
O mais polêmico Brasileirão da história pode ganhar novos capítulos 20 anos depois de encerrado. Presidente do Inter em 2005, Fernando Carvalho explicou, nesta segunda-feira (13), no programa Bola nas Costas, da Rádio Atlântida, o processo do clube para ser reconhecido como campeão daquele ano. Segundo ele, será uma ação administrativa na CBF, sem envolver a Justiça e sem retirar o título do Corinthians.
A ideia, de sua parte, surgiu após assistir ao documentário sobre a Máfia do Apito, do SporTV, em que o ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho afirma ter mudado o campeão brasileiro. Ele disse ter ligado para o presidente do Inter, Alessandro Barcellos, para sugerir a revisão do campeão.
Foi no mesmo período em que conselheiro Leonardo Aquino ingressou com um pedido junto ao Conselho Deliberativo no mesmo sentido.
O departamento jurídico, com o advogado Daniel Cravo de Souza, também entrou em ação. Houve uma união das diversas correntes políticas do clube em busca do reconhecimento.
— Nossos argumentos estão na esteira dos fatos novos surgidos agora. O Inter entende que seria bom para o esporte brasileiro que fôssemos reconhecidos campeões daquela época junto ao Corinthians. Não queremos tirar o título do Corinthians, apesar das declarações do presidente — declarou Carvalho.
Sem interferência
O ex-presidente refere-se a um áudio obtido pela Polícia Federal do ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib, em que ele lembra que "nos últimos cinco jogos, nós tínhamos 14 pontos na frente e chegamos, entendeu, um ponto só. Roubado" ao se referir ao pênalti não marcado em Tinga no confronto direto entre Inter e Corinthians.
Dualib falou também que "se não tivesse a anulação de 11 jogos, nós estávamos fora. Porque campeão de fato e de direito seria o Internacional". Apesar dessas declarações e do lance em questão, o pênalti em Tinga não é levado em consideração na ação atual do Inter para buscar o reconhecimento do título de 2005. Nem as frases do ex-presidente corintiano.
— Procuramos documentação, entrevistas da época. Edilson externou que não interveio nos jogos anulados do Corinthians (contra Santos e São Paulo) nem na partida do Inter (contra o Coritiba) — contou Carvalho, e reforçou:
— A partir disso, pesquisamos e nossa tese na época, inclusive debati com Zveiter na época é de que só poderia anular os jogos se fosse comprovada a interferência indevida. Foi formada uma comissão e quatro dias depois foi desfeita sem atuar. Depois disso houve a decisão de que todos os jogos deveriam ser anulados. Um argumento contrário à lei.
Sem mudanças nos resultados
O ex-presidente lembra dos jogos da Série B, apitados por Paulo José Danelon — que também estava no esquema de manipulação —, e outros casos em que o resultado de campo foi mantido.
— Procuramos outros esportes, e todos são imutáveis com resultados de campo, como no basquete e no atletismo. Vanderlei Cordeiro de Lima era o líder da maratona (na Olimpíada de 2004) quando foi abalroado por alguém da plateia. Ele foi ultrapassado e ficou em terceiro lugar. O resultado mantido mesmo com a visível influência externa. Jogos na Itália e na Alemanha não foram anulados, só os envolvidos foram punidos — enfatizou.
Novos ares na CBF
A entrevista de Edilson e a mudança da CBF são alguns dos argumentos do Inter para pleitear o troféu. O novo presidente da entidade, Samir Xaud, tem buscado uma modernização da entidade, com a atualização do calendário, o debate sobre fair play financeiro, a autorização das ligas, entre outros.
Recentemente, a CBF reconheceu o Atlético-MG como campeão brasileiro de 1937. Também considerou campeões nacionais os vencedores das Taças Brasil e dos campeonatos Roberto Gomes Pedrosa de antes de 1971, mesmo que em alguns desses anos mais de um time tenha sido declarado campeão.
A curiosidade é que, em 2005, o colorado Leandro Konrad entrou na Justiça e conseguiu uma liminar que impedia que o Corinthians fosse declarado campeão. O Inter foi pressionado pela CBF a retirar a ação sob pena de uma punição pesada. Carvalho lembrou da situação.
— Esse tema é o que menos gosto de falar. Foi um momento de muita apreensão, porque o Fortaleza, que seria o próximo clube a entrar na Sul-Americana, entrou no STJD pedindo que o Inter fosse rebaixado por ter entrado na Justiça Comum antes de esgotar todas as esferas — disse e completou:
— Com o Inter rebaixado, haveria um efeito cascata e eles teriam uma vaga. E brigar com o STJD àquela altura não seria bom. Tivemos de dissuadir os torcedores para que não andasse a ação porque precisaríamos de liminar na Conmebol, na Fifa. Não queríamos abrir mão da Libertadores, era nosso sonho.
O Inter conquistou a Libertadores e, posteriormente, o Mundial em 2006.
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