
Ao decidir deixar o Milan, em 2010, Ronaldinho viveu mais um momento conturbado da carreira. O craque abriu conversas com o Grêmio, mas acertou com o Flamengo no seu retorno ao Brasil. Um assunto mal resolvido para os torcedores gremistas até hoje. Irmão e empresário, Assis afirmou que tinha certeza do sucesso em Porto Alegre.
O destino, no entanto, foi o Rio de Janeiro e o acerto com o Flamengo. A declaração do irmão do craque está no documentário sobre Ronaldinho, lançado nesta quinta-feira (16) na Netflix, que recapitula os bastidores das negociações.
— Eu entendi que era o momento perfeito para a volta para o Grêmio. Tinha certeza que seria um sucesso estrondoso — disse Assis.
Segundo Assis, a "confusão" começou em coletiva de imprensa realizada na Itália, quando Adriano Galliani revelou preferência por negociar Ronaldinho com o Flamengo.
— Marcamos uma conferência de imprensa que era simplesmente para dizer que eles estariam liberando o Ronaldo. E no meio da conferencia o senhor Galliani solta uma frase que no Brasil ele era Flamengo porque era vermelho e preto como o Milan. Imagina a confusão para cima de mim. Todos achando que eu já tinha um acordo com o Flamengo, por uma frase — comentou o empresário.
As negociações se desenrolaram entre dezembro de 2010 e os primeiros dias de janeiro de 2011. O Palmeiras, à época treinado por Felipão, também fez proposta pelo atacante.
Ao deixar a Itália, Ronaldinho e Assis se hospedaram no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Milhares de torcedores do Flamengo foram até o local para recepcionar o craque, animados pelas palavras de Galliani.
— Tinha 3 mil flamenguistas ou mais embaixo do hotel. Quando o Ronaldo vai na sacada do hotel e vê aquela multidão... Caraca, bixo. O filho dele pequeno, no Rio de Janeiro... Mas mesmo assim nós não tínhamos nada — garantiu Assis.
A versão do Grêmio

Em Porto Alegre, o Grêmio terminava de redigir o contrato. No antigo estádio Olímpico, caixas de som chegaram a ser instaladas para uma festa que celebraria o retorno de Ronaldinho Gaúcho ao clube que o formou.
— Aparece o Assis e faz uma exigência. Tinha uma história, um dinheiro, uma dívida, uns R$ 12 milhões, uma dívida questionada na rescisão com o Milan. De repente, o Assis estava querendo incluir isso — contou no documentário o presidente do Grêmio na época, Paulo Odone.
Assis rebateu a declaração:
— Todos sabiam que ele ainda tinha contrato com o Milan. Tinha mais seis meses de contrato. Eu estava trabalhando para que ele saísse a custo zero.
Odone concluiu:
— Assis, nós já discutimos tudo isso, nós já encerramos tudo isso. Tu sabe que nós estamos adiante do suportável financeiramente para fazer. Tem tudo aqui, uma fortuna, vai ganhar bem. Quer fazer mais? Não deu. Assis foi guloso demais.
O fim da novela

Em coletiva de imprensa em 8 de janeiro de 2011, Paulo Odone anunciou a desistência do Grêmio do negócio por Ronaldinho. No mesmo dia, a presidente do Flamengo, Patricia Amorim, informou ter um acordo verbal com os italianos para contratá-lo.
— Meus amigos todos eram flamenguistas e são flamenguistas até hoje. Eu já sofria a pressão dentro de casa. Todos os meus amigos: e aí, vai vim? — lembrou Ronaldinho, que ainda completou:
— No Rio de Janeiro, sempre tive vontade de morar, desde quando conheci o Rio de Janeiro, muito novo. E ali a possibilidade de jogar no Flamengo foi algo mágico.
Ronaldinho Gaúcho assinou com o Flamengo por três anos e meio. A ideia era permanecer até a Copa do Mundo de 2014. Em 2011, o jogador participou da conquista do Campeonato Carioca. Contudo, foi questão de tempo para que a relação com o técnico Vanderlei Luxemburgo e com a diretoria ficasse marcada por polêmicas extracampo.
A passagem pelo Flamengo foi encerrada em maio do ano seguinte, quando Ronaldinho ingressou com ação na Justiça do Trabalho. Depois, assinou com o Atlético-MG, onde foi campeão da Conmebol Libertadores de 2013.
Documentário
O documentário Ronaldinho Gaúcho tem três episódios. A produção, do diretor Luis Ara, mostra desde a infância do craque no Grêmio até o auge da carreira, com dois prêmios de melhor do mundo em 2004 e 2005.
A saída polêmica do Tricolor em 2001 também é abordada. O jogador deixou o clube formador de graça em meio a uma batalha jurídica por diferentes interpretações da Lei Pelé, que entrou em vigor naquele ano.
Com depoimentos inéditos de jornalistas e pessoas que conviveram com Ronaldinho, como Messi e Neymar, o documentário mostra altos e baixos da carreira do ex-atleta de 46 anos, entre eles, a prisão no Paraguai em 2020 pela entrada no país com passaporte falso.

