
Se antes eram considerados fundamentais para o desenvolvimento de uma equipe, a figura do camisa 10 — o meia mais clássico, que atua centralizado e distribui o jogo para os atacantes — vem perdendo espaço no Grêmio de Luís Castro.
O português é adepto de um esquema com maior poder de marcação no meio-campo e com pontas que se juntam às subidas dos laterais ao ataque, com o objetivo de servir o homem de área. Ou seja, existe menos espaço para que um meia centralizado seja opção.
Nesta temporada, jogadores com essas características ainda não conseguiram desempenhar em alto nível. Willian, Monsalve e Riquelme, atletas que poderiam exercer essa função, acabam não correspondendo positivamente quando são utilizados mais pelos lados do que de forma centralizada.
Desempenho dos meias
Willian
O lesionado Willian herdou a camisa 10 deixada por Cristaldo, mas suas atuações geralmente ocorrem pelos lados. Na temporada, ele já acumula 16 jogos, duas assistências e nenhum gol marcado. Os passes para gol aconteceram apenas no Gauchão. Em seis participações no Brasileirão, esse quesito ainda está zerado.
Monsalve
Outro atleta com características de meia é Monsalve. O colombiano soma 11 jogos na temporada, com um gol marcado, ainda no Gauchão. No Brasileirão, já foram cinco jogos como titular em um total de seis participações, mas ainda sem gols ou assistências.
Riquelme
Riquelme, também por característica, poderia ser uma opção para Luís Castro. Aliás, o jovem de 19 anos já foi utilizado recentemente. Na derrota para os uruguaios do Torque, foi titular, mas atuou pela esquerda em uma linha de três volantes. A atuação do camisa 65, assim como a de toda a equipe, ficou abaixo do esperado.
Outras opções
Outros atletas poderiam ser opções, mas dificilmente ganham essa oportunidade. Salvo em alguns momentos das partidas, Tetê e Gabriel Mec até conseguem construir jogadas por dentro, mas acabam caindo pelos lados em uma formação com três volantes. Mec acumula uma assistência na temporada, registrada no Gauchão, enquanto Tetê tem um gol anotado no Brasileirão.
Apesar de contar com atletas que possuem características para atuar mais próximos dos volantes, mas com o objetivo de aumentar o poder de criação do time, as escolhas do treinador estão baseadas no conceito de que as posições no trio de meio-campo sejam ocupadas por jogadores com maior capacidade de marcação.
— O futebol evoluiu. Hoje, não existe mais espaço para um camisa 10 que não participe do momento defensivo. Atacar é arte, mas defender também exige muita complexidade — disse Luís Castro em entrevista coletiva no início da temporada.
Dentro desse raciocínio, um meio-campo considerado ideal para o treinador é formado por atletas como Noriega, Arthur e Nardoni. Com esses três jogadores de marcação, os laterais precisam se juntar aos pontas na construção de jogadas ofensivas.
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