
NOTA: Este texto é uma continuação de O Bom, o Mau e o Feio.
Alisson jamais será ídolo no Beira-Rio. Não será lembrado entre as grandes conquistas da história do Inter. Será esquecido nas listas de maiores capitães. Terá seu nome ignorado quando enumerarmos, para os nossos descendentes, as maiores defesas que já vimos os nossos arqueiros operarem.
Mesmo quando pensarmos em "grandes goleiros da história colorada", seu nome será nota de rodapé. Será alguma lembrança distante, vaga e confusa de um jogador que tem a imagem muito mais ligada a outros uniformes do que ao nosso. O tempo vai passar e, um dia, nem vai parecer que ele jogou aqui.
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Alisson tem 23 anos. Se seguir trabalhando sério e forte como fez até aqui, poderá jogar mais vinte. Se consolidará como o grande goleiro desta geração da Seleção Brasileira. Terá papel fundamental e destacado em todos os títulos verde e amarelos daqui por diante. A médio prazo, vai conquistar lugar em algum time de primeira linha de Europa e se colocar entre os maiores goleiros em atividade no planeta.
Este atleta monstruoso que em breve deixará Porto Alegre poderia ser nosso. Tinha tudo para ser nosso. Nosso capitão em títulos expressivos, nosso jogador-símbolo (e, poxa vida, que belo símbolo), nosso ídolo. As páginas da história do Inter não contarão com o nome de Alisson (não, pelo menos, com o destaque que poderia) por conta de uma palavra: incompetência.
Vitório Piffero, o mau, conseguiu desvalorizar o mais valoroso atleta que tínhamos no grupo. Consta que a oferta da direção para renovar com o goleiro era ridícula para um jogador de Seleção. Consta que a incapacidade de negociação da direção colorada acabou impedindo que uma renovação acontecesse. Consta que há, nos nossos principais gabinetes, incompetência de sobra.
O goleiro que se vai poderia ser muita coisa por aqui. Heroi. Capitão marcante. Jogador-símbolo. Alisson embarca para a Itália não sendo nada disso. Foi titular por apenas uma temporada completa. Levantou tão somente campeonatos estaduais. O único jogo histórico que teve com o Colorado será lembrado não por ser uma grande vitória vermelha, mas um massacre tricolor.
Quando olharmos a história do Inter, um dos mais capacitados camisas 1 que já passou pelo Beira-Rio será insignificante.
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