
Adversários neste sábado (18), em Vasco x São Paulo, pelo Brasileirão, Renato Portaluppi e Roger Machado compartilham uma relação construída ao longo de décadas. E essa conexão entre os dois tem o Grêmio como ponto de origem — e também como elo mais forte.
Hoje técnicos, os dois já dividiram o vestiário e viveram experiências em diferentes funções dentro do futebol. Em comum, carregam passagens marcantes pelo Tricolor, onde tiveram conquistas importantes, ainda que em épocas distintas.
As marcas dos jogadores
Renato é para muitos o maior ídolo da história gremista. Com a camisa 7, foi decisivo nos títulos da Libertadores e do Mundial de 1983.
Roger, por sua vez, integrou a geração vitoriosa dos anos 1990, acumulando taças e consolidando seu nome como um dos laterais mais importantes do clube.
Mesmo separados por mais de uma década, chegaram a atuar juntos. Em 1995, na Copa dos Campeões Mundiais, estiveram em campo na vitória por 2 a 0 sobre o Flamengo, em Brasília. Foram apenas 33 minutos lado a lado, em uma participação especial do atacante, mas suficientes para marcar o início de uma convivência que se estenderia por outros capítulos.
Ainda que tenha participado de grandes conquistas, é fato que Roger não está na mesma prateleira de Renato no museu do Grêmio. Além de não ter o mesmo protagonismo que Portaluppi, Roger "se queimou" com parte da torcida ao treinar o Inter, entre 2023 e 2024. Porém, é inegável que ambos trouxeram alegrias aos gremistas.
Chuteiras penduradas, parceria estendida
A relação também passou pela hierarquia de treinador e jogador. Em 2007, Roger foi comandado por Renato no Fluminense e teve papel decisivo na conquista da Copa do Brasil, marcando um dos gols da final contra o Figueirense — o primeiro título da carreira do então técnico.
Anos depois, em 2011, os caminhos voltaram a se cruzar no Grêmio. Desta vez, Roger integrou a comissão técnica de Renato, em uma parceria que buscava recolocar o clube na disputa da Libertadores.
O vínculo de confiança, porém, deu lugar a uma troca simbólica de bastão em 2016. Após a saída de Roger em meio a um momento de instabilidade, Renato retornou ao comando gremista e conduziu a equipe ao título da Copa do Brasil naquele mesmo ano.
Estilos diferentes, admiração recíproca

Apesar de trajetórias que se entrelaçam, os estilos são distintos. Renato construiu a carreira apoiado na gestão de grupo e na intuição de boleiro. Roger seguiu um caminho mais teórico, com ênfase em estudo e metodologia. Diferenças que nunca abalaram a relação de respeito entre eles.
— Sou uma das pessoas que ficam mais à vontade para falar sobre o Renato. Os times do Renato sempre jogaram para frente. Pegar um livro para estudar não me torna melhor. Cada um sabe como melhorar. Talvez o Renato veja mais jogos do que eu ou tenha uma capacidade maior de entender o jogo do que nós, que estudamos. Ele tem uma sabedoria tão grande que levo até hoje a forma que ele gere o vestiário — disse Roger, em entrevista ao jornalista Luciano Potter há alguns anos.
— Ele é bom técnico. Gosto muito dele. Tive o prazer de ser treinador dele lá no Fluminense, ter convivido com ele. Mesmo quando ele estava jogando no Grêmio, ele foi um grande jogador. Jogou muito. E torço muito por ele nessa profissão — disse Renato, em entrevista exclusiva para ZH em 2024.
Reencontro dos gaúchos
Neste sábado, a partir das 18h30min, estarão em lados opostos mais uma vez, assim como foi quando Roger migrou para o lado vermelho do RS. No histórico do embate entre os dois, o equilíbrio é a marca: em 13 encontros, são cinco vitórias para cada lado e três empates.
O reencontro agora é pelo Brasileirão, no Rio de Janeiro, com ambos em fase inicial de trabalho por seus respetivos clubes e já com certa pressão. Trata-se de um novo capítulo dessa história que começou em Porto Alegre, marcou época no Grêmio e atravessa gerações.
Produção: Leo Bender



