
Um fiasco histórico, quase sem precedentes, deu um tom ainda mais cruel para a eliminação do Grêmio na Copa Sul-Americana. Nenhum alto-falante da Arena conseguiu abafar as vaias ao time e as ofensas a Luís Castro após a derrota para o Bolívar por 1 a 0 na Arena na noite de quinta-feira (30).
Renato Portaluppi teve o nome gritado. O fim da participação na competição continental aumentou a pressão nos bastidores do clube, mesmo que a direção não dê sinais de realizar mudanças no comando da equipe.
O retrospecto do adversário no Brasil dá indícios do tamanho da derrota. Em 23 jogos da equipe de La Paz no País, a vitória sobre o Grêmio foi apenas a segunda na história. A cena que traduz a pressão vai além das arquibancadas. O silêncio e a decepção visível na área das famílias dos jogadores resume melhor o impacto da eliminação.
Enquanto o presidente Odorico Roman e o deparamento de futebol estavam reunidos com a comissão técnica no vestiário da Arena, a zona mista da Arena fervia. Jornalistas procuravam os dirigentes. Profissionais da gestão do estádio e da Conmebol aguardavam informações.
Um dirigente próximo da gestão garantiu que a posição pela manutenção do trabalho de Castro passa fundamentalmente pelo projeto da atual gestão. Um membro do departamento de futebol resumiu a situação.
— O contexto do futebol muda. É trabalhar e acreditar — projetou.
O vice de futebol Rafael Lima, em entrevista na zona mista, defendeu a continuidade do trabalho atual.
— A permanência se justifica pelo trabalho que a gente acompanha. É óbvio que isso não se reflete nos resultados. Temos o dia a dia e vemos evolução. Infelizmente, o resultado ainda não chegou. O que mantém o técnico é o trabalho — disse.
Pressão no ambiente
Dirigentes ouvidos por Zero Hora na zona mista do estádio lamentaram que a pressão no ambiente aumentou novamente. E desta vez, depois de outras decepções, o crescimento é exponencial. Em sua entrevista, Castro tentou proteger os jogadores e abraçou toda a responsabilidade pelo momento.
— É um sentimento de tristeza e de revolta interior. Os números da estatíticas não contam nada quando perdemos. Tivemos um jogo que deveriamos ter vencido. Eles indicam pra mim quando sou treinador. Procuramos o gol o tempo todo. Aa vaias são para mim, não para os jogadores — comentou.
A expectativa por uma reviravolta passa pelo resultado da eliminatória da Copa do Brasil contra o Mirassol. Outra decepção pode tornar a crise em uma situação irreversível.
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