
Eu não sou pessimista. Pelo contrário, meus amigos adoram falar que o meu otimismo, muitas vezes, extrapola o bom senso, uma característica dos seres passionais. Não nego essa essência e aceito com tranquilidade as críticas. Prefiro olhar a vida pelo lado positivo do que me condenar à decepção, como se ela fosse um destino trágico do qual não posso me desvencilhar.
No futebol, então, não sou um pessimista mesmo. Nos anos 1990, onde forjei o verdadeiro amor pelo Inter, eu sofri e chorei, mas jamais atirei a toalha. No início dos anos 2000, quando tudo parecia se repetir, confiei que a história mudaria. Em 2002, tive certeza de que o Paysandu não nos rebaixaria. Em 2005, eu sabia que a bola iria punir. Em 2010, não tirei o coração de Quilmes até o gol mágico de Giuliano.
E, em 2015, tenho alguns bons motivos para espantar a onda de pessimismo que tomou conta do Beira-Rio, como se o Inter tivesse se tornado algo menor do que realmente é. Nós sabemos que nunca foi fácil ser colorado, que as nossas glórias são conquistadas com suor e sofrimento, que assim é a vida de um povo que luta. Assim tem sido a nossa senda.
Então, quem disse que ganhar uma Libertadores é assim, num estalar de dedos? Se vocês, leitores, prestarem bem atenção, o caminho do Tri já começou a ser trilhado, mas, para ser bem claro, vou enumerar aqui 15 motivos que reforçam o meu otimismo em 2015 e me fazem crer que não estou filosofando em vão.
Fabrício marcou o gol da vitória sobre o Atlético-MG
Foto: Fernando Gomes/Agência RBS

1 - Classificação improvável: as vitórias surreais contra Atlético-MG e Figueirense no Campeonato Brasileiro, que nos colocaram direto na fase de grupos da Libertadores, indicam que algo maior está reservado em 2015.
2 - O Nilmar vem aí: finalmente teremos um ATACANTE após anos de penúria. Com uma pré-temporada forte e descansado, Nilmar vai voar.
Goleiro assumiu a titularidade na reta final do Brasileirão
Foto: Alexandre Lops/Inter/Divulgação

3 - Goleiro de verdade: Alisson, anotem, será titular da Seleção Brasileira em pouco tempo. É um grande goleiro, tem estrela e comportamento de vencedor.
4 - Técnico com gana: Diego Aguirre veio com a faca nos dentes para dar um salto na carreira e se consagrar no futebol brasileiro. Quem conviveu com ele diz que o homem não está para brincadeira.
Torcida é uma das armas do Inter na Libertadores
Foto: Bruno Alencastro/Agência RBS

5 - Beira-Rio "estreia" na Libertadores: lembram qual foi a última partida do Inter no Beira-Rio pela Libertadores? Empate em 0 a 0 com o Fluminense, em 2012. Dátolo errou um pênalti. Agora o caldeirão volta forte, remodelado e mais vibrante do que nunca.
6 - Adversários batíveis: apesar de Universidad de Chile e Emelec terem tradição no futebol sul-americano, o grupo 4, que ainda é composto por The Strongest ou Monarcas Morelia (MEX), não é nenhum bicho de sete cabeças.
7 - Chance real de boa classificação: ainda sobre o grupo 4 da Libertadores, dá para ficar entre os primeiros colocados na classificação geral e decidir o mata-mata em casa.
Atlético-MG é um dos concorrentes ao título da América
Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG/Divulgação

8 - Todos estão nivelados: não há nenhuma grande equipe na América do Sul hoje. As melhores talvez sejam Cruzeiro, Atlético-MG e River Plate, que podem ser derrubadas no mata-mata.
9 - Marcação e velocidade: essa é a filosofia de jogar de Diego Aguirre, ideal para um torneio duro como a Libertadores. Chega de ver um time faceiro e modorrento em campo, a ordem é fazer o bicho pegar.
Argentino é o principal jogador do Inter
Foto: Fernando Gomes/Agência RBS

10 - DAlessandro, ainda ele: não é o mesmo de 2010, mas carrega a liderança, experiência e habilidade que na hora decisiva serão fundamentais para ganhar partidas muito complicadas.
11 - Contratações pontuais: mesmo que ainda não tenha anunciado a lista de reforços, a direção do Inter parece sintonizada com o desejo do torcedor.
Novo técnico deve dar chance aos guris da base
Foto: Ricardo Duarte/Agência RBS

12 - Mais chances para a gurizada: é praticamente impossível Diego Aguirre dar menos oportunidades aos garotos do que Abel Braga, que não abria mão dos bruxos.
13 - Adeus, soberba: depois das eliminações ridículas para o Bahia (Sul-Americana) e Ceará (Copa do Brasil), não há mais desculpas para fiascos em competições importantes.
14 - Futebol, a única preocupação: acabou a Copa do Mundo, acabou a reforma do Beira-Rio, acabaram as obras, acabou a eleição. O único e exclusivo foco é o futebol.
15 - Torcida mobilizada: as eleições mostraram que a torcida do Inter está extremamente mobilizada e sedenta por um grande título. Quando não der na bola, vai ser no grito.
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