
Ídolo de clubes como Bayern de Munique e Palmeiras, Zé Roberto revelou que um vício em videogame atrapalhou sua passagem pelo Real Madrid no início da carreira. Em entrevista ao ge.globo, o ex-jogador do Grêmio contou que as noites mal dormidas jogando Crash Bandicoot afetaram sua forma física e rendimento no clube espanhol.
Zé Roberto chegou ao time espanhol ainda jovem, aos 21 anos, pouco depois de se casar, muito antes de vestir a camisa da Seleção Brasileira em Copa do Mundo e de fazer história no futebol alemão. Era sua primeira experiência na Europa. Segundo ele, a rotina fora de campo acabou interferindo diretamente no desempenho nos treinamentos e nas partidas.
— O videogame me atrapalhou muito porque eu era molecão. Recém-casado, eu parecia um galo. Namorava o dia todo e, à noite, ia jogar videogame. Eu perdi toda a minha performance, chegava ao clube para treinar com olheira — afirmou.
O ex-jogador contou que a obsessão por “zerar” o jogo tirava seu sono e gerava estresse, o que também impactou sua alimentação e condicionamento físico.
— Eu queria zerar e não conseguia. Aí me dava fome de madrugada. Eu ia comer biscoito, depois vinha lanche, refrigerante… Fui ficando acima do peso sem perceber — relatou.
Zé Roberto atuou em apenas 21 partidas pelo Real Madrid antes de deixar o clube. Apesar da passagem curta, conquistou três títulos durante o período.
Anos depois, o ex-meia mudou completamente sua relação com o corpo e a preparação física. Ele conta que essa virada de mentalidade aconteceu durante sua passagem pelo Grêmio, em 2012, quando percebeu que a recuperação após os jogos já não era tão rápida. Ele ficou no Tricolor até 2014.
— Percebi que minha recuperação já não era imediata. Passei a investir mais em mim: alimentação, recuperação em casa, piscina, cuidados extras. No dia seguinte aos jogos, meus índices eram melhores que os de muitos mais jovens. Entendi que meu corpo era meu instrumento de trabalho. Passei a tratá-lo como uma máquina que precisa de manutenção diária — disse.
A mudança ajudou a prolongar a carreira de Zé Roberto, que atuou até os 43 anos. Ele se aposentou em 2017.
"Racismo hoje me soa estranho. Nem deveria mais haver esse câncer"
Em entrevista, além de relembrar momentos da carreira, Zé Roberto também comentou sobre o racismo no futebol e defendeu punições mais duras para casos de discriminação. O ex-jogador afirmou que já sofreu ataques racistas.
— É repudiante você falar de racismo nos tempos de hoje e ainda não ter uma punição severa. Para mim, o racismo é um câncer que ainda não descobriram a cura. Essa é a definição que eu tenho. Eu sou um cara que já sofreu racismo. Só que isso nunca me parou, nunca me desestabilizou, nunca deixou com que eu passasse a não acreditar mais na minha essência — disse o ex-jogador do Grêmio, que ainda completou:
— Por não ter essa punição severa, os racistas enrustidos, eles opinam, falam, atacam e não acontece nada. Enquanto não acontecer nada, a gente vai viver sempre perguntando, outros respondendo e não acontece nada.

