esses agradou. Saiu a passos lentos ao ser susbtituído. Seu último ato no ano recebeu vaias robustas.
Mas o mais um saiu com Alan Patrick, de pênalti. Tumtumtumtumtumtumtum. O Beira-Rio explodiu. Alguns tímidos, se abração em silencio, em alívio. Tocaram testas. Secaram lágrimas de alívio.
Carbonero saiu em disparada aos 36 para fazer o terceiro. Tumtumtutmtumtumtutmutmutmutmtumtutmtumtumtutmtumtumtutmutmutmutmtumtutm. Dessa vez não teve um tímido nas arquibancadas.
Foi a hora de cantar o hino. Nem mesmo o gol do Bragantino diminuiu o ânimo. O Ceará levava 3 a 1 do Palmeiras. O Fortaleza 4 a 2 do Botafogo. No momento em que a torcida vibrou com o quarto gol carioca, os jogadores já se abraçavam no banco de reserva. O destino estava selado.
Toda a festa não impediu vaias à direção e aos jogadores nos minutos finais. Abel foi ovacionado. Ouviu pedidos para ficar. O coração ainda fazia tutmtumtumtutmutmutmutmtumtutm. Demorou um tempo para a adrenalina baixar e os batimentos caírem a níveis silenciosos. Após todo o esforço, o coração colorado precisa descansar após ser machucado durante todo o ano.
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