
O futebol se joga com os pés, mas, por vezes, a vontade se reflete na movimentação dos braços. Ninguém mexeu mais os braços na classificação do Inter às oitavas de final da Libertadores do que Rafael Santos Borré, nem mesmo Anthoni.
Sobre o colombiano recaiu o grande mistério de Roger Machado para a partida diante do Bahia, nesta quarta-feira (28). Ele não só apareceu na escalação como marcou o gol da vitória por 2 a 1 no Beira-Rio.
A atuação foi o desfecho de um drama iniciado no domingo (25). Com gols recentes e moral com a torcida, Ricardo Mathias sofreu lesão muscular contra o Sport. Não havia um possível substituto capaz de animar os colorados para ocupar a "centroavância" do time. A melhor hipótese era Borré voltar ao time após um mês lesionado.
Sobravam dúvidas. O centroavante seria titular ou reserva? Voltaria melhor ou igualmente mal como quando sofreu problema muscular? Conseguiria marcar gol em uma noite decisiva para o futuro do clube?
— A conversa nem aconteceu (sobre jogar). Conhecendo o atleta, eu sabia que ele se colocaria à disposição. Além do caráter, a capacidade física dele é excelente — explicou Roger,
As respostas para as perguntas foram "titular", "muito melhor" e "sim". Respostas que o fizeram sair de campo aplaudido de pé pela torcida ao ser substituído. Todos do banco de reservas o cumprimentaram.
Uma atuação intensa

Nos longos acréscimos, Borré brincou ao lado de Bernabei e Romero. A noite era sua. Quando, enfim, o apitou final trilou, se virou para a torcida e vibrou. Entrou em campo para afagar os adversários e comemorar com os colegas.
Tornou-se personagem antes mesmo de tocar na bola. Ao quatro minutos, protestou pênalti. Nada marcado. Aos 25, girou e arrematou para fora. Na primeira oportunidade que teve, saudou Wesley pela assistência.
Com os braços, protestou bola perdida por Bruno Henrique. Quando errou lançamento para Wesley, escondeu o rosto sob a encharcada camisa vermelha. Em lances fora do seu centro de ação, sempre sinalizava com os braços, se apresentava para o jogo pedindo o passe improvável.

No primeiro lance do segundo tempo, Marcos Felipe salvou o seu chute. Na prática, apenas adiou a alegria de Borré. A jogada inflamou a torcida e nem a grossa cortina de chuva que caia no Beira-Rio foi capaz de apagá-la. Nem o gol do Bahia.
Antes do recomeço da partida, atirou a bola com força contra o chão. Irritação máxima. Gesticulou em direção ao telão em protesto contra uma irregularidade hipotética.
Regente da festa colorada
Quando, no lance seguinte, Vitinho igualou o placar, comemorou flexionando os braços de forma alucinada como se quisesse acabar o quanto antes com um treino de bíceps. Quando o gol foi validado, regeu pela primeira vez a festa da torcida. Não seria a única.
Então, com um tempo de bola invejável, virou o placar de cabeça no minuto 79 da partida — contando os acréscimos do primeiro tempo. Tudo indicava que fisicamente não resistiria a tanto tempo.
— Acho que estou bem. O campo estava pesado. Fizemos um grande trabalho. Foi um grande prêmio. Tenho muita felicidade e muito orgulho (pelo gol) — comemorou.
Resistiu e, mais uma vez, coordenou a festa da torcida com gestos manuais, após ter decidido a partida com os pés e a cabeça. Os 33 mil molhados colorados presentes juram que nunca criticaram Rafael Santos Borré.
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