
Durante os seis anos da passagem pelo Grêmio, o zagueiro Bressan viveu uma montanha-russa dentro de campo. O ápice foi o título da Libertadores de 2017, quando foi titular no jogo da volta. O capítulo mais difícil veio nas semifinais da Libertadores de 2018, contra o River Plate. Mesmo assim, o jogador garante ter mais lembranças boas de Porto Alegre.
No CRB desde fevereiro, Bressan vive uma de suas melhores fases na temporada. Após a chegada do técnico Fábio Matias, o jogador voltou a ser escalado como titular e tem atuado como capitão da equipe. Neste período, a equipe alvirrubra soma um empate e quatro vitórias em sequência. São três gols sofridos e oito marcados, sendo dois de Bressan, justamente nos dois últimos jogos.
No time alagoano, o zagueiro chegou com o aval do antigo treinador, Eduardo Barroca, com quem trabalhou no Avaí, e dividiu os gramados com Wallace, novo defensor do Grêmio. Com a família adaptada a Maceió, ele sonha em levar a equipe ao tão sonhado acesso à Série A do Brasileirão. Atualmente, o CRB ocupa a sétima colocação, a um ponto do G-6.
Em entrevista exclusiva à Zero Hora, Bressan relembrou momentos que viveu no Grêmio e comentou sobre a nova fase da carreira, mais experiente, no time nordestino.
Campeão da Libertadores
Na conquista do título em 2017, Bressan era um dos reservas da dupla Geromel e Kannemann. O argentino foi suspenso para o jogo da volta contra o Lanús, fora de casa. Durante a semana, houve um mistério para definir o substituto, mas Renato Portaluppi deixou claro a Bressan que ele começaria a partida.
— Lembro da gente indo para o jogo, o Luan botando a caixinha de som dele. Na hora de entrar no estádio, a gente teve que passar em um corredorzinho meio por fora, que já tinha a galera deles nos xingando. A gente estava aquecendo dentro do estádio, começou a tocar uma banda de rock e apagaram as luzes. A torcida do Grêmio cantava e a do Lanús também — contou o capitão do CRB, que admitiu ter sentido nervosismo durante o jogo na Argentina.

Após vencer a ida na Arena por 1 a 0, o Tricolor derrotou o Lanús por 2 a 1 na Argentina. Bressan foi titular e esteve em campo até os 38 minutos do segundo tempo. Nas memórias daquele que foi o auge de sua carreira, o atleta lembra com carinho do apoio dos torcedores, que fizeram do Estádio "La Fortaleza" a casa da torcida tricolor.
— Acabou sendo uma festa tricolor. A gente escutava só a torcida do Grêmio cantar. Os torcedores do Lanús apoiaram, mas eles entenderam que naquele dia não teria como. Mas lembro muito da torcida do Grêmio cantando e a gente jogando com prazer, porque sabíamos que seríamos campeões — contou.
O vilão contra o River Plate
Há quem diga que o Grêmio de 2018 jogava melhor em relação ao time de 2017. Ao vencer o clube argentino, em Buenos Aires, por 1 a 0, o Tricolor voltou confiante para a partida na Arena. A sensação de disputar mais uma final da Libertadores ficou mais próxima ainda quando Leonardo Gomes abriu o placar em Porto Alegre.
No segundo tempo, Bressan entrou em campo aos 24 minutos e de cara recebeu um cartão amarelo. O River Plate empatou aos 36, mas o resultado ainda classificava o Grêmio. Contudo, aos 41 minutos, o zagueiro colocou a mão na bola dentro da área, foi expulso e viu Pity Martínez converter o pênalti da classificação argentina. O defensor deixou o campo chorando.
— Foi difícil, em primeiro lugar, pessoalmente, porque eu trabalhava muito para ajudar. E segundo, porque as coisas transcendem e saem da gente, para familiares, e nós começamos a ver os familiares chateados, sabendo que as coisas estão chegando só que eles não querem falar para nos proteger. Isso foi a coisa que mais me marcou, que mais me deixava para baixo — lembrou Bressan que completou:
— Na época, eu não tinha filhos. Pelo menos eu não sofri desta maneira, que eu tenho certeza que seria mais difícil.
Após deixar o Grêmio, no fim de 2018, o zagueiro passou por Dallas (Estados Unidos), Avaí, Nantong Zhiyun (China), OFI (Grécia) e Chapecoense, até chegar ao CRB.
Próximos passos
Aos 33 anos, Bressan admite estar no fim da carreira, mas não projeta quando irá pendurar as chuteiras. No momento, o foco é o jogo contra o Novorizontino, que será disputado no domingo (16), pela 22ª rodada da Série B. Uma vitória pode levar o CRB ao G-6 e aproximar o time da Série A, que é o principal objetivo da temporada.
Mesmo distante do Rio Grande do Sul, ele segue na torcida pelo Grêmio e acompanha os jogos da equipe. Entre os episódios que marcaram sua passagem pelo clube, escolhe lembrar das conquistas e das amizades construídas no Grêmio.
— Eu tenho um carinho gigantesco pelo clube, pela torcida, pelas pessoas que eu convivi. Eu acho que me fez ser uma pessoa melhor, principalmente, de abrir minha cabeça para coisas que depois eu vivi no futuro, também, dentro da minha profissão. Não dá para ter um sentimento ruim. Mesmo com os momentos difíceis, eu acho que foi a casca que eu precisava para amadurecer em aspectos da minha vida profissional e pessoal — concluiu Bressan.
Jogo rápido
Melhor zagueiro
- Geromel.
Craque que jogou junto
- Maicon, pela questão técnica e pela liderança.
Melhor amigo no futebol
- Ramiro, Alex Telles e Follmann.
Atacante mais difícil de marcar
- Guerrero, nos tempos de Corinthians.
Jogador mais engraçado que jogou junto
- Cortez, Edinho e Pará, a lista é longa (risos).
Melhor treinador
- Renato Portaluppi e Eduardo Barroca.
Pior momento da carreira
- A saída do Grêmio.
Melhor momento da carreira
- A conquista da Libertadores.
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