
Se nos Estados Unidos, o papai noel é chamado de "Santa Claus", um jogador brasileiro é o responsável por uma leve alteração no nome do bom velhinho. O atacante João Klauss, tem 29 anos e atua no futebol norte-americano desde 2023. Neste período, passou a ser conhecido como "Santa Klauss", responsável por dar aos torcedores um presente específico: gols.
E em 2026 isso tem sido recorrente. Na primeira temporada pelo Los Angeles Galaxy, um dos principais times dos Estados Unidos, o brasileiro soma seis gols e duas assistências em 10 jogos. Ele chegou ao país em 2023, quando foi uma das primeiras contratações do St. Louis, equipe que estreou na MLS (liga norte-americana) naquela temporada.
— Começaram a fazer essa brincadeira quando eu marcava gols, falavam que eu estava entregando presentes, e foi pegando. Pegou no St. Louis e acredito que a torcida do Galaxy está adotando também. É algo legal, carinhoso, sinto que é uma forma de demonstrar carinho por mim — disse Klauss.
Ambientado no país que sediará a Copa do Mundo deste ano, Klauss chegou a ser o segundo jogador da liga a vender mais camisas em seu primeiro ano, sendo superado apenas por Messi. Mesmo nunca tendo jogado profissionalmente no Brasil, ele guarda com carinho os momentos na base do Grêmio e garante ser um torcedor "doente".
"Rival" de Messi nos Estados Unidos
Nascido em Criciúma, Klauss deixou a base gremista em 2016 para jogar no profissional do São José. No ano seguinte, com apenas 20 anos rumou para a Alemanha, onde foi jogar no time B do Hoffenheim. Na Europa, teve de se adaptar com novos costumes e enfrentou dificuldades até ter domínio da língua inglesa.
— Eu acredito que o primeiro passo é sempre o mais difícil. Sair tão cedo como eu saí. Naquela época eu não falava inglês, não falava alemão, então a comunicação era muito difícil. Estava morando sozinho também, foi uma coisa complicada. Como a comunicação é difícil, tu acaba vivendo muito sozinho — revelou.
Entre empréstimos, o catarinense passou por times de Finlândia, Áustria e Bélgica. Em 2023, aceitou o convite para ser um dos principais nomes do St. Louis, time novato na liga. O impacto foi imediato, com o clube alcançando os playoffs da competição na temporada de estreia.

O carinho do torcedor foi tão grande que Klauss terminou o primeiro ano como o segundo jogador que mais vendeu camisas na MLS, sendo superado apenas por Messi, que chegou ao Inter Miami no mesmo ano. Na lista, o catarinense era o único brasileiro.
— Foi muito legal. Ficar atrás do Messi não é ruim, é uma competição um pouco injusta (risos) — brincou.
Pelo St. Louis, Klauss disputou 84 partidas, marcou 27 gols e deu sete assistências. Ele é o atleta com mais gols na história da equipe, que foi fundada em 2019, mas que disputa a MLS desde 2023.
O cara do time
Klauss foi anunciado pelo Los Angeles Galaxy no fim de janeiro. Em sua apresentação, disse que todo jogador que atua na MLS sonha em jogar na equipe, que é a maior campeã da competição com seis taças. Além disso, o clube costuma ter jogadores de renome internacional no elenco e já contou com David Beckham, Ibrahimović, Steven Gerrard, entre outros. Atualmente, o nome de maior destaque do grupo é o meia Marco Reus, ex-Borussia Dortmund e seleção alemã.
— Marco é um cara que tem uma qualidade incrível e que faz coisas que poucos conseguem fazer. Fora de campo é um cara muito tranquilo também, que ajuda todo mundo, um cara que troca experiência com os jogadores mais novos, que administra o grupo muito bem — comentou o brasileiro, que também tem a parceria dos compatriotas Gabriel Pec, ex-Vasco, e Matheus Nascimento, ex-Botafogo.

Klauss não demorou para cair nas graças do torcedor. Em seu primeiro jogo, deu uma assistência pela Concachampions. Na primeira rodada da MLS, precisou de apenas dois minutos para fazer o primeiro gol com a nova camiseta. Com apenas dois meses no time, ele foi eleito o melhor jogador do mês do clube em fevereiro e em março.
Após seis jogos desta temporada da MLS, o Galaxy soma apenas cinco pontos (uma vitória, dois empates e três derrotas) e ocupa a 12ª colocação da Conferência Oeste. Para chegar aos playoffs, o clube precisará ficar entre os oito primeiros após os 34 jogos da primeira fase.
O clube do atacante brasileiro também está vivo na Concachampions, competição que dá uma vaga no Mundial de Clubes de 2029. O time terá o Toluca pela frente nas quartas de final, com o jogo da volta a ser disputado em Los Angeles.
Gremista "doente"

O amor de Klauss pelo Grêmio vem de berço, já que a família é, em sua maioria, torcedora da equipe. Nas categorias de base, criou amizade com jogadores do elenco atual gremista, como é o caso de Arthur e Marlon. O segundo é chamado por ele de "família", principalmente pelo fato de conversarem quase todos os dias.
— Eu sou um gremista doente, assisto todos os jogos que eu posso. Às vezes estou no vestiário, antes dos jogos, e assisto os jogos do Grêmio no celular. É o time que eu amo, é o time que eu torço, que me projetou para o futebol. Só tenho gratidão pelo clube, pela experiência na base, pelas amizades que ficaram — contou Klauss, que admitiu ficar nervoso em dias de jogos do Grêmio.
Com contrato com o Los Angeles Galaxy até o fim de 2026, o atacante está feliz no clube e não pensa em deixar os Estados Unidos tão cedo. Mesmo assim, não esconde que uma eventual proposta do Grêmio pode balançar seu coração.
— É o único time no Brasil que realmente mexe com o meu coração e faria eu pensar em uma volta. Agora, minha família está muito adaptada fora, eu estou muito adaptado fora, e realmente não é a nossa ideia voltar. Mas, como eu disse, o Grêmio é o único time que realmente mexe com o coração, porque daí mexe com o coração da família — concluiu.
Tirar Klauss dos Estados Unidos não será fácil, tanto pela adaptação de sua família quanto pela grande fase no país. Faltam mais de oito meses para o Natal, mas o torcedor do Los Angeles Galaxy não precisa esperar até dezembro para receber seus presentes.

