
O Inter estreou no Brasileirão com empate em 1 a 1 com o Flamengo, tido como o principal favorito ao título.
A partida foi marcada por uma mudança tática de Roger Machado que funcionou para parar o time de Filipe Luís. O Desenho Tático de Zero Hora explica como funcionou a equipe colorada com a alteração do treinador.
Escalações
Roger optou por devolver ao time titular Rochet, Borré e Wesley, que ficaram fora da equipe nas finais do Gauchão. No Flamengo, Filipe Luís não pôde contar com Gerson e Arrascaeta, ambos lesionados, mas teve o retorno de Bruno Henrique.
Com quase toda a equipe considerada ideal — a exceção foi a ausência de Victor Gabriel, lesionado —, Roger optou por mexer taticamente no Inter. Fernando iniciou o jogo posicionado entre os zagueiros.
Assim, a defesa teve uma linha de cinco. À frente dela, Vitinho e Wesley recuaram para formar uma linha de três com Bruno Henrique. Alan Patrick ficou adiantado com Borré. O Inter estava montado em um 5-3-2.
Já o Flamengo partia de um 4-2-3-1 com Bruno Henrique por trás de Juninho, Luiz Araújo saia do lado direito, dando o lado para as subidas de Wesley. No outro lado, Michael seguia aberto, com Alex Sandro participando do jogo mais por dentro.

A ideia de linha de cinco de Roger já havia sido usada em momentos do segundo tempo da partida contra o Flamengo no Maracanã, no Brasileirão do ano passado. Naquela ocasião, os Rubro-Negros venceram por 3 a 2, mas chegaram a abrir 3 a 0 na primeira etapa. O Inter fez seus gols depois das mudanças.
A ideia de ter uma linha de cinco visou conter a forma de atacar do Flamengo, que sempre tem dois homens abertos na amplitude, mas é muito forte também para pressionar a defesa nos espaços internos. Mesmo com Bruno Henrique se aproximando de Juninho, o Inter tinha vantagem numérica com Fernando, Vitão e Juninho contra a dupla. Vitinho e Wesley ajudaram o volante Bruno Henrique a fechar os espaços por dentro.
O Inter abriu o placar em seu primeiro ataque perigoso, aos 33 minutos, com Bruno Henrique após cruzamento de Bernabei. O Flamengo teve volume, uma posse de bola de quase 60%, mas finalizou apenas seis vezes ao longo dos primeiros 45 minutos. Duas delas foram no gol em boas defesas de Rochet.
Mudanças no segundo tempo
Lesionado, Rochet foi substituído por Anthoni. No Flamengo, Filipe Luís manteve os mesmos 11, mas mexeu no posicionamento da equipe. Michael saiu do lado e passou a atacar mais por dentro com o corredor esquerdo sendo ocupado por Alex Sandro. De La Cruz também ganhou maior liberdade.
As mexidas surtiram efeito e o Flamengo iniciou o segundo tempo de forma avassaladora. Léo Pereira empatou após cobrança de escanteio, aos 8, e a pressão carioca seguiu. Juninho acertou a trave em lance no qual saiu cara a cara com Anthoni após um lançamento primoroso de Léo Ortiz.
O Flamengo passou a obter vantagens pela faixa central com Michael, Luiz Araújo e De la Cruz atacando as costas dos meio-campistas colorados. Bruno Henrique ficou ainda mais próximo de Juninho no ataque.
Plata e Everton Cebolinha entraram por Luiz Araújo e Michael aos 11 tornando o Flamengo ainda mais perigoso no chamado meio-espaço, a zona entre laterais e zagueiros colorados.
Roger precisou mexer no Inter. Primeiro, Carbonero e Ronaldo entraram por Vitinho e Bruno Henrique. Valencia ingressou por Borré, mas a mudança que melhorou o Inter veio aos 28 com Thiago Maia na vaga de Wesley.
O volante ajudou o Inter a controlar melhor o meio-campo, dando suporte para Bernabei aparecer mais ao ataque e tirando o time da pressão sofrida pelo Flamengo.

Os números do segundo tempo mostram como o Flamengo conseguiu impor sua superioridade. Foram 13 finalizações, mais que o dobro do primeiro tempo, três delas no alvo, além da bola na trave de Juninho. O Inter finalizou duas vezes na etapa inicial, uma a menos que no primeiro tempo.
O Inter saiu do Maracanã com um ponto valioso e bastante comemorado. Apesar da pressão do Flamengo no segundo tempo, os ajustes de Roger e, principalmente, a estratégia na etapa inicial com a mudança de sistema tático, foram determinantes para o Colorado segurar o considerado melhor time do Brasil.





