
Antes mesmo de ter chegado ao Inter, o novo técnico já mostrou conhecimento sobre erros de 2025. Paulo Pezzolano, em sua coletiva de apresentação, fez uma breve análise, com o olhar de fora, sobre o que se passou no final da temporada. Claro que não foi com base apenas em sua observação, teve conversas com Abel Braga e demais integrantes do departamento de futebol.
Mas alguns dos pontos foram bem evidentes, inclusive alertados ao longo dos meses.
A seguir, listamos cinco dos principais problemas.
Aspecto mental
Nada foi mais nítido do que a falta de força mental do Inter. A equipe sentiu a pressão, especialmente no segundo semestre. O gatilho parece ter sido a derrota no Gre-Nal. A partir dali, já eliminado da Copa do Brasil e da Libertadores, o time levava um gol e parecia não ter ímpeto para reagir. Logo em seu primeiro dia no Inter, ainda como treinador, Abel Braga foi sincero ao se encontrar com torcedores:
— Para mim não tem muita explicação o que está se passando. Só que o que tá f... é o anímico.
É por isso que o time, agora, precisará de um trabalho especial no aspecto psicológico. E buscar jogadores experientes, que saibam superar maus momentos sem tanto sofrimento.
Condição física
O Gauchão de 2025 era especial. Depois de sete conquistas seguidas, o Grêmio tinha possibilidade de igualar uma marca histórica do Inter. Apenas os colorados são octacampeões (de 1969 a 1976). Por isso, a equipe fez uma força extra para vencer o Estadual. Colocou titulares desde as primeiras partidas. Quase não rodou o grupo. Quis ter vantagem em todas as etapas. De fato, funcionou: o time foi campeão invicto, com melhor ataque e melhor defesa. E no Beira-Rio. Mas o preço foi pago no segundo semestre:
— Creio eu que se perdeu muita força para ganhar o Gauchão para interromper a sequência do vizinho. O ano ficou longo. Os jogadores ficaram esgotados, não tinham mais força — opinou Pezzolano em sua apresentação.
Em 2026, o Gauchão será disputado ao mesmo tempo do Brasileirão, ao menos nas primeiras rodadas do campeonato nacional. Sem a pressão de perder um recorde, será possível equilibrar a minutagem e dosar as forças dos atletas.
Falta de gols
Mesmo que tenha investido em atacantes de grife nas últimas temporadas, faltou gol para o Inter. Foram 44 no último Brasileirão, marca inferior à de 12 equipes na competição. Borré, centroavante da Colômbia, só converteu 21% das grandes oportunidades que teve na Série A. Não foi o pior, segundo o Sofascore, mas os índices preocupam.
— Borré é um jogador diferenciado. É da seleção de seu país. Tem uma capacidade de raciocínio incrível. Tomara que o torcedor dê uma trégua, que o treinador goste dele — disse Abel.
Sem reserva na lateral esquerda
Melhor lateral-esquerdo do Brasileirão 2024, Bernabei ficou muito longe de sua melhor versão em 2025. E o pior: sem substituto. A contratação do Inter para ser alternativa, Ramon, acabou repassado por empréstimo ao Vitória. Retorna agora, inclusive. Quando não tinha o argentino, o Inter teve de improvisar Victor Gabriel pelo lado, ou lançar um menino de 17 anos, Alisson, que inclusive foi expulso em sua estreia. Uma das prioridades no mercado tem de ser uma alternativa para o setor.
Goleiros lesionados
Teve um pouco de má preparação e outra dose de falta de sorte, é verdade. Os três goleiros do time principal terminaram a temporada lesionados. Rochet mal atuou o ano inteiro. Teve zero partida pelo Gauchão. E no Brasileirão, logo na estreia, fraturou a mão. Anthoni, titular no Estadual, oscilou no campeonato nacional. Foi para a reserva de Ivan, que até não estava mal quando sofreu uma lesão muscular no confronto com o Ceará e não voltou mais. O pior é que Anthoni também se machucou na reta final. Rochet voltou no sacrifício para os jogos derradeiros.
— Lógico que não voltei num momento em que me sentia cômodo. Voltei com dores, sem treinar. Mas às vezes as coisas acontecem assim. Não queria atrapalhar. Dei meu máximo, mesmo tendo erros — resumiu Rochet.
O ideal é que todos voltem das férias na melhor forma. Para que seja possível fazer uma avaliação mais correta do futuro e das reais necessidades do time para a posição.



