Um dos maiores campeões do vestiário do Grêmio ainda quer mais. O goleiro Weverton entende que a travessia atual no Brasileirão faz parte da construção do clube do futuro, de volta ao cenário de competir por títulos.
Em uma hora de entrevista ao ge, o camisa 1 também destacou a Copa do Brasil como o caminho mais curto para transformar a ambição por conquistas em um capítulo imediato da história gremista. Os Gre-Nais das quartas de final são vistos como oportunidade para fazer história.
— A gente já chega no condomínio e as pessoas não querem mais nem saber, só falam de Gre-Nal. As pessoas passam por ti: "Tem que ganhar" — diz.
O Tricolor ganhou de Mirassol, na Copa do Brasil, e São Paulo, no Brasileirão, em sequência. A vitória mais recente fez o time se afastar da zona de rebaixamento, mas Weverton reconheceu que esta é a briga atual do clube. A visão do goleiro é clara: passar por dificuldades agora para, no futuro, retomar o tamanho do Grêmio.
Confira trechos da entrevista de Weverton
ge: Essas duas vitórias seguidas deram um respiro maior para o Grêmio? Vocês sentem uma melhora, que as coisas fluem mais naturalmente?
Weverton: Sim. O futebol é feito de resultado e todo mundo quer vencer. Às vezes, eu digo que a vitória esconde muita coisa ruim e a derrota não mostra muita coisa boa. A gente tem que sempre analisar o jogo. Vemos uma melhora acontecendo, que é a evolução daquilo que o Luís Castro vem pedindo no dia a dia, no treinamento. Cada jogo é uma oportunidade de vencer, de você cravar esse bom momento. Domingo é mais uma oportunidade, porque a gente respirou bem, mas se não ganha domingo, já parece que volta tudo de novo. Daqui para frente, o nosso único pensamento é procurar vitória, até porque não se recupera mais os pontos nesse segundo turno. Mas o nosso estado de alegria, anímico para treinar todos os dias, ele muda quando se ganha. Esperamos que seja um momento de crescimento e que a gente possa fazer uma sequência de vitórias, que é muito importante.
A missão, agora, é que esse respiro seja maior?
Sem dúvida, o campeonato está muito embolado. Quanto mais rápido a gente conseguir sair desse grupo de baixo, mais tranquilidade vai ter. Eu falo que nas últimas 10 rodadas todo mundo está brigando por algo, uns para não cair, outros para Libertadores, outros por título. Tem jogo que tende a ser muito mais difícil até. A gente tem uma chance com esse momento nosso de crescimento de, daqui a pouco, dar uma boa deslanchada, poder dar uma boa respirada e pensar do meio para frente, pensar em outro momento de tabela.
A vitória esconde muita coisa ruim e a derrota não mostra muita coisa boa
WEVERTON
Goleiro do Grêmio
O que faltou para o Grêmio alcançar a regularidade nesta temporada?
Tem muito a ver com a nova montagem desse elenco. É muita gente nova e é normal que se oscile, porque são jogadores que não estão, às vezes, acostumados com toda a pressão que é jogar. Cada um sente de uma maneira. Hoje, vemos o Grêmio com mais um padrão, com esquema mais definido. O Luís Castro testou vários esquemas e achou uma maneira de jogar que se encaixa mais no perfil dos atletas. É muito difícil fazer toda essa transição no meio da temporada, com jogos que valem muito. Acho que agora a gente pode dizer que viemos achando essa maneira de jogar, com mais clareza. Esperamos que venha uma sequência de vitórias para que a teoria se mostre na prática. A prática no futebol é a vitória, não tem outra coisa. Ninguém quer saber, todo mundo quer vencer.
O Grêmio já encontrou identidade ou ainda está em construção?
