
Desde os primeiros anos de vida, Enzo Bizzotto Costa tem no pai a sua principal inspiração. Um trágico acidente em 7 de junho de 2014 o impediu de seguir ao lado do ídolo, que não pôde acompanhar os seus primeiros passos no futebol. Mesmo assim, não foi um problema para o jovem volante de 22 anos seguir o legado de um dos maiores jogadores da história do Inter: Fernandão.
Com 11 anos, Enzo não conseguiu se despedir do pai, que morreu em um acidente de helicóptero. Onze anos depois, ele vive um novo momento na carreira, de longe o melhor. Em Goiás, Estado de origem de Fernandão, o jovem é destaque da Aparecidense, que tem a melhor campanha da Série D do Campeonato Brasileiro.
As boas atuações atraíram olhares do Vila Nova, equipe que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro e busca o acesso à primeira divisão. Ele assinou um pré-contrato com o time para 2026, com duração de duas temporadas.
Distante do Rio Grande do Sul, Enzo vê a pressão por ser filho do ídolo colorado diminuir e o seu futebol crescer. Mais maduro, ele sonha com a Seleção Brasileira e não descarta um retorno ao Inter no futuro.
A nova fase de Enzo
No Inter, Enzo esteve desde a categoria sub-11 até o sub-20. Por anos, foi tratado como uma joia, jogando como centroavante. Em 2024, quando jogou a Copa São Paulo de Futebol Júnior como capitão do clube, o jogador foi recuado para volante.
Foram quatro jogos: duas vitórias e duas derrotas. Ele revelou que já esperava ser negociado após a competição.
— O Inter começou a contratar muito, bem na época da Copinha. Então, eu já sabia desde o início da competição que era muito difícil ficar e já fui meio que preparado para jogar a Copinha e buscar algum lugar por meio do meu desempenho — revelou Enzo, que disputou a competição ao lado de jogadores como Gabriel Carvalho, Gustavo Prado e Ricardo Mathias.

Esse lugar foi Aparecida, em Goiás, a cidade da Aparecidense, que estava na Série C em 2024. Deixar o Inter para jogar por um clube de divisões inferiores foi um choque de realidade para Enzo.
Mesmo assim, ele conseguiu se firmar na equipe, principalmente em 2025, quando passou a ser um dos destaques do clube. Em 28 jogos foram dois gols e uma assistência.
— A gente tem um pouco de choque de realidade, questão de estrutura, essas coisas, mas as pessoas aqui me trataram tão bem. As pessoas são tão boas de trabalhar aqui, então para mim tem sido muito bom — disse o jogador, que possui vínculo com a Aparecidense até o fim de 2025.
O clube goiano terminou a etapa classificatória da Série D na liderança do Grupo E. Na próxima fase, que é mata-mata, enfrentará o Maricá. Na Copa do Brasil, o time caiu na terceira fase para o Fluminense.
Uma nova posição

Apesar de ter feito boa parte das categorias de base como centroavante, Enzo revelou que não era a posição que mais se sentia à vontade dentro de campo. Ele acredita que se tivesse sido testado antes como volante, teria facilitado o processo de profissionalização.
— Desde quando eu entrei no Inter, eu era centroavante. Não sei se era algum medo de trocar de posição, até pela pressão, ou se era para manter mesmo, porque trocar em fase final da base é meio difícil — disse Enzo, que ainda completou:
— Acredito que se eu tivesse virado volante antes, meio-campista, teria facilitado algumas coisas. Eu cheguei no profissional como volante e tinha uma competição, apenas quatro jogos de volante, que foram os quatro jogos da Copinha. Então, isso foi difícil, tive que me adaptar muito aqui no profissional.
Comparações com o pai
Filho do principal ídolo da torcida colorada, Enzo teve de se acostumar desde cedo com as comparações com o pai. Por mais que a intenção não fosse pressionar o jovem, ele reconhece que sentiu a pressão em alguns momentos.
— São pessoas diferentes. Eu sempre soube que ia ter comparação. Desde muito cedo as pessoas, tanto da minha família quanto as pessoas do Inter, também me ajudaram muito em relação a isso. Acredito que se não tivesse essa, entre aspas, pressão, esse nome por trás, talvez eu pudesse ter virado volante antes, não sei — conta o jogador.

O volante ainda relembra com carinho do pouco contato que teve com o pai nos gramados. Ele cita um ensinamento que o marcou quando criança.
— Ele odiava que eu ficava com a mão na cintura durante o jogo, essas coisas assim, mais de postura. Então, ele me ensinava bastante para não parecer meio largado. Não parecer desinteressado, porque passava uma imagem muito feia pra quem estava assistindo — conta Enzo, em tom bem-humorado.
Por fim, o jovem reforça que a pressão acaba por ser menor na Aparecidense, já que não se trata de um local em que o pai foi ídolo. No clube goiano, ele tem maior liberdade para ser o Enzo, deixando o filho do Fernandão em segundo plano.
— Aqui as pessoas conhecem mais o Enzo do que o filho do Fernandão. Eu nunca tive problema com isso, mas eu sou o Enzo, não sou o Fernandão. Não sou ninguém além do Enzo, então é mais fácil para eu ser eu mesmo — comentou ao lembrar com orgulho do pai, descrito por ele como a sua maior inspiração.
Planos para o futuro

Com contrato até o fim de 2025, Enzo conta que prefere ser o último a saber sobre possíveis propostas. Ele explica que isso o ajuda a focar mais na equipe que defende, no caso a Aparecidense. Para este ano, o principal objetivo do jovem é a ajudar no acesso à Série C. Em 2026, Enzo defenderá o Vila Nova, clube que assinou um pré-contrato por duas temporadas.
Pensando no futuro, ele não nega que sonha em defender a Seleção Brasileira, assim como um clube de destaque na Europa. Sobre um possível retorno ao Inter, Enzo diz que seria um sonho, mas mantém cautela sobre o assunto.
— Lógico que é um sonho desde criança. Eu fiquei 10 anos na base do Inter, vivi dentro do vestiário do Beira-Rio. Então, eu conheço muita gente, conheço muita gente na cidade, muitos amigos colorados. Eu tenho certeza que seria uma realização de um sonho não só meu, mas de todas as pessoas que me cercam — revelou o volante, que tem em Fernando uma das principais referências na posição.
Se vai ser no Inter ou não, Enzo quer seguir o bom momento no futebol e mantém os pés no chão quanto aos próximos passos. Afinal, antes de manter o legado do pai, o jovem busca construir a sua própria trajetória.
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