
Não é fácil, mas já ocorreu. Só duas vezes, é verdade. Porém, se alguém fez, é possível repetir. Em 2025, dois times enfrentaram o Flamengo e deixaram o Maracanã comemorando uma vitória. As façanhas de Central Cordoba e Atlético-MG inspiram o Inter a conseguir uma vitória na abertura das oitavas de final da Libertadores, às 21h30min desta quarta-feira (13). Foram estratégias diferentes e, de certa forma, complementares, que Roger Machado terá de unir para abrir a disputa em vantagem.
O primeiro a conseguir o feito foi o Central Cordoba. Era 9 de abril, segunda rodada da Libertadores. No Maracanã lotado, o time argentino abriu 2 a 0 no primeiro tempo, levou um gol de De La Cruz aos 15 do segundo, aguentou a pressão, soube resistir e comemorou um feito histórico.
Passados quatro meses da epopeia, o presidente do Central Cordoba, Jose Alfano, ainda tem dúvidas sobre o que se passou aquela noite. Para ele, mesmo já com um pequeno distanciamento histórico, é difícil achar uma explicação racional.
— O futebol tem essas situações que não encontram lógica. Ganhar no Maracanã, o estádio mítico da Seleção cinco vezes campeã? Foi uma façanha que coloco na conta da fome de glória dos jogadores. Fizemos os gols e conseguimos sustentar com muita dedicação. Antes do jogo, estávamos em silêncio, nervosos, só queríamos fazer um bom papel. E olha o que aconteceu — diz.
Sobre o Inter, porém, tem uma visão diferente daquela de seu clube. Os tamanhos das instituições pesam:
— O Inter é uma grande equipe, tem muitos bons jogadores. Joga de igual para igual contra qualquer um.
Vitória do Galo
O outro time a vencer o Flamengo no Maracanã em 2025 foi o Atlético-MG. E nem faz tanto tempo assim. Há duas semanas, pela Copa do Brasil, o Galo foi ao Rio e ganhou por 1 a 0. A vitória foi importante, mas não definitiva. Prova disso é que o Flamengo repetiu o placar na Arena do Galo, mas os donos da casa levaram a melhor nos pênaltis.
O Flamengo até tirou alguns titulares do início, Filipe Luis foi incluindo as peças aos poucos. Cuca, técnico do Atlético-MG, lembrou uma situação que ocorrerá novamente agora. Os dois times se enfrentaram três vezes em 10 dias, em razão de uma partida do Brasileirão no meio dos confrontos da Copa do Brasil. No caso do Inter, são três jogos em sete dias, por Brasileirão e Libertadores.
— Quando se enfrenta três vezes contra o mesmo adversário em dez dias, existem estudos. Se fizer a mesma coisa, vai ser uma presa previsível. Então mudamos algumas peças e jogamos no máximo — analisou o treinador.
Taticamente, o Atlético-MG usou uma estratégia que talvez precise ser reprisada pelo Inter. A qualidade de Léo Pereira e, mais ainda, Léo Ortiz, dão à saída de bola terá de ser contida:
— Tínhamos que tirar a saída de jogo dos zagueiros do Flamengo, que estavam nos machucando. Não adianta você passar a linha o tempo todo — explicou Cuca.
Na partida do Rio, o Atlético-MG fez uma mudança de comportamento no segundo tempo que confundiu o Flamengo. Mesmo que não tenha mexido em peças, apenas uma nova estratégia ajudou a vencer.
— O Atlético voltou com uma postura mais agressiva. Tratou de adiantar as linhas, subir a marcação nas saídas de bola do Flamengo e ficou mais com a posse. Ajustou bem os encaixes — analisa André Ribas, do ge.globo de Minas Gerais.
E foi assim, forçando um erro de saída de bola, que chegou ao gol da vitória. Depois, teve resiliência para suportar a pressão (e contar com a sorte de uma bola no travessão e de um gol em impedimento) para vencer.
As lições, portanto, estão aí. É possível vencer o Flamengo no Rio. Mas, para isso, é preciso ter muita aplicação tática, entrega do início ao fim, dedicação a todas as funções e excelente aproveitamento das chances que forem criadas. E, se possível, ter um pouco a mais da sorte que acompanham os vencedores.
Quer receber as notícias mais importantes do Colorado? Clique aqui e se inscreva na newsletter do Inter.





