
Versátil nos gramados, Diego Souza começou como volante, virou um dos principais meias do futebol brasileiro e terminou a carreira como um centroavante goleador.
Aposentado desde fevereiro de 2024, ele seguiu próximo do futebol, colocou os estudos em dia e deu início a uma nova etapa na carreira. Desde o começo de agosto, é técnico do Joinville.
Em entrevista exclusiva à Zero Hora, o ex-jogador contou que já planejava seguir para a casamata. Ele se preparou de forma discreta, realizando os cursos necessários, e aceitou o convite do time catarinense para a disputa da Copa Santa Catarina.
— Eu gosto do campo, do dia a dia, é algo que eu sentiria muita falta, até porque a minha vida inteira foi ali. Então, eu não gostaria de trabalhar em outra função — revela.
Aos 41 anos, Diego Souza já comandou a equipe em dois jogos. Na estreia, viu o time ser derrotado por 4 a 2 para o Marcílio Dias. Já na segunda partida, no último sábado (5), o JEC venceu o Blumenau por 1 a 0. Na competição, o vencedor garante uma vaga na Copa do Brasil ou na Série D do Brasileirão do próximo ano.
Até o momento, ele tem gostado da vida de treinador, mas a considera mais complexa em comparação com o período em que atuou como atleta. Em cerca de 20 anos de carreira, passou por grandes equipes do futebol brasileiro como Grêmio, Vasco, Sport, Fluminense, Flamengo, São Paulo, Palmeiras, Botafogo, Atlético-MG e Cruzeiro.
— É muito mais difícil (ser treinador), porque você tem a função de organizar tudo. Como jogador, você chega, já está tudo montado. Você precisa desempenhar bem o seu trabalho, tanto na parte física como técnica. Mas como treinador você tem que pensar em tudo. Você não se desgasta mais fisicamente, mas, mentalmente, sem dúvida, é muito desgaste — explica.
Amor pelo Grêmio

Foram duas passagens marcantes de Diego Souza no Tricolor. A primeira delas em 2007, quando esteve no elenco vice-campeão da Libertadores e campeão gaúcho. Depois, desacreditado por muitos, voltou em 2020 e permaneceu até 2023, tendo destaque como artilheiro da equipe.
— Foi o clube que me projetou para ser um grande jogador. Eu tinha começado a minha carreira, era mediano, mas quando cheguei no Grêmio que elevei o meu patamar dentro do futebol brasileiro. Depois, voltei quase em final de carreira, como centroavante. Conquistei quatro títulos estaduais, disputei final de Copa do Brasil, fui artilheiro. Sou até hoje o artilheiro da Arena — diz Diego Souza, com orgulho.
O agora treinador coloca o Grêmio ao lado de Vasco e Sport como os times mais importantes de sua carreira. O carinho pelo Tricolor Gaúcho é tão grande que o clube o ganhou como torcedor:
— Sempre (torcendo). Se estou em casa e tem jogo do Grêmio, estou assistindo.
Pelo clube, Diego Souza marcou 87 gols. A temporada mais goleadora de sua carreira foi justamente na equipe, em 2020, quando fez 28 gols em 54 jogos.
Questionado sobre o momento do Grêmio na temporada, ele lamentou a proximidade com a zona de rebaixamento. O técnico lembrou da derrota para o Vitória, na última rodada do Brasileirão.
— Já era para o Grêmio estar em uma situação melhor na competição. No confronto direto contra o Vitória, tomou um gol que seria evitável por conta da estatura, por conta da situação do jogo. Deixou de somar um ponto na competição, porque não teve um futebol para vencer. Mas tinha tudo para levar um ponto para casa — comenta.
Decisivo em clássicos Gre-Nal

Algo que fez o torcedor gremista criar maior apreço por Diego Souza foi o seu desempenho em clássicos contra o Inter. Foram 16 partidas, com nove vitórias, quatro empates e apenas três derrotas, além de quatro gols marcados.
— Eu nasci preparado para esse tipo de jogo. Não tem preparação para jogo grande. Ou você nasceu para isso, ou você vai estar sempre muito pressionado, muito afoito para fazer as coisas que têm que ser feitas. Quando você tenta se preparar para um jogo desse tamanho, você se coloca mais pressão e isso acaba te deixando travado para realizar bem o seu papel, que é jogar, jogar com alegria e ganhar, porque esse tipo de jogo tem que ganhar! — diz Diego Souza.
O ex-jogador contou que assistiu às duas partidas entre Grêmio e Inter pelas quartas de final da Copa do Brasil. Por óbvio, torceu e comemorou muito a classificação tricolor.
Inspirações na casamata

Em uma carreira repleta de grandes clubes, não faltam treinadores para Diego Souza se inspirar. O primeiro deles, Joel Santana, é lembrado pela capacidade que tinha de manter o grupo alegre. Vanderlei Luxemburgo foi citado como o técnico que mostrou a ele como ser grande no futebol. Ricardo Gomes e Muricy Ramalho também tiveram influência. Mas a fala mais extensa foi sobre Renato Portaluppi.
— É um cara fantástico, que dá liberdade para jogar. É um cara que faz o dia a dia de trabalho ser o mais leve possível. Todo mundo com muita vontade de trabalhar, por conta de um dia a dia bem legal. Diante de tanta pressão, você conseguir fazer o dia ser leve é um grande diferencial — analisa.
Como técnico, Diego Souza espera que suas equipes sejam mais propositivas e tenham maior posse da bola para comandar as ações do jogo:
— Até porque quando eu jogava, eu odiava ter que ficar correndo atrás do adversário. Quando o adversário tinha mais posse de bola, o jogo ficava muito mais difícil.
E para o futuro, o treinador almeja estar em uma equipe de elite do futebol brasileiro e treinar alguma seleção para chegar à Copa do Mundo. Mas há um destino que ocupa um lugar especial no imaginário do ex-atacante.
Questionado se gostaria de treinar o Grêmio um dia, a resposta foi imediata:
— Com certeza, sem dúvidas.
Seleção de Diego Souza
Atual treinador do Joinville montou uma equipe com os melhores jogadores que atuou ao lado. O esquema escolhido foi o 4-3-3.
- Goleiro: Marcos
- Lateral-direito: Léo Moura
- Zagueiro: Durval
- Zagueiro: Geromel
- Lateral-esquerdo: Reinaldo
- Meia: Eduardo Costa
- Meia: Maicon
- Meia: Carlos Alberto
- Ponta-direita: Éder Luís
- Centroavante: Diego Souza
- Ponta-esquerda: Everton Cebolinha
- Técnico: Renato Portaluppi



