
Era uma sexta-feira de manhã quando, depois de idas e vindas e de uma pequena novela, o Grêmio anunciou como reforço um zagueiro de 25 anos, vindo do Atlas, do México. Ninguém é capaz de prever o futuro, e não havia como saber. Mas, naquele 15 de julho de 2015, exatamente 10 anos atrás, chegava um jogador que entraria para a história do clube: Walter Kannemann.
O defensor de 1,85m, natural de Concepción del Uruguay, uma cidade localizada a cerca de 300 quilômetros ao norte de Buenos Aires, não era um desconhecido da torcida gremista. Em 2014, dois anos antes, havia conquistado a Libertadores pelo San Lorenzo, eliminando o Grêmio nas oitavas.
Chegou com status de candidato a "xerife", e com a necessidade de resolver os problemas defensivos do Grêmio. À época, o time sofria com as bolas paradas dos adversários.
Na apresentação, mostrou ser um "operário". Mesmo com título importante no currículo, evitou falar em conquistas:
— Estou muito orgulhoso em pertencer a essa equipe. Vamos ser realistas, o Brasil tem muitos atacantes rápidos. Vou tentar me sobrepor às habilidades deles, e complicar a vida deles — afirmou.

O tempo provou que a cautela seria um certo exagero. E que isso aconteceria muitas e muitas vezes nos próximos anos.
Título no primeiro ano e lugar na história do clube
A chegada de Kannemann ao Grêmio seria a peça que faltava para o ajuste do setor defensivo. Mas, mais do que isso, representou o acréscimo de um jogador que virou liderança imediata.
Presidente do Grêmio na época da contratação de Kannemann, Romildo Bolzan Jr., exaltou exatamente essas características do defensor:
— Deixou sua marca, uma personalidade própria no clube. Decisivo e decidido — apontou.

Logo na primeira competição importante que disputou, a primeira taça. Com 4 a 2 no placar agregado na final da Copa do Brasil de 2016, ajudou a tirar o Grêmio de uma "fila" que durava 15 anos.
Ao lado de Geromel, inaugurou uma "tradição" que se repetiria em outros títulos. A foto com os dois zagueiros beijando a taça recém conquistada.
E não demoraria muito para acontecer de novo. Menos de um ano depois, o Grêmio venceu duas vezes o Lanús na final da Libertadores para conquistar o tricampeonato da América. O título, em 29 de novembro, colocou Kannemann de vez na história do clube.

Presidente do clube à época, Romildo fez questão de exaltar a importância do jogador nas campanhas:
— Foi de muita valia. Importantíssimo nos títulos — resumiu.
Longevidade
A estreia de Kannemann foi justamente na Copa do Brasil, contra o Athletico-PR, fora de casa, no primeiro jogo daquela campanha. Desde então, fez 345 jogos com a camisa do Grêmio.
Kannemann é o jogador do Brasileirão que está há mais tempo em um mesmo clube. E a presença do argentino ainda será uma constante: a última renovação vai até o final de 2027.
Com a camisa tricolor, marcou cinco gols e deu sete assistências. Além dos títulos da Copa do Brasil de 2016 e da Libertadores de 2017, venceu a Recopa Sul-Americana de 2018 e oito campeonatos gaúchos (de 2018 a 2024, e a última edição, em 2018).
Kannemann é o segundo estrangeiro com mais jogos com a camisa do Grêmio. Atrás apenas de Atílio Ancheta, com 428 partidas, e à frente de outro campeão da América, Hugo de León (242).
Mas o temperamento nem sempre ajudou o Grêmio. São 13 expulsões ao longo dos 10 anos, e 144 cartões amarelos.

Lesões e Série B
No entanto, não foram 10 anos de bons momentos. Kannemann amargou, no Grêmio, o rebaixamento para a Série B, em 2021. Ao longo do ano seguinte, conviveu com lesões que o deixaram fora de muitas partidas na tentativa de retornar à elite.
O momento mais difícil, em termos físicos, foi vivido entre 2024 e 2025. Por problema no quadril, Kannemann chegou a ficar quase 200 dias sem atuar.
Na temporada atual, ficou 11 dias fora, por problemas musculares. No último jogo, na vitória em amistoso contra o Cruzeiro, começou entre os titulares. O defensor foi substituído aos 25 do segundo tempo, por Luis Eduardo.
Números de Kannemann no Grêmio
- 345 jogos
- 5 gols
- 7 assistências
- 144 cartões amarelos
- 13 expulsões
Principais títulos
- Copa do Brasil (2016)
- Libertadores (2017)
- Recopa Sul-Americana (2018)
- 8 Campeonatos Gaúchos (2018, 2019, 2020, 2021, 2022, 2023, 2024 e 2026)



