Em entrevista exclusiva ao ge, Weverton analisou as duas Copas do Mundo no currículo e também abriu espaço para reflexões sobre a carreira. O goleiro do Grêmio afirmou que ainda se sente capaz de atuar em alto nível por bastante tempo, mas destacou que pensa com responsabilidade sobre o momento da aposentadoria. O camisa 1 ainda relembrou a emoção de defender a Seleção Brasileira e os sacrifícios pessoais exigidos pelo futebol ao longo de sua trajetória.
Na conversa, o arqueiro também demonstrou preocupação com a mentalidade das novas gerações de jogadores. Para ele, muitos atletas têm colocado a questão financeira acima da busca por desempenho e títulos.
Confira trechos da entrevista de Weverton:
Você foi convocado para uma Copa do Mundo aos 38 anos. Isso demonstra que está em boa fase. Temos um fenômeno no Brasil que é o Fabio jogando com 45 anos. Tem alguma meta nesse sentido? Até onde vai o Weverton?
Eu não gosto de pôr meta. Fisicamente, acho que tenho condição de jogar ainda bastante tempo, mas o futebol é muito desgastante. Eu jamais vou encerrar se entender que ainda posso contribuir e ajudar em alto nível. A hora de parar é tão importante quanto a hora de começar. Quero ter bons amigos do meu lado para me dizerem com sinceridade quando chegar a hora, porque é uma decisão muito difícil de tomar sozinho depois de 30 anos fazendo isso. Tenho uma vida estável, então a hora que eu decidir parar vai ser com alegria e gratidão.
É uma preocupação isso com que as novas gerações estão perdendo esse gosto por competir, pela conquista, e por vezes valorizando mais a questão financeira?
Isso é verdade, é uma preocupação sim. Com o avanço das redes sociais, o futebol se tornou algo de muita pressão. Na minha época, meu maior desejo era ser reconhecido na rua e poder ajudar minha mãe. Hoje, parece que os novos jogadores pensam muito no dinheiro, em ir para a Europa e não esquentar a cabeça. Se você só pensar no dinheiro, vai esquecer o principal, que é performar, jogar e ser campeão. Quando vou aquecer e vejo as crianças gritando meu nome, eu começo a sorrir. Eu amo isso porque foi o que me moveu a vida inteira.
Jamais vou encerrar se entender que ainda posso contribuir e ajudar em alto nível.
WEVERTON
Goleiro do Grêmio
Às vezes o futebol é muito cruel ao valorizar quem ganha. Mas você já conseguiu entender o privilégio que foi jogar duas Copas do Mundo?
Sem dúvida. Essa última Copa, então, nem se fala. No ano passado tive uma lesão, fiquei dois meses sem jogar e mudei de clube. Pensar em ir para a Copa do Mundo realmente era algo muito difícil naquele momento, mas tudo foi cooperando. Joguei a minha primeira Copa aos 34 anos, é o ápice para qualquer jogador. O Tite foi muito generoso, me colocou para jogar 12 minutos nas oitavas de final (em 2022). Ter ido a outra Copa foi um presente de Deus maravilhoso. O futebol exige muito e me tomou coisas importantes, como não poder dar o último abraço nos meus pais e no meu avô quando morreram, mas as conquistas me recompensaram e preencheram esse vazio. Sair do primeiro tempo contra o São Paulo puto e terminar o jogo como o herói da vitória mostra por que o futebol é tão apaixonante.
Falou-se muito da estratégia do Brasil no jogo com a Noruega na Copa. Como foi a preparação para aquele jogo neste sentido?
Foi uma preparação muito boa. Era muito pouco tempo para ele (Ancelotti) conhecer todo mundo, mas nos próximos quatro anos ele vai poder, desde o começo, estabelecer o padrão que quer para a Seleção. Ele é um baita treinador para ajudar a trazer de volta a Seleção campeã. Naquela semana, vínhamos de uma boa vitória contra o Japão e todos estavam focados. Mas, do outro lado, tinha uma grande equipe e um super artilheiro que sabe fazer gol. Trabalhamos muito pensando no lado individual dele (Haaland), mas ele conseguiu fazer a diferença, como já fez várias vezes na vida. Por mais que doa, a gente tem que reconhecer que naquele momento eles foram melhores.
Nos próximos quatro anos ele vai poder, desde o começo, estabelecer o padrão que quer para a Seleção
WEVERTON
Goleiro do Grêmio sobre Ancelotti
Mudou algo na volta ao Brasil com a convivência na Seleção?
Para mim não muda nada, porque eu sempre sou profissional onde vou e entrego o meu melhor todos os dias. O ambiente de Seleção é excelente, com muitos jogadores de qualidade, e os companheiros aqui sempre perguntam como é lá. Mas, em termos de trabalho e entrega, é sempre igual. Aqui no Grêmio, minha função também é ajudar os goleiros mais jovens a elevarem o seu potencial. Minha responsabilidade é ajudar o Gabriel Grando, a desenvolver uma melhor pessoa, um melhor atleta, junto com o Thiago e o Menegon. Para mim, vai ser uma alegria ver esses caras performando e saber que, de alguma maneira, eu os ajudei. Isso vale mais do que qualquer coisa.
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