
Neste mês de julho, Roger Machado completa um ano à frente do Inter. Nesse período, conseguiu colocar o time na Libertadores nos primeiros meses. Em 2025, ajudou a classificar na fase de grupos da competição continental e a chegar às oitavas da Copa do Brasil. No Brasileirão, patina. Mas o principal foi ter sido campeão gaúcho e encerrar um período de secas, além de impedir o octa do Grêmio.
— É um ano, mas parece que vivi três anos. O futebol é de uma velocidade, de uma energia tão grandes, que parece que é muito mais que tu viveu. Ao mesmo tempo, para o futebol brasileiro, é muito tempo. Lá no começo, em função da minha trajetória toda envolvendo o Grêmio, sempre soube que alguns compreenderiam, outros nem tantos. Mas nunca tive dúvida da forma que seria recebido pela torcida do Inter. Foi um acerto na minha carreira — resume o treinador.
Segundo ele, o capítulo rivalidade tem sido superado. Torcedores que o abordam, afirma, conversam respeitosamente, pedem foto e dizem admirá-lo por como leva essa dualidade entre Inter e Grêmio. Questão pessoal resolvida, ele repete estar certo de ter feito uma boa escolha:
— Como profissional, a decisão foi muito importante para minhas projeções e minhas ambições pessoais de treinador. Se desejo me considerar um profissional do mundo, preciso estar aberto a experiências. E lidar com toda essa pressão. Entender como vou assimilar isso emocionalmente, preciso me manter equilibrado. É isso o que forma um profissional. Para o desenvolvimento da carreira, tenho certeza que acertei nesse movimento que fiz.
Técnico e psicólogo
Sobre o trabalho em si, Roger contou uma história envolvendo seu auxiliar, Roberto Ribas:
— Um dia ele me disse: "Roger, eu vou te denunciar no Conselho Regional de Psicologia. Tu estás exercendo a profissão irregularmente". Falei que não tinha entendido, e ele explicou: "É que um dia os jogadores entram felizes na tua sala para conversar e saem chateados, no outro dia entram chateados e saem felizes".
O técnico colorado respondeu:
— "Roberto, se todo o trabalho fosse escalar e dar treino, eu cobraria 30% do salário" (risos). A questão é que nós lidamos com gente. O atleta não chega com a mochila dos problemas e tira para trabalhar, depois coloca de novo. Ele carrega tudo. Às vezes, a tática interfere na gestão e, às vezes, a gestão interfere na tática. Então, é mais complexo do que se imagina, porque são 30 profissionais de idades diferentes, expectativas diferentes, desejos e velocidade diferentes.
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