
A lesão de Fernando e a suspensão de Ronaldo obrigarão o Inter a encontrar um novo camisa 5 para reiniciar o Brasileirão neste sábado (12), diante do Vitória. Sem ter ganho nenhum reforço para a posição no período de intertemporada, os olhos de Roger Machado se voltaram para o vestiário e encontraram Thiago Maia.
A solução interna não chega a ser uma novidade. O treinador repete a estratégia utilizada no primeiro tempo contra o Fluminense, quando o camisa 29 foi chamado do banco de reservas para substituir um Fernando que — se saberia depois —, deixava o gramado com o ligamento cruzado posterior do joelho direito rompido e previsão de retorno somente em novembro.
As outras alternativas do elenco seriam Luis Otávio, de apenas 18 anos, recém emergido do time sub-20, ou Diego Rosa, 22 anos, que atua na segunda função. Por isso, a opção mais viável foi convidar Thiago Maia a um retorno às origens.
— Ele é primeiro (volante), na verdade. Quem inventou ele de segundo, fui eu. Outro dia, botei em uma destas atividades como volante e ele tem muita qualidade para sair de trás. Tem muita lucidez. Gostei. "Quem me inventou de oito foi tu", ele me disse. Temos pouco mistério a fazer, porque temos poucos jogadores à disposição — sentenciou o treinador colorado em entrevista exclusiva para Zero Hora.
Menino da Vila

Natural de Boa Vista, em Roraima, Thiago Maia Alencar surgiu no Santos em 2014. Com apenas 17 anos, foi lançado por Enderson Moreira com o cartaz de ser versátil e ter passado por seleções de base.
— É um jogador que tem um entendimento tático muito bom e se enquadra em vários modelos de jogo. Ele subiu do sub-17 direto para o profissional jogando em uma função como volante pelo lado esquerdo em um losango. Mesmo com dois volantes, dei liberdade a ele porque tem uma facilidade de estourar na frente — avaliou Aarão Alves, que atualmente trabalha como assessor de investimentos, mas comandou o jogador na base santista, que complementa:
— Algumas vezes, segurei ele como antigo cabeça de área, abrindo os zagueiros e espetando os laterais. Você perde um jogador que vai chegar na frente, mas vai ganhar um jogador que tem potencial de marcação e proteção à zaga bem interessante
O volante permaneceu na Vila Belmiro por quatro temporadas, vivendo o ápice sob o comando de Dorival Júnior. Escalado ao lado do experiente Renato, fez parte de um time que ainda tinha Gabigol, Lucas Lima e Ricardo Oliveira e foi vice-campeão da Copa do Brasil 2015, sendo derrotado pelo Palmeiras na final.
Ouro no Rio

A largada no litoral paulista o levou à Seleção Brasileira que conquistou a, até então, inédita medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Se é verdade que perdeu a vaga de titular ao longo da campanha, a saída do time não se deu por insuficiência técnica.
Maia foi titular nas duas primeiras rodadas, nos empates em 0 a 0 com África do Sul e Iraque, abrindo um meio-campo que tinha Renato Augusto e Felipe Anderson posicionados à sua frente. Deixou o time por suspensão, sendo substituído por Walace. O ex-Grêmio ganhou a vaga na goleada de 4 a 0 sobre a Dinamarca, que abriu os caminhos até a final contra a Alemanha.
— Pedi desculpas ao Thiago Maia. Não tenho como colocar 12 jogadores em campo. Como treinador, a gente sente por tirar um dos destaques do time. Felizmente, esse grupo é fantástico e os jogadores entenderam que temos um objetivo maior. Mas conto com o Thiago. Ele sabe disso. Só optei por manter a equipe para não mudar os conceitos do que fizemos bem — justificou o treinador Rogério Micale na ocasião.
Conquistas rubro-negras

Não demorou para que chamasse a atenção do Lille, da França, para onde se transferiu em 2017. Sem repetir o mesmo sucesso na Europa, voltou ao Brasil em 2020, disposto a brilhar pelo Flamengo — mas o início foi acidentado.
Após passar pelas mãos de Jorge Jesus, Domènec Torrent, Rogério Ceni e Renato Portaluppi, superando também uma grave lesão ligamentar no joelho esquerdo, reencontrou Dorival Júnior para ganhar os holofotes outra vez.
Com o velho comandante dos tempos de Vila Belmiro, virou titular na primeira função de um meio-campo em losango, atuando por trás de João Gomes, Éverton Ribeiro e Arrascaeta. Assim, conquistou a Copa do Brasil e a Libertadores de 2022.
— Lembro que o João Gomes dava mais combate, era cão de caça, e o Thiago, por ter mais qualidade técnica, saía e se aproximava dos homens de frente. Ele se completou com o João Gomes e deu equilíbrio ao meio-campo para, principalmente, dar liberdade para que Arrascaeta e Éverton Ribeiro se movimentassem e jogassem uma barbaridade — recorda Carlos Eduardo Éboli, comentarista das Rádios Globo e CBN e SporTV.
No Inter de Roger, Thiago Maia atuará ao lado de Bruno Henrique. Canhoto, partirá do lado esquerdo para cobrir as subidas do lateral ou buscar a bola entre os zagueiros. Acima de tudo, aos 28 anos de idade, terá a chance de reviver a função que lhe conduziu aos grandes feitos da carreira.
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