Eu acho que o Grêmio é uma equipe em construção, que está tentando se adequar ao seu novo perfil. O Grêmio hoje tem mais de 30 jogadores no seu elenco principal, e o Luís Castro tem esse lado muito humano. Ele trabalha com todo mundo, trata todo mundo com profissionalismo, mesmo aqueles que ele sabe que não vai utilizar muitas vezes. Há uma responsabilidade muito grande dessa nova diretoria com o Grêmio do presente e o Grêmio do futuro. Ninguém está pensando só no hoje. Às vezes o momento é duro, mas todo mundo que passa por isso colhe alguma coisa lá na frente. O torcedor cobra porque o Grêmio é muito grande, tem cinco títulos da Copa do Brasil, é um dos maiores vencedores. Estamos trabalhando para que o Grêmio volte a viver momentos assim, de decisões e de Libertadores.
Essa resposta mostra uma identificação, parece que você está aqui há muito tempo, e não que chegou esse ano. Essa mensagem de construção circula também internamente?
Acho que o maior recado que a diretoria dá é esse. Buscaram jogadores na Série B que chegaram e deram uma boa impressão. Para mim seria muito fácil agora no segundo turno trazer jogadores caros, mas a conta vai chegar mais cedo ou mais tarde. Hoje há pessoas com responsabilidade e que entendem que esse grupo pode. Nós somos capazes de fazer melhor do que estamos fazendo, mas também temos muita preocupação em trazer o Grêmio de volta àquilo que ele sempre foi. O Grêmio sempre foi grande, sempre disputou grandes títulos e a gente só quer devolver aquilo que de fato o Grêmio merece. Sabemos que isso vai passar, daqui a pouco vai engrenar e vamos ver o Grêmio voltando a ser protagonista. Temos aí uma Copa do Brasil e estamos diante de uma grande oportunidade de novo de fazer história.
A prática no futebol é a vitória, não tem outra coisa. Ninguém quer saber, todo mundo quer vencer.
WEVERTON
Goleiro do Grêmio
Você citou a Copa do Brasil como uma oportunidade de dar mais uma resposta ao torcedor. Como você recebeu a notícia de que as quartas de final serão dois clássicos Gre-Nais?
Todo mundo que está aqui sabe o peso que é. Eu, particularmente, penso que é sempre uma grande oportunidade. É isso que marca história, é isso que marca jogador. Sabemos que eliminar um rival, tanto para nós quanto para eles, é uma oportunidade de tranquilidade para o ano. Por isso que eu digo que é uma grande oportunidade. Para os dois lados, é uma grande oportunidade, sabemos o quanto vale. Vai ser uma guerra, uma luta muito grande, como foi o Gauchão. Onde estão Grêmio e Inter não tem outra coisa a não ser guerra, competição e luta. No condomínio, as pessoas não querem saber de outra coisa, passam por ti e dizem: “tem que ganhar”. No meu coração, eu sempre creio que é uma grande oportunidade, apesar de toda a pressão.
Como se prepara para Gre-Nais como esse e como você se sentiu no primeiro que disputou?
Eu sempre fui um cara muito particular, e os clássicos são sempre muito difíceis. Joguei vários em São Paulo, mas aqui é diferente. Aqui o teu vizinho já começa, quando é Gre-Nal: “tem que ganhar”. Ele bate na tua porta: “Tem que fechar o gol”. Ele leva um bolo para ti, mas diz "tem que ganhar”. É outra cultura. Aqui você sai para ir ao shopping, para ir jantar, as pessoas são na delas, mas quando é Gre-Nal parece que as pessoas perdem a vergonha de tudo e querem de alguma forma te ajudar: “Vamos ganhar”. Diante de toda a pressão, é uma grande oportunidade de fazer a alegria do torcedor. Vamos competir, se Deus quiser, e buscar essa vaga aí que é muito importante.
O Grêmio tem muitos jogadores estrangeiros e recentemente chegaram mais, como o caboverdiano Jovane Cabral e o croata Filip Krovinovic. É teu papel também fazê-los entender o que é o Grêmio?
