
O futebol indiano está longe de ser um dos mais reconhecidos do mundo. Atualmente, a Superliga da Índia ocupa a 94ª posição no ranking de campeonatos, de acordo com a Global Football Ranking. No entanto, há pouco mais de uma década, o país asiático recebeu grandes nomes do futebol, como Zico, Del Piero, Roberto Carlos, Nesta e o ex-colorado Lúcio.
Além zagueiro do penta, outros ex-jogadores da dupla Gre-Nal disputaram a Superliga indiana, como Elano, André Santos e Léo Moura. Esse último chegou ao país em setembro de 2015, antes de defender o Grêmio entre 2017 e 2019 e ser campeão da Libertadores da América. A ida de Léo Moura para o futebol indiano não foi por acaso e ocorreu justamente quando o campeonato estava em alta.
Motivos para escolher a Índia
O lateral na época jogou pelo Flamengo nos três primeiros meses do ano e deixou o clube, que havia defendido durante uma década, para atuar nos Estados Unidos. Durante quatro meses, ele jogou pelo Fort Lauderdale, clube que tinha Ronaldo como sócio.
A temporada da North American Soccer League (NASL) acabou em agosto e o jogador precisou de um novo local para jogar. Apesar de receber propostas do futebol brasileiro, Léo Moura não poderia disputar partidas em 2015, porque a Fifa proibia defender dois clubes no mesmo ano.
A saída foi a Índia. A Superliga indiana, fundada em 2013 com altas expectativas e grandes jogadores, não era reconhecida pela Confederação Asiática de Futebol (AFC) e pela Fifa, mas recebeu altos investimentos.
Na época, a Superliga ocorria entre setembro e dezembro, o que era perfeito para Léo Moura. O lateral se juntou ao Goa FC, clube treinador por Zico e que tinha o zagueiro Lúcio, ex-Inter e pentacampeão mundial pela Seleção.
— A competitividade era grande pois não era o campeonato indiano e sim uma Superliga independente — explica Léo Moura, em entrevista à Zero Hora.
Naquele momento, a Superliga não era filiada à Federação Indiana de Futebol (AIFF), enquanto a I-League era considerada a principal competição do país, mas sem grandes nomes e pouca atenção do público.
De acordo com Léo Moura, os campos dos jogos da Superliga eram "bons demais" e as partidas recebiam entre 40 e 50 mil torcedores.
Além da sua equipe na época, o ex-jogador destacou o Chennaiyin e o Atlético de Kolkata, que foram os campeões das quatro primeiras edições. O FC Goa, com Léo Moura, foi o vice-campeão de 2015. O lateral disputou 16 jogos, marcou dois gols e deu oito assistências.
— Valeu muito a experiência, por ser uma Superliga. Mas eu não indicaria hoje nenhum brasileiro a jogar o atual campeonato nacional — aconselha.
Situação atual da Superliga indiana
Desde que o jogador deixou a Índia, o sistema de ligas mudou bastante e demorou a ter a estrutura atual. Foi apenas em 2019 que a Superliga foi aceita pela AFC e considerada a primeira divisão do futebol do país.
No entanto, os grandes jogadores e o alto investimento vistos entre 2014 e 2017 foram embora da Índia. O interesse no esporte caiu e o desenvolvimento de jogadores não ocorreu como esperado.
— Tenho amigos lá, mas não estou por dentro do campeonato mais — revela Léo Moura.
A seleção indiana, que enfrentará o Brasil, neste sábado (3), às 11h, é formada por atletas que disputam a Superliga. Não há nenhum jogador atuando na Europa e o nível do futebol apresentado aparenta ser bem baixo.
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