
A virada recente do Grêmio na temporada passa por um velho conhecido. Depois de 202 jogos, 15 gols e 14 assistências, Mathias Villasanti não é surpresa para o torcedor. O paraguaio, recuperado de grave lesão sofrida no ano passado, voltou ao time em alta após a parada para a Copa do Mundo.
Mais do que estar novamente como titular, o volante se tornou a cara da nova versão da equipe que surgiu em campo após os últimos jogos.
Prestes a comemorar cinco anos em Porto Alegre — o meio-campista foi anunciado no dia 12 de agosto de 2021 —, o jogador viabilizou a estratégia atual de Luís Castro para estabilizar a equipe. Um ponto de equilíbrio para ligar o sistema defensivo ao ataque. Uma colaboração que já teve o paraguaio em outras funções.
Quando desembarcou em Porto Alegre, a expectativa era de que ele seria uma peça ofensiva. O rebaixamento e a disputa da Série B mostraram outra versão. Foi posicionado por Roger Machado, então técnico da equipe, como um camisa 5 tradicional.
— Jogador versátil que consegue exercer inúmeras funções no campo. Compreende com grande facilidade os momentos do jogo e quando tomar cada decisão com e sem a bola. Extremamente dedicado nos treinamentos de campo e é o tipo de jogador que questiona tudo para aprender. Sempre que foi questionado sobre situações ocorridas nos jogos emitiu sua opinião com clareza e vontade de colaborar com o crescimento da equipe — explicou Roberto Ribas, auxiliar de Roger.
A grande característica do jogador na atual formação é a intensidade. Um dom que ele carrega desde o berço, mas que é lapidado nos treinamentos.
— Ele é um atleta completo. Qualquer preparador e técnico querem o ter no time. É o "box to box". É o preferido de nós, preparadores físicos e técnicos. A genética dele é privilegiada. Associar isso a treinamentos, assimilação é mais rápida. Só tende a melhorar, potencializar o que tem. É um profissional que qualquer um quer ter no seu grupo. Já trabalhei com muita gente, mas é um dos melhores. Villasanti é um profissional. Sabe o que é necessário para ele — afirmou o preparador físico Paulo Paixão, que trabalhou com o jogador na comissão de Roger.
O posicionamento atual, com mais tarefas ofensivas, se mostrou decisivo para a retomada da equipe. De volta aos titulares após a Copa do Mundo, o volante passou a formar um trio de meio-campistas para ajudar a estabilizar o rendimento do Grêmio.
— O estilo de jogo do Villasanti gera um encaixe com a forma de jogar do Luís Castro. Não vou comparar qualidade técnica, porque certamente o Arthur tem mais, mas o estilo do Arthur é de toques curtos e posse. Luís Castro precisa de meio-campistas que pressionem, ocupem grandes espaços de campo e também cheguem e avancem para ocupar a área. Villasanti oferece exatamente isso. Ele é um volante que faltava no time no primeiro semestre. Agora o Grêmio ainda precisa encontrar um complemento para ele, o que o Nardoni ainda não conseguiu ser — afirmou Cristiano Munari, comentarista da Gaúcha.
Depois da sequência intensa dos últimos dias, a folga serviu para que os gremistas recarregassem as baterias antes da próxima partida. O adversário deste fim de semana, porém, será responsável por um reencontro amargo para Villasanti. No gramado sintético da Arena MRV, onde sofreu uma lesão no ano passado, o volante novamente terá a responsabilidade de viabilizar a forma como o time vem jogando.
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