
Roger Machado completa, nesta sexta-feira (18), um ano à frente do Inter. Contratado em 18 de julho de 2024, o treinador é o sétimo a cumprir 365 dias seguidos de trabalho no clube no século. Uma marca relevante para um profissional que teve de vencer a desconfiança e liderou um processo de recuperação do futebol. Agora, o desafio é dar o salto de qualidade com uma conquista fora dos limites do Estado.
A chegada de Roger foi recheada de polêmicas. Ele era o técnico do Juventude, adversário do Inter na Copa do Brasil, quando surgiu o interesse. Ainda assim, treinou o time da Serra e desclassificou os colorados ao vencer no Beira-Rio e empatar no Alfredo Jaconi. Além disso, carregava a marca de ter sido jogador do Grêmio por quase toda a carreira e depois ter comandado os tricolores em duas oportunidades.
Seu começo também foi complicado. Estreou contra o Botafogo, fora de casa, com derrota, e depois foi eliminado da Copa Sul-Americana para o Rosario Central, ao ficar no empate no Beira-Rio. Emendou empates, aliás, até vencer o Juventude e perder para o Atlético-GO.
A situação estava complicada até uma nova igualdade, considerada pelo técnico como a mudança de chave. O 0 a 0 com o Cruzeiro, no Mineirão, tendo um jogador a mais foi a senha para uma sequência histórica. Foram 16 jogos de invencibilidade, um recorde no clube no Brasileirão de pontos corridos.
A consequência disso foi a classificação para a fase de grupos da Libertadores 2025. Mas o desafio do ano era maior. E já teria início nos primeiros meses.
Coube a Roger impedir que o Grêmio igualasse o octacampeonato gaúcho do Inter, obtido entre 1969 e 1976. E assim foi: com uma campanha invicta, os colorados voltaram a ser campeões estaduais após oito anos. Sua comemoração no título quebrou as últimas barreiras que tinha com colorados (ainda que possa ter gerado descontentamento em gremistas).
Nas demais competições do ano, há objetivos atingidos em duas e uma busca por retomada em outra. Na Libertadores e na Copa do Brasil, o Inter avançou às oitavas de final. No Brasileirão, patinou e agora está em 14º lugar, com 14 pontos. Tenta, contra o Ceará, entrar ao menos na zona da Copa Sul-Americana.
Três anos em um
Em entrevista recente a ZH, o técnico analisou esse tempo à frente do time do Inter. A intensidade do período o fez perder a noção do tempo.
— É um ano, mas parece que vivi três anos. O futebol é de uma velocidade, de uma energia tão grandes, que parece que é muito mais do que tu viveu. Ao mesmo tempo, para o futebol brasileiro, é muito tempo. Lá no começo, em função da minha trajetória toda envolvendo o Grêmio, sempre soube que alguns compreenderiam, outros nem tantos. Mas nunca tive dúvida da forma que seria recebido pela torcida do Inter — disse o treinador.
Por tudo isso, afirma não se arrepender da escolha. Em um Estado dividido como o Rio Grande do Sul, trocar de lado assim pode causar traumas.
— Como profissional, a decisão foi muito importante para minhas projeções e minhas ambições pessoais de treinador. Se desejo me considerar um profissional do mundo, preciso estar aberto a experiências. E lidar com toda essa pressão. Entender como vou assimilar isso emocionalmente, preciso me manter equilibrado. É isso o que forma um profissional. Para o desenvolvimento da carreira, tenho certeza que acertei nesse movimento que fiz — finaliza.
Roger completa um ano com 60% de aproveitamento e um título, o do Gauchão. O desafio, agora, é chegar a uma conquista nacional ou internacional. Um troféu assim resolveria a urgência colorada, e também a do treinador, que chega a uma década na função.
Outros treinadores que completaram um ano no Inter
- Zé Mário (2000-01)
- Muricy Ramalho (2004-05)
- Abel Braga (2006-07)
- Tite (2008-09)
- Odair Hellmann (2017-2019)
- Mano Menezes (2022-2023)
Roger Machado no Inter
- 60 jogos
- 30 vitórias
- 18 empates
- 12 derrotas
- 95 gols marcados
- 60 gols sofridos
- 60% de aproveitamento
- 1 título (Gauchão 2025)
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