Chovia e fazia frio em Gravataí na quarta (12) pela manhã. No campo principal do RGM, centro de treinamentos gerido pelos ex-goleiros do Grêmio Galatto e Marcelo Grohe, dois colegas de profissão dos ídolos tricolores pulavam de um lado para o outro, se molhavam e se embarravam para buscar chutes que davam os preparadores do Sindicato dos Atletas Profissionais (Siapergs).
Um deles também tinha sido goleiro do Grêmio, da Seleção e de carreira fora do país. Promessa da base tricolor, Phelipe Megiolaro se mantém ativo sozinho, sem empresário e em busca de oportunidade no Brasil.

Retorno ao país
Aos 27 anos, está de volta ao país após seis temporadas entre Estados Unidos e Japão, desde que saiu do Grêmio após apenas dois jogos. Aliás, os principais portais de registro de partidas registram que Megiolaro disputou somente 22 partidas depois de subir para o profissional.
Pouco, quase nada para um goleiro com tanta expectativa. Natural de Campinas, era goleiro da Ponte Preta campeã paulista sub-11 quando chamou a atenção de olheiros do país inteiro.
Estava por acertar com o Inter quando uma troca de gestão fez alguns profissionais irem para o Grêmio. Acabou do outro lado de Porto Alegre. Fez toda a base em Eldorado do Sul e foi alçado ao profissional. Nesse período, passou por todas as categorias da seleção brasileira.

Experiência com a amarelinha
Ele era o titular do Sul-Americano sub-20 de 2019, e seus reservas eram Hugo Souza, hoje no Corinthians, e Gabriel Brazão, do Santos. A geração ainda tinha Rodrygo (Real Madrid), Vitão (ex-Inter) e Tetê (de volta ao Grêmio).
Esteve até na Seleção principal, quando Tite convocava algum guri para pegar experiência. A sua foi o Superclássico das Américas, disputado na Arábia Saudita, título brasileiro com vitória por 1 a 0 sobre a Argentina.
— Sempre joguei na Seleção, em todas as categorias. E fiz toda a base no Grêmio, dos 13 anos ao profissional. Foi um privilégio fazer parte da Seleção e de um time grande. Quem sabe agora volto para o Brasil, pego um time bom, faça bons jogos e possa voltar para a elite — comentou o goleiro, em conversa exclusiva a Zero Hora.
Sempre joguei na Seleção, em todas as categorias

Giro pelo Exterior
Para voltar à elite, decidiu sair do Exterior. Em sua avaliação, o período no Japão e nos Estados Unidos o fez cair no ostracismo. Considera que são lugares bons, de ótima moradia, mas os campeonatos são pouco competitivos. Agora quer ficar no Brasil e, para isso, está ouvindo propostas, que chegaram em menor número do que se poderia prever.
— Não trabalho com empresário. Assino a parceria depois que algum me trouxer uma proposta. Deixo aberto — explicou.
Na próxima semana, terá uma reunião para avaliar uma oferta. Clubes das séries B e C demonstraram interesse, mas nenhuma negociação avançou.

União entre goleiros
Além de voltar a trabalhar em um clube, quer mais minutos. Sua posição é das mais difíceis. Um time pode ter três, quatro, cinco zagueiros, quatro laterais, sete meias, três atacantes. Mas só tem um goleiro. E apesar disso, costumam ser a classe mais unida do futebol. Como?
— Entendemos os momentos do outro. E temos de estar com a cabeça boa, nosso treino é sempre mais forte. O reserva precisa estar sempre pronto. E é o que estou fazendo agora, me preparando para quando tiver oportunidade — respondeu.
Espero um dia voltar para o Grêmio, é um clube com o qual me identifico

E o futuro?
Ele não esconde, também, o que espera que a nova oportunidade propicie:
— Fui titular em toda a base do Grêmio até subir para o profissional. Pude jogar com (Marcelo) Grohe, que era um espelho. Aquela experiência foi maravilhosa, estar com quem só víamos jogar na Arena. Foi um sonho conviver com aquele time campeão. Espero um dia voltar para o Grêmio, é um clube com o qual me identifico. Passei boa parte da vida ali, era minha casa. Sonho em estar na Seleção, já estive lá uma vez, poderia retornar. Quem sabe um dia volto?
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