
Ajeitei-me na cadeira depois de uma falta de ataque do Inter. Pela sétima vez desde que o juiz apitara o início do que era para ser um jogo de futebol, bocejei. Ali, sentado, comecei a analisar o laço que apertava o cadarço do meu tênis. Foram minutos ali, olhando para baixo, pensando nas voltas, no quê-passava-por-onde para que o laço perfeito fosse criado. Passaram-se minutos assim – talvez cinco, talvez quinze –, esta completa bobagem entretendo a minha mente muito mais do que aquilo que acontecia no gramado do Beira-Rio. Quando me dei conta do que estava acontecendo, concluí o óbvio:
Não há nada mais chato do que ver o Inter jogar.
O esporte que os comandados de Fucks praticam deveria ser enlatado e vendido nas farmácias. Temos a cura da insônia ali, vestindo vermelho, espalhada entre as quatro linhas do campo de jogo. É pior do que filme do Godard, pior do que show do Los Hermanos, pior do que ouvir a Voz do Brasil, pior do que fila do banco em dia cinco, pior do que discutir política no grupo da família no WhatsApp.
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No gramado, nada acontece. A morosidade é total. A bola passeia da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, volta para os volantes, volta para os zagueiros, volta para o goleiro, que joga na esquerda, daí ela vai para a direita, volta nos volantes, vai para a esquerda, outra vez no goleiro... Um vai e vem sem fim. Sem objetividade. Sem profundidade. Sem uma cretina chance verdadeira de gol. Sem um infame ataque perigoso. Sem nenhuma defesa do goleiro adversário. Sem nada que desperte qualquer emoção no torcedor que insiste em acreditar que algo de bom sairá dos pés dos jogadores do Inter.
Em momento nenhum o jogo do Colorado prende a atenção. Seguimos ali, sentados num melancólico domingo à noite, porque insistimos em acreditar no improvável. Com esse grupo, com esse treinador, nada de mais bonito do que este oxo empate com a Chapecoense ocorrerá. Não ficaremos tensos olhando para a tevê, sequer teremos vontade de ficar de pé no Gigante. O esporte que o Inter pratica é pobre, burocrático, morno. Sonolento do minuto um ao minuto noventa.
Para a nossa sorte, ainda acredito que neste Brasileirão há pelo menos uma meia-dúzia de times bastante inferiores à nossa mediocridade. E assim seguiremos, por mais trinta e sete vezes, entre bocejos e devaneios toscos. Entre a indignação de ver o Inter jogar como time pequeno e a resignação de quem sabe que, neste ano, nosso elenco nada de melhor pode oferecer.
Até dezembro eu acho que decobrirei o-que-passa-por-onde para se criar o nó perfeito de cadarço.
*ZHESPORTES