O Grêmio faz um negócio muito legal, que é levar e mostrar a sua história no museu. Na minha opinião, é como se fosse uma obrigação de todo mundo entrar ali dentro para saber o tamanho da camisa que veste. Ela não é para ser um peso, ela é para ser um orgulho. Você vê alguns jogadores sangrando com a taça da Libertadores na mão e pensa: deram a vida por isso aqui. Agora, é a nossa vez de fazer história. Nem sempre todos os jogadores têm a oportunidade de jogar em uma grande equipe e de brigar por títulos, que é o que marca no futebol. Ninguém é lembrado sem ganhar título. Se não ganhar título, você é só um jogador que passou. Eu aprendi que o que vale é quem ganha. Temos, mais uma vez, nesse momento, na Copa do Brasil, uma oportunidade muito grande e a gente vai lutar muito por ela.
Você viveu no Palmeiras um ambiente de competir e conquistar vários títulos. Como essa experiência pode ajudar na construção do Grêmio?
A pessoa tem que sempre acreditar. Minha função não é só defender o gol, mas incentivar meus companheiros a sempre darem a vida por esse lugar. O meu desejo é que todos os dias as pessoas tenham uma mentalidade de vencedor. E como faz isso? Treinando no teu alto nível todos os dias. O Grêmio é forte, tem força e tem camisa. Quando fomos eliminados da Sul-Americana, todo mundo chegou triste e o Luís Castro falou: "vamos levantar a cabeça, a gente agora tem outra decisão, a gente tem a chance de dar a volta por cima". Ele exige o máximo do ser humano. Se o jogador tiver caráter, for um bom pai, um bom filho, ele também vai ser um bom jogador de futebol. A gente nunca vai prometer título para ninguém, mas vamos prometer que vamos fazer o melhor todos os dias.
Você falou sobre a amizade que fez com o Luís Castro. Acha que a pressão sobre ele, neste momento, é exagerada ou é normal porque os resultados não têm aparecido?
Eu acho muito normal, porque quando você não vê as vitórias, a cobrança é muito grande. Ele já passou por todas as situações e sabe lidar muito bem com isso. Mas quem entra em campo somos nós. O treinador escala e decide, é responsabilidade dele, mas quem executa somos nós – e muitas vezes muito mal. A culpa tem que ser de todos. No Brasil, parece que tudo na vida tem que haver um herói e um vilão. Quanto mais rápido a gente entende que funciona dessa maneira, menos a gente sofre e acha o equilíbrio para não ser tão bom quando é o herói e nem tão ruim quando é o vilão.
Ninguém é lembrado sem ganhar título. Se não ganhar título, você é só um jogador que passou.
WEVERTON
Goleiro do Grêmio
Você se identificou rápido com o Luís Castro?
Sim, ele tem uma filosofia de vida muito parecida com o que eu acredito: o ser humano está acima do jogador. O cara que tem essa sensibilidade de entender primeiro o ser humano para depois o jogador é o que eu respeito. Ele trata todos da mesma maneira, principalmente aqueles que não jogam tanto. Eu torço muito para que a gente possa progredir para que as pessoas conheçam mais profissionais dessa maneira, que tratam o ser humano acima do futebol, acima de tudo.
Além dessa proximidade com o Luís Castro, você tem aprendido algo novo com o Daniel Correia, preparador de goleiros? Como tem sido a relação?
Tem sido muito legal, porque quando eu cheguei foi um trabalho muito diferente. O Rogério (Godoy, no Palmeiras) sempre trabalhou muita parte de força, e o Daniel é um cara muito mais detalhista, tudo o que ele faz no campo é pautado no jogo. O treinamento dele é pautado naquilo que vai acontecer contra o adversário, como o Atlético-MG. É um treinamento mais direcionado para o que o jogo pede, o que está acrescentando muito na minha carreira. Temos uma amizade muito bacana, sempre nos reunimos com os goleiros para jantar e poder se conhecer melhor.
📩 Receba as principais notícias do Grêmio direto no seu e-mail. Clique aqui e inscreva-se na newsletter do Tricolor.




