
Há um problema claro no Inter. O meio-campo parou de funcionar. Seja pelo casamento da dupla de volantes Thiago Maia e Bruno Henrique ou pela falta de efetividade do trio que vem logo à frente, Carbonero, Alan Patrick e Wesley, a equipe perdeu intensidade, força e dinamismo.
E, sem isso, não há esquema, modelo ou estratégia que funcione. Roger Machado mesmo reconheceu. O técnico disse, na entrevista coletiva após a derrota para o Fluminense, que pensa em mudar o time.
— Precisamos de uma mobilidade maior, uma troca de posições maior, uma retenção de bola maior na frente. Nós estamos com dificuldade em reter essa bola nas costas da linha muitas vezes — ponderou e prosseguiu:
— Estamos em desvantagem em duelos individuais das posições. Isso faz com que você fique pouco com a bola ou cuide menos e devolva a bola numa condição do adversário poder te contra-atacar. Vamos corrigir.
Não estamos contentes com o que estamos vendo. Se for necessário colocar gente diferente no campo para que essa melhora aconteça, isso vai acontecer.
ROGER MACHADO
Sobre as atuações do Inter
As opções
E para isso, o treinador não descartou alterar a escalação. As chegadas de Richard e Alan Rodríguez aumentam o número de opções, assim como o retorno de Ronaldo. E ainda tem Luis Otávio, que vinha entrando nas partidas anteriores, mas não foi chamado por Roger contra o Flu.
— Não estamos contentes com o que estamos vendo. Se for necessário colocar gente diferente no campo para que essa melhora aconteça, isso vai acontecer — resumiu.
Ana Thais Matos, comentarista da Globo na partida de quarta-feira (30), frisou:
— Embora Fernando faça muita falta, Roger precisa arrumar o meio-campo. A volta dos lesionados pode ajudar, porque o Inter precisa aumentar a intensidade e diminuir os erros.
Problema que aumentou
O analista tático do Grupo RBS Cristiano Munari lembra que a dificuldade no meio-campo vem de antes da lesão do Fernando. Com o camisa 5 em campo o Inter sofreu sete gols de Corinthians e Atlético Nacional em dois jogos, por exemplo.
Claro que a perda do jogador aumentou o problema, que passa pela falta de um segundo volante que saiba jogar e tenha capacidade para marcar, mas também de um melhor funcionamento coletivo.
— Faltam ao Inter melhores mecanismos para atacar adversários fechados e também para conter as transições dos rivais quando a pressão alta não surte efeito. Roger não vai conseguir resolver isso apenas com trocas de nomes, vai precisar fazer mudanças de posicionamento — comentou e apontou caminhos:
— A entrada de Tabata para fazer companhia a Alan Patrick pode ajudar na armação. Defensivamente, será necessário ajustar o posicionamento. Buscar outro sistema tático pode ser um caminho.
Por mais que tenha jogo no domingo (3) à noite, contra o São Paulo, pelo Brasileirão é possível que Roger use a semana toda para preparar a equipe para o jogo da volta da Copa do Brasil. Serão cinco dias para ajustar o time e buscar uma inédita reviravolta na história do clube.
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