
As frequentes manifestações do presidente do Vitória causam desconforto na Arena. O Grêmio reconhece a existência da dívida com o Vitória pela compra do zagueiro Wagner Leonardo, mas rebate a versão apresentada pelo dirigente do clube baiano.
Em entrevista concedida após o confronto entre as equipes, na noite desta segunda-feira (7), no gramado do Barradão, Fábio Mota voltou a reclamar os valores devidos e chamou o Tricolor de "time caloteiro". Os argumentos são contestados pela diretoria gremista.
— Seria uma injustiça perder para um time caloteiro desse, que deve 2,5 milhões de dólares ao clube, que não paga, faz desdém e continua contratando. O futebol brasileiro precisa mudar isso. O Vitória já entrou na Justiça e, em novembro, a gente entra com a execução. Seria um absurdo a gente perder para um time caloteiro desse que fez o que fez com o Vitória — declarou Mota.
Parcela atrasada
A primeira divergência está no valor devido. O montante total da transferência é 4,5 milhões de dólares (R$ 26 milhões). De acordo com o Tricolor, existe apenas uma parcela atrasada, no valor aproximado de 1 milhão de dólares (pouco mais de R$ 5 milhões).
Houve a tentativa de quitação com o repasse do mesmo atleta ao clube baiano, mais o pagamento de uma compensação financeira. Mas, quando foram apresentadas as garantias para o negócio, o Vitória recuou.
— Eu quero é receber o meu dinheiro do Grêmio, que os caras não pagam. Não aguento mais falar sobre isso — disse o presidente rubro-negro no início de julho.
Sem reclamação na Justiça
Um dos fatores que pesa para a exigência do pagamento em dinheiro é que o clube baiano antecipou os valores totais da transferência junto a um fundo de investimentos. E, neste contrato firmado, havia uma cláusula que impede o acionamento da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD).
Desta forma, a única solução possível para o Vitória é cobrar a dívida na Justiça comum. Porém, na Arena, há a garantia de que o Grêmio não foi notificado sobre qualquer reclamação judicial.
Dirigentes no Barradão
O último fato rebatido pelo Grêmio diz respeito a outro trecho da entrevista do presidente do Vitória, quando Fábio Mota relata que os dirigentes gremistas não acompanharam a partida no Barradão.
— Não apareceu (a diretoria). Ficaram no hotel e não tiveram coragem de vir aqui — disse.
Conforme apurou Zero Hora, o vice-presidente de futebol Rafael Lima e o executivo de futebol Paulo Pelaipe estiveram no estádio e, inclusive, foram recepcionados pelos dirigentes do clube baiano.
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