
A fase de Rafael Borré com a camisa do Inter não inspira confiança na torcida colorada. O sentimento da comissão técnica, porém, é o oposto. Ausente por suspensão contra o Vitória, na última rodada, o atacante de 30 anos teve o retorno citado por Ramón Díaz como um reforço para enfrentar o Bahia, neste sábado (8), no Beira-Rio.
— Seguramente, vamos trabalhar o anímico e o tático para fazer com que a equipe tenha um funcionamento. Vamos recuperar o Borré, que é um jogador importante, internacional, que pode nos dar da metade do campo para adiante o que estamos buscando — declarou o treinador na entrevista concedida no Barradão.
O currículo de campeão da Libertadores pelo River Plate em 2018, a experiência no futebol alemão e as convocações para a seleção colombiana (incluindo os amistosos contra Nova Zelândia e Austrália, na próxima semana) ajudam a explicar a insistência no camisa 19.
Por outro lado, os oito gols marcados em 41 jogos nesta temporada são menos que a metade das vezes que o meia Alan Patrick balançou as redes (19). Ou seja, uma resposta bem longe do investimento em salários acima de R$ 1 milhão mensais ou àquele feito pelo clube no início do ano passado para trazê-lo da Europa.
À época, para comprá-lo do Eintracht Frankfurt, e antecipar a saída do empréstimo do Werder Bremen, foram investidos mais de 6 milhões de euros (acima de R$ 35 milhões). O valor lhe imputa a condição de segunda contratação mais cara da história colorada, atrás somente do uruguaio Nico López que, em 2016, foi adquirido do Nacional-URU por 11 milhões de dólares (R$ 36 milhões pela cotação da época).
— Nesta ideia do Ramón Díaz de fazer do centroavante um falso 9, o Borré encaixa melhor porque ele não é um atacante de referência, mas um segundo atacante. Não é pivô. Sabe fazer gol, tem presença de área, mas não é um centroavante como é o Lucas Pratto, que era seu companheiro no River Plate. O Inter trouxe o Borré para jogar ao lado do Enner Valencia, sendo mais armador. O Borré sendo arco e o Valencia flecha — analisa o comentarista Leonardo Oliveira.
Lembrança goleadora
Desde que chegaram a Porto Alegre, os Díaz viram Borré anotar um único gol, na vitória de 2 a 0 sobre o lanterna Sport. Mas, se o desempenho do presente não explica a titularidade, a esperança dos argentinos que comandam o Inter remete ao período vivido pelo atacante em Buenos Aires.
— Borré continua sendo o máximo goleador do ciclo de Gallardo no River. Foi trazido como uma aposta quando era jovem e tinha como virtude sobretudo a mobilidade para atacar os espaços. Jogava como centroavante e era quem terminava as jogadas de um time que controlava o jogo do início ao fim. Era muito inteligente para se antecipar de cabeça, ou no mano a mano, tinha agilidade, oportunismo e faro de gol. É um jogador que depende muito da confiança e isso só se recupera com gols — recorda o jornalista Martín Blotto, do Diário Olé.
Após passagem apagada pela Espanha, depois de defender o Villarreal, o jogador viveu a fase mais goleadora da carreira no River Plate, de 2017 a 2021. O auge foi em 2020, quando marcou 18 gols em 31 jogos, superando em dois gols a melhor marca dos tempos de Deportivo Cali, na Colômbia.
Reencontro com o Bahia
Obviamente, não está entre os fatores que motivam a aposta colorada, mas foi contra o time de Rogério Ceni, adversário deste fim de semana, que o colombiano marcou um dos gols mais importantes de 2025, adiando a chegada da crise ao Beira-Rio.
No dia 28 de maio, o Inter de Roger Machado perdia para o Bahia em casa, o que causaria uma eliminação na fase de grupos da Libertadores. Alcançou o empate com Vitinho e, aos 32 minutos do segundo tempo, promoveu a virada em uma cabeçada de Borré, aparando cruzamento de Wesley pela esquerda, como manda a cartilha do centroavante.
Semelhante ao que se viu cinco meses atrás, um eventual triunfo sobre os baianos pode representar um alívio momentâneo ao Inter — desta vez, na luta contra o rebaixamento no Brasileirão. E, se o gol salvador vier dos pés ou da cabeça de Borré, estará evitada também a turbulência na vida de quem mais aposta no colombiano neste momento.
— É um cara internacional. Em todo o time que estivemos o tentamos levar. Às vezes, o goleador passa por fases — explicou Emiliano Díaz na única vez em que colocou o atleta no banco de reservas, contra o Botafogo.
Relembre os gols de Borré em 2025:
41 jogos (27 como titular)
Oito gols e três assistências
- 25/1: Inter 2x0 Juventude (Gauchão) - dois gols
- 6/4: Inter 3x0 Cruzeiro (Brasileirão)
- 26/4: Inter 3x1 Juventude (Brasileirão)
- 28/5: Inter 2x1 Bahia (Libertadores)
- 23/7: Santos 1x2 Inter (Brasileirão)
- 17/8: Inter 1x3 Flamengo (Brasileirão)
- 19/10: Inter 2x0 Sport
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