
O Grêmio repaginou o elenco em 2026. Foram 22 saídas de jogadores, sendo nove rescisões, dez empréstimos, uma venda, uma devolução e um contrato não renovado. O que esse combo significou nas finanças do clube? A reportagem teve acesso aos valores.
O custo para fazer os rompimentos de contratos chega a R$ 49 milhões. Esse dinheiro não foi gasto à vista. As negociações com os jogadores variam entre 12 e 30 parcelas. Isso porque os contratos em vigor tinham diferentes prazos — grande parte deles com término ao final deste ano e de 2027.
Os valores rescisórios somados geram hoje uma "folha paralela" que passa da casa dos R$ 2 milhões, e irá se diluindo até zerar ao final do último mês desta gestão.
Saldo milionário
Por outro lado, a saída destes atletas representa uma projeção de economia significativa. Caso os nove contratos fossem cumpridos, o custo total chegaria a R$ 95 milhões. Ou seja, a diferença é de R$ 46 milhões entre o que o clube gastaria em salário e o que arcará com indenizações.
Entre os nove que tiveram o contrato interrompido, houve três tipos de situações. A mais tranquila foi a do zagueiro Rodrigo Ely. O atleta, que passou a temporada de 2025 no departamento médico em recuperação da lesão ligamentar, abriu mão de indenização e voltou ao Almería, da Espanha.
A situação mais crítica foi a do volante Cuéllar. O colombiano, que fez apenas 19 jogos pelo clube, não aceitou renegociar valores. Com salário que passava de R$ 1 milhão, vai receber indenização total perto de R$ 16 milhões (tinha contrato até dezembro de 2026). Atualmente está no Deportivo Cali.
Nos outras sete rescisões, houve negociações que reduziram as multas previstas por quebra de contrato. Foram os casos do goleiro Tiago Volpi, do zagueiro Jémerson, do lateral Lucas Esteves e dos meio-campistas Carballo, Edenilson, Mila e Cristaldo.
Para repor algumas saídas, a gestão do presidente Odorico Roman Grêmio foi às compras. Investiu cerca de US$ 20 milhões (em torno de R$ 100 milhões) para comprar os volantes Nardoni e Perez, o atacante Enamorado e o meia Tetê — este a aquisição mais cara da história do clube: R$ 40 milhões. Weverton e Caio Paulista vieram sem custo. Além disso, o técnico Luís Castro promoveu nove guris da base, chegando a 34 atletas no grupo profissional.
A folha salarial com o elenco aumentou de R$ 21 milhões para R$ 23 milhões por mês, incluindo Luís Castro e a comissão técnica. Isso porque, além dos reforços, gatilhos foram ativados aumentando os gastos.
Para o segundo semestre, outras saídas e chegadas são projetadas. Um lateral e um meia devem ser buscados. Uma grande venda é cogitada, algo parecido com a de Alysson, negociado com o Aston Villa-ING e que rendeu cerca de R$ 60 milhões. O certo é que o orçamento prevê uma redução do gasto mensal em R$ 5 milhões.
Confira as 22 saídas do Grêmio em 2026:
Rescisões (jogadores que tinham mais tempo de contato e clube fez acordo para viabilizar a saída)
- Tiago Volpi
- Jemerson
- Lucas Esteves
- Felipe Carballo
- Cuéllar
- Edenilson
- Mila
- Cristaldo
- Rodrigo Ely
Empréstimos (jogadores que ainda têm contrato vigente com o Tricolor)
- Adriel - AVS-POR
- João Lucas - Remo
- Camilo - Chapecoense
- Ronald - Fortaleza
- Arezo - Peñarol-URU
- Jardiel - Novorizontino
- Aravena - Portland Timbers-EUA
- Cristian Olivera - Bahia
- Jorge - Ceará
- Mayk - Remo
Devolvido
- Enzo - CSA-AL
Fim do empréstimo
- Alex Santana - Corinthians
Venda
- Alysson Edward - Aston Villa-ING



