
Quando a bola rolar para Grêmio x Santos, neste sábado (23), às 19h na Arena, um jogador em especial vai ter a chance de atuar com a pressão menor do que a enfrentada nos últimos meses.
Isso porque o gol no meio da semana, diante do Palestino, pode devolver a confiança a Pavon. A esperança é de que o antigo atacante, agora lateral, vire de vez a página para começar a escrever uma nova história no time de Luís Castro.
O golaço de fora da área que decretou a vitória gremista por 2 a 0 na Sul-Americana, na quarta-feira (20), encerrou um longo jejum. Na última vez em que Pavon balançara as redes pelo Tricolor, Gustavo Quinteros ainda era o treinador.
Foi em 11 de fevereiro do ano passado, na goleada por 5 a 0 sobre o Pelotas, pelo Gauchão, quando marcou duas vezes. Foram 65 jogos de "seca".

Mas outra janela de mais de 365 dias ajuda a ilustrar melhor a resiliência de Pavon. E, coincidentemente, envolvem dois jogos pela Sul-Americana, vencidos pelo Grêmio por 2 a 0 na Arena.
Na vitória sobre o Atlético Grau, em abril do ano passado, Pavon foi muito criticado. Foi vaiado pela torcida ainda com a bola rolando, passou reto na zona mista e ignorou pedidos de entrevista dos repórteres. Deixou a Arena em completo silêncio.
Ali, o ciclo de Pavon no Grêmio parecia acabado. Imaginava-se não haver mais clima ou espaço para atuar. Em silêncio e, especialmente após a chegada do novo treinador, o argentino encontrou a brecha para ressurgir em nova função.
No vídeo dos bastidores da vitória sobre o Palestino, publicado pelo Grêmio no YouTube, um momento ajuda a entender a situação vivida por Pavon. Após a partida, o jogador entra no vestiário e, imediatamente, vai abraçar a psicóloga do clube, Marisa Santiago.
Questionada pela reportagem de Zero Hora sobre como funciona o trabalho com os atletas, a psicóloga destacou que é algo conjunto, e não exclusivo com um ou outro jogador.
— Os atletas estão fazendo o melhor deles, mas são pessoas, são seres humanos. O Pavon é uma pessoa fantástica, um atleta muito comprometido com a tarefa dele. É um abraço de "estamos juntos" — afirmou.
Além do gol, o jogador também teve boa atuação contra o Palestino. Na entrevista coletiva após a partida, o técnico Luís Castro fez questão de ressaltar o trabalho feito pelo agora lateral, mesmo nesses momentos difíceis:
— O que posso dizer sobre o Pavon? Posso dizer que nós nunca devemos desistir. Por mais pressionados que estejamos ao longo das nossas vidas, devemos ser resilientes e continuar o nosso caminho.
A mudança de posicionamento

Foi sob o comando de Luís Castro, ainda no Gauchão, que o novo posicionamento de Pavon transformou as atuações do jogador. Contra o Juventude, foi deslocado durante a partida. Depois, ainda em fevereiro contra o Atlético-MG, pelo Brasileirão, começou uma partida pela primeira vez na função.
Para Cristiano Munari, comentarista da Rádio Gaúcha, a decisão de Luís Castro passa por uma série de fatores. Entre eles, a dificuldade do treinador em encontrar laterais no elenco.
— O Pavon, nos últimos anos, vinha sendo um ponta que ganhava confiança de seus treinadores muito mais pela entrega defensiva. Hoje, ele primeiro marca, e depois ataca — explica ele.
O posicionamento médio de Pavon ajuda a entender um pouco como ocorreu a mudança de postura. Em 2025, o setor ofensivo aparece mais "povoado", como indica o mapa de calor abaixo. A presença no ataque, no entanto, não é tão constante.

Defensivamente, no entanto, a situação muda. No mapa de calor médio da atual temporada, uma concentração defensiva maior pela direita. O que ilustra a entrega do jogador nos jogos neste ano. Os dados são do Sofascore.

— Por mais incrível que possa parecer por se tratar de um atacante, o que Pavon melhor entrega na lateral é justamente a parte defensiva. Acredito que possa seguir como alternativa para a lateral mesmo depois de o Grêmio contratar um jogador da função no meio do ano — destaca Munari.
Contra o Santos (que mais uma vez não terá Neymar), pela 17ª rodada do Brasileirão, Pavon terá uma nova chance de provar seu valor. Outra boa atuação em casa pode selar de vez as pazes com a torcida e encaminhar um novo momento na passagem do resiliente lateral do Tricolor.
O que diz a torcida
A "voz da torcida" corrobora com a opinião. Para a comentarista identificada com o Grêmio do Grupo RBS, Queki, Pavon é o "menor dos problemas" do Grêmio atualmente. E que a "entrega" do atleta tem feito a diferença ao seu favor.
— É um jogador que sempre deixa tudo o que pode em campo. Inclusive, joga em uma posição que não é a dele justamente para ajudar. Pavon é um dos poucos jogadores que teve rejeição uma absurda e, ainda assim, conseguiu dar a volta por cima. É muito resiliente, e o torcedor reconhece seu esforço — afirma ela.
Os números de Pavon em 2026 (somando todas as competições)
- “Resiliente”, Pavon se reinventa no Grêmio de Luís Castro e tenta confirmar volta por cima contra o Santos
- 27 jogos (24 como titular)
- 2.133 minutos em campo
- 1 gol marcado
- 1 assistência
- 5 cartões amarelos
* Site O Gol





