
Fones nos ouvidos. Mascando um chiclete sem compromisso. Gabriel Mec arregalou os olhos em sinal de atenção pelo som que ouvia.
— Gol. Goooooool! Sabe de quem? Do Mec. Tá surgindo um craque aqui na Arena — profetizou Pedro Ernesto Denardin na narração do gol.
Mec abriu um sorriso tímido enquanto Pedro desfilava palavras para descrever o seu primeiro gol como profissional.
— Estou muito feliz. É inexplicável, ainda mais na voz do homem, é melhor ainda — comentou, com um fio de voz que mal dava para ouvir a menos de dois metros de distância.
Nas mãos, ele segurava o troféu de melhor em campo no 1 a 0 sobre o Coritiba, neste domingo (26). A abertura na contagem de gols da carreira começou aos 18 anos, antes de tirar a carteira de motorista. Mais do que um gol, a atuação na Arena foi uma confirmação.
Ouça o gol narrado pela Rádio Gaúcha:
Boa parte das oportunidades recebidas no time principal foram atuando pelo lado do campo. A posição de Mec sempre gerou debate desde os tempos de base. Alguns, o queriam pelo flanco. A maioria, por dentro, como um camisa 10, inclusive pessoas muito próximos do jovem.
A concorrência de Monsalve e Willian dificultou o espaço como meia no time de Luís Castro. Foi preciso atuar com outro posicionamento até as chances definitivas surgirem.
— No meio, tenho mais espaço. Tenho facilidade para sair dos dois lados. É muito bom jogar ali — destacou.
Trabalhos realizados fora do clube com uma comissão multidisciplinar também indicaram a preferência para atuar por dentro. Além da parte técnica e tática, o grupo trabalha aspectos físicos, cognitivos e nutricionais.
— Ele trabalhou muito ao longo do jogo. É sempre marcante alguém como ele ter esses momentos, da confiança e consolida mais a equipe — enfatizou Castro.
A consolidação de Mec coincide com um momento de baixa de Monsalve. O colombiano não foi relacionado para a partida. Perdeu espaço também para Riquelme, outro jovem da base. Além dos dois, o lateral Pedro Gabriel é outro guri da base com espaço nas partidas mais recentes.
— O Riquelme está mais pronto hoje. Não existe nada com Monsalve. Olho para base como olho para todos. Vamos continuar a olhar. Não temos bolso para ir ao mercado. O projeto privilegia isso — explicou Castro.
Depois de tirar os fones para ouvir o gol na voz do Pedro Ernesto, Mec concedeu outras entrevistas antes de sair de carona na Arena. Ainda há muitos gols por marcar e uma carteira de motorista para tirar.
Assista à entrevista de Gabriel Mec na Rádio Gaúcha:
